Em 16 de julho de 1985, Aparecida transformava-se no coração da Igreja no Brasil para a abertura do XI Congresso Eucarístico Nacional.
O grandioso encontro seguiu até o dia 21 de julho daquele ano, reunindo celebrações históricas, momentos importantes de formação e reflexões fundamentais sobre a presença da Eucaristia na vida cristã e na realidade social do país.
O congresso trazia como lema “Pão para quem tem fome”, a mesma temática adotada pela Campanha da Fraternidade daquele ano. A escolha profética chamava a atenção para a dimensão social e concreta da comunhão: quem participa da Mesa de Cristo é intimamente convocado a enxergar a fome e as necessidades de seus irmãos.
Na abertura do encontro, contudo, outro acontecimento singular começou a escrever sua própria história nas páginas do Santuário Nacional.
Naquele mesmo 16 de julho, foi assinado o decreto de fundação da então Academia Marial Brasileira, posteriormente consagrada como Academia Marial de Aparecida.
Assinatura do decreto de instalação da Academia Marial, em 1985
O documento histórico recebeu as assinaturas de Dom Carlos Furno, Núncio Apostólico no Brasil; Dom Sebastião Baggio, legado pontifício para o congresso; e Dom Geraldo Maria de Morais Penido, então Arcebispo de Aparecida.
Cônego Machadinho, eleito primeiro presidente da Academia Marial
Pelo mesmo decreto, o Cônego João Corrêa Machado, o Cônego Machadinho, foi nomeado o primeiro presidente da instituição, recebendo a nobre missão de estruturá-la e colocá-la em pleno funcionamento.
A promulgação oficial ocorreu em 21 de julho de 1985, durante a solene assembleia que encerrou o Congresso Eucarístico. Poucos meses depois, a Academia passou a ocupar o seu tradicional espaço no 11.º andar da Torre Brasília, no Santuário Nacional.
A criação da Academia não foi uma decisão repentina. Cônego Machadinho já defendia pioneiramente a necessidade de um centro que reunisse artigos, revistas, livros e estudos de alta relevância dedicados à Virgem Maria.
As primeiras tratativas ganharam força ainda em 1979. A intenção inicial era oficializar a instituição em 1980, aproveitando o ano histórico da dedicação da Basílica Nova e da primeira visita do Papa São João Paulo II a Aparecida. O projeto, no entanto, precisou amadurecer por mais cinco anos para finalmente ganhar vida.
O Congresso Eucarístico de 1985 ofereceu a providencial ocasião para que esse antigo desejo se transformasse em uma instituição sólida e permanente, dedicada à pesquisa, à formação e ao aprofundamento da fé mariana.
Ostensório utilizado durante o 11º Congresso Eucarístico Nacional, em 1985, trazia a imagem de Nossa Senhora Aparecida em sua base
À primeira vista, alguém poderia questionar a relação entre o estudo teológico sobre Maria e um encontro inteiramente dedicado à Eucaristia. A resposta teológica e pastoral está no próprio lugar central ocupado por Nossa Senhora na história da Salvação.
Maria acolheu o Verbo Divino em seu seio, acompanhou de perto sua missão redentora e permaneceu em oração com os discípulos. Conhecê-la em profundidade ajuda os fiéis a compreenderem a ação de Deus em suas próprias vidas e a assumirem, a exemplo da Mãe, uma postura de escuta atenta, serviço generoso e fidelidade ao Evangelho.
A Academia Marial nasceu justamente para favorecer o conhecimento teológico, evangelizador e pastoral sobre Nossa Senhora, promovendo pesquisas científicas e ajudando a fundamentar a autêntica devoção vivida pelo povo católico.
O Congresso de 1985 encerrou-se após seis dias de intensa oração. A instituição, nascida de sua programação, porém, permanece viva há mais de quatro décadas, auxiliando estudiosos, agentes de pastoral e devotos a conhecerem e amarem cada vez mais a Mãe de Jesus.
O Papa Pio XI foi o responsável por declarar Nossa Senhora Aparecida Padroeira do Brasil
A escolha da data de fundação ganhou um significado ainda mais especial por conta de uma feliz coincidência histórica. Exatamente 55 anos antes, em 16 de julho de 1930, o Papa Pio XI havia declarado Nossa Senhora Aparecida Padroeira principal do Brasil.
Dessa forma, o mesmo dia do calendário passou a unir dois marcos indeléveis da fé nacional: o reconhecimento pontifício da Padroeira e o nascimento de uma instituição de vanguarda voltada ao estudo, salvaguarda e divulgação da espiritualidade mariana.
.:: Conheça os três títulos de Nossa Senhora Aparecida
Fonte: CDM - Santuário Nacional
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