O mártir Padre Nazareno Lanciotti, que atuou por três décadas no Mato Grosso, foi beatificado no dia 13 de junho, em Jauru (MT), na Diocese de São Luiz de Cáceres.
A missa solene de beatificação foi presidida por Dom João Braz de Aviz, prefeito emérito do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, enviado pelo Papa Leão XIV.
“A beatificação do padre Nazareno Lanciotti representa um momento histórico de fé, reconhecimento e gratidão pela sua vida e testemunho cristão, reunindo fiéis, autoridades eclesiásticas e peregrinos de diversas regiões”, disse dom Jacy Diniz Rocha, bispo da diocese local.
Segundo o site oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Santa Missa, na Paróquia Nossa Senhora do Pilar, foi concelebrada por sete bispos e dezenas de sacerdotes de diferentes nacionalidades. Estiveram presentes também inúmeros fiéis brasileiros e de outros países como Bolívia, Argentina, Estados Unidos e Coreia do Sul.
Durante a celebração de beatificação do Padre Nazareno Lanciotti, foram apresentados aspectos de sua trajetória missionária, destacando seu trabalho em favor dos mais vulneráveis e o martírio sofrido em 2001.
O vice-postulador da causa, Padre Evandro Stefanello, ressaltou sua intensa vida espiritual e dedicação pastoral, enquanto a Carta Apostólica do Papa Leão XIV o reconheceu como um incansável anunciador do Evangelho, promotor da devoção mariana e fundador de importantes obras sociais, estabelecendo sua memória litúrgica em 12 de janeiro.
Após a proclamação, a imagem e a relíquia do novo beato foram conduzidas ao altar. O relicário contém fragmentos ósseos retirados durante a exumação de seu corpo, realizada em novembro de 2025.
A autorização dos decretos relativos à sua beatificação aconteceu no ano anterior, no dia 14 de abril, por decreto do Papa Francisco. Segundo a CNBB, a data da celebração foi anunciada em primeira mão para membros do Movimento Sacerdotal Mariano em um retiro nacional, já que padre Nazareno fez parte e chegou a ser nomeado diretor nacional.
Padre Nazareno nasceu no ano de 1940 e foi ordenado em 1966. Após alguns anos de ministério em Roma, o sacerdote chegou ao Brasil para a Operação Mato Grosso, em 1971.
Na aldeia de Jauru (MT), fronteira com a Bolívia, o Padre iniciou um fecundo apostolado que perdurou por 30 anos de sua vida. Na nova missão, o sacerdote fundou a paróquia de Nossa Senhora do Pilar e 57 comunidades eclesiais rurais.

Sustentado pela Eucaristia e pela devoção à Virgem Maria, ele implementou a adoração Eucarística diária local e uma instituição de saúde beneficente, que posteriormente se tornou um dos hospitais regionais mais ativos.
Além disso, fundou um seminário menor, construiu uma casa de repouso para idosos, chamada “Coração Imaculado de Maria” e abriu uma escola que atendia centenas de crianças. Era conhecido também por pastorear a juventude e as crianças.
Movimento Sacerdotal Mariano
Constituído por religiosos e fiéis, o movimento se empenha em viver uma experiência próxima e de total confiança à Nossa Senhora, para que, pela intercessão da Virgem, sejam fiéis à própria consagração batismal e tornem-se testemunhas de fé.
Padre Nazareno foi amigo próximo do Padre fundador do movimento, Padre Stéfano Gobbi, de Milão (Itália). Teve grande participação no movimento desde 1987 e tornou-se diretor nacional para o Brasil. Promoveu incansavelmente a devoção à Nossa Senhora e o movimento no Brasil.
Mártir no dia da Cátedra de São Pedro
Seu trabalho missionário gerou incômodo. No dia 11 de fevereiro de 2001, teve sua casa invadida e foi gravemente ferido por dois criminosos. O Padre, que amava muito Jesus e dedicou sua vida a inúmeras ações pastorais, veio a falecer em 22 de fevereiro, aos 61 anos.
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Fonte: CNBB
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