A resposta do Papa Leão XIV a um homem que se define como “um ateu que ama a Deus” ganhou destaque na edição de fevereiro da revista Piazza San Pietro, publicada pela Basílica Vaticana. Rocco, de Reggio Calabria, escreveu ao Pontífice relatando sua inquietação espiritual.
“Acredito que não acredito, absolutamente certo do nada, continuo a ansiar por Deus. O meu drama é Deus! A minha inquietação é Deus!”
Ao que Leão XIV surpreendentemente respondeu: “Não pode ser ateu quem ama a Deus, quem O busca com coração sincero”.
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Leão XIV citou as Confissões de Santo Agostinho para iluminar a questão: “Tu estavas dentro de mim, e eu fora. E lá eu te procurava”.
A referência dialoga com a própria Sagrada Escritura. No livro do profeta Jeremias, Deus afirma: “Vós me procurareis e me encontrareis, quando me buscardes de todo o coração” (Jr 29,13). A Bíblia apresenta a busca como caminho de encontro.
O Papa desenvolveu essa linha ao declarar:
“O verdadeiro problema da fé não é acreditar ou não acreditar em Deus, mas procurá-Lo! Ele deixa-se encontrar pelo coração que O procura e, talvez, a distinção correta a fazer não seja tanto entre crentes e não crentes, mas entre aqueles que procuram e aqueles que não procuram Deus”.
O ensinamento da Igreja sobre fé e razão
O Catecismo da Igreja Católica ensina que o desejo de Deus está inscrito no coração humano (cf. CIC 27). A Igreja reconhece que o homem é criado para a comunhão com o Criador. Ao mesmo tempo, admite que esse vínculo pode ser obscurecido por dúvidas, sofrimento ou contextos culturais marcados pelo secularismo.
Já a Constituição Dogmática Dei Verbum, do Concílio Vaticano II, recorda que Deus se revela na história e convida o ser humano a uma resposta. A fé, portanto, não é imposição. É adesão consciente.
A própria Escritura reconhece o tema da incredulidade. No Evangelho segundo Marcos, um pai suplica a Jesus: “Eu creio! Ajuda a minha falta de fé!” (Mc 9,24). A frase revela que fé e dúvida podem coexistir na experiência humana.
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Na conclusão de sua resposta, o Papa dirigiu-se novamente a Rocco: “ser um buscador ardente de seu rosto, amá-lo como você faz. Eis que todos nós somos desejosos de Amor, buscadores de Deus. E aqui reside a dignidade e a beleza de nossa vida”.
A reflexão converge com outro trecho bíblico central: “Deus é amor” (1 Jo 4,8). Amar a Deus, ainda que em meio à dúvida, já indica uma abertura ao mistério.
Para as pessoas que vivem em ambientes plurais e muitas vezes marcados pela indiferença religiosa, a resposta pontifícia sugere um caminho. A fé pode nascer da inquietação, do desejo e da decisão de procurar.
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Fonte: Vatican News
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