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Uma peregrinação pela Bíblia ao visitar o Santuário Nacional

Conheça os caminhos de reflexão que unem arte, Palavra de Deus e espiritualidade nos diferentes espaços visitados por devotos e peregrinos em Aparecida

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Escrito por Gustavo Santos

29 SET 2026 - 08H55 (Atualizada em 29 SET 2026 - 11H07)

Thiago Leon

A Palavra de Deus pode ser contemplada de diferentes formas durante a experiência de visitar o Santuário Nacional. A arte sacra, os espaços de oração, os percursos de visitação e as representações de passagens bíblicas são maneiras do peregrino e do devoto ver, sentir e admirar a Bíblia em Aparecida.

Começando pelo interior da Basílica, temos 34 painéis monumentais do artista Cláudio Pastro (1948 – 2016), reconhecido como o maior nome da arte sacra brasileira contemporânea.

“Eu fico muito feliz pelo privilégio de ter sido escolhido e por ouvir que as pessoas mais simples e as mais sofisticadas tem o mesmo sentimento: ao entrar na Basílica não querem sair”, contou Claudio Pastro em sua última entrevista ao Portal A12.com.

Thiago Leon Thiago Leon Painel dos Milagres de Cláudio Pastro

A arte de Pastro foi inspirada na Biblia Pauperum, termo do século VI que significa Bíblia dos Pobres e que surgiu quando o Papa São Gregório Magno impediu o bispo Serenus de Marselha de destruir as imagens das igrejas, por entender que elas desempenhavam um papel importante na representação das passagens das Escrituras para aqueles que não sabiam ler e eram menos favorecidos.

Os 34 painéis, que medem 7 por 5 metros cada, sendo produzidos pela Azulejaria Alfanio, de Campo Largo (PR), retratam a infância de Jesus na Nave Sul, a vida pública de Cristo na Nave Norte, a paixão de Jesus como tema central na Nave Oeste e a Nave Leste apresenta cenas da Ressurreição do Senhor.

“Não é simplesmente um passeio, mas é uma caminhada de fé. E é uma caminhada de fé porque respira-se o que cada painel bíblico, de cada nave, está demonstrando para nós.” Relatou o Padre Ferdinando Mancilio, Prefeito de Igreja do Santuário Nacional de Aparecida

Do lado de fora, como extensão da expressão artística bíblica, têm as fachadas leste com o livro de Gêneses, norte com Êxodo, sul que conta sobre Jesus e a Páscoa representando o novo testamento, e oeste fecha com Apocalipse. O Santuário entende que as imagens não substituem as Escrituras, mas ajudam o visitante a contemplá-la.

Lugares de oração e reflexão

Cassio Ricardo da Costa, Orientador Cultural do Santuário, relata que as visitas monitoradas são formas de elevar e contribuir para a vivência e absorção de conhecimento dos visitantes. “Temos, hoje, 11 roteiros de visitas monitoradas de forma dinâmica, catequética, simbólica e mistagógica, justamente para que o devoto tenha essa experiência espiritual e de aprofundamento da fé”, explica Costa. Agora, continua a peregrinação bíblica pelo Santuário.

Thiago Leon Thiago Leon O Baldaquino sustentando a Cúpula Central

O Baldaquino, estrutura de quatro grandes pilares que sustentam a Cúpula Central sobre o Altar da Consagração, arte também de Cláudio Pastro, retrata a biodiversidade dos biomas brasileiros, a fauna, a flora e o ser humano em várias fases da vida, simbolizando que toda a criação louva a Deus. Encontra-se referências bíblicas neste espaço em 1 Reis 7, 6, Ezequiel 41, 25 e Jeremias 43, 10.

Thiago Leon Thiago Leon Painel dos Milagres de Cláudio Pastro

A Capela das Velas, situada a esquerda da porta da Santa, é um espaço que representa também a sarça ardente, momento em que Deus fala com Moisés através do fogo em um arbusto que não se queima. Episódio descrito em Êxodo 3.

A Capela do Batismo, localizada na Esplanada João Paulo II, do lado esquerdo da Colunata dos Apóstolos, na área externa, revela o episódio de Matheus 3,13-17 em que Cristo desceu as águas dando o exemplo e simbolizando o nascimento para uma nova vida.

Thiago Leon Thiago Leon

A Capela da Ressureição, que fica na Nave Sul, demonstra como a Palavra de Deus, a oração e a esperança podem ser expressas em um espaço ornamentado pela arte sacra. A ressurreição de Cristo pode ser encontrada nos quatro livros dos Evangelhos do Novo Testamento: Mateus 28, Marcos 16, Lucas 24 e João 20.

A Cúpula Central, traz João 1, 3-4, “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”, que fundamenta a simbologia da Árvore da Vida. Pode-se encontrar outros elementos na Cúpula, como a Cruz Vasada, O mosaico com mais de 5 milhões de pastilhas de vidro e lâminas de ouro vindas de Veneza, que refletem as luzes remetendo à Luz Divina descritas no Evangelho.

O caminho da Bíblia

Além desses locais, onde as Escrituras se revelam de diferentes formas, há a possibilidade de aprender e entender mais sobre o livro sagrado caminhando pelo Santuário Nacional. O padre Ferdinando, como Prefeito de Igreja, explica o motivo da estrutura pensada em incentivar o visitante a percorrer os locais.

“O Santuário Nacional proporciona ao peregrino a oportunidade de fazer essa caminhada para que ele possa respirar e beber da fonte bíblica, que nos chama a sermos cristãos bíblicos: dinâmicos, cristãos a caminho, que não estão parados.” Padre Ferdinando, Prefeito de Igreja do Santuário Nacional de Aparecida

Ainda na parte interna, os painéis artísticos de Claúdio Pastro contam sobre a vida de Jesus, da anunciação, passando pela infância, vida pública, até a ressurreição, pentecoste e missão da Igreja.

Thiago Leon Thiago Leon

Ampliando a experiência para fora da Basílica, o Caminho do Rosário, que liga a Cidade do Romeiro ao Porto Itaguaçu, não é apenas um caminho pela bíblia, é um percurso de oração construído a partir de acontecimentos da vida de Cristo e de Maria com mais de 20 cenários e 128 esculturas.

O Morro do Presépio, no Jardim Norte, próximo ao Centro de Apoio aos Peregrinos e aos estacionamentos, traz a encarnação de Cristo, nascimento e a presença de Deus entre os homens.

A Bíblia que continua após a visitação

Nesta matéria você pôde conhecer um pouco mais sobre os locais específicos que a bíblia se revela no Santuário Nacional, mas o espaço como todo foi inspirado nas Escrituras e erguido a fim de favorecer momentos de oração, contemplação e evangelização.

O Papa Leão XIV, na Audiência Geral da Igreja, em fevereiro, trouxe uma importante reflexão sobre a natureza, o sentido e a interpretação da Palavra de Deus atualmente.

“...a Escritura não pertence apenas ao passado: lida e acolhida sob a ação do Espírito Santo, ela continua a iluminar a vida dos fiéis hoje, orientando escolhas, fortalecendo a fé e inspirando o testemunho cristão no cotidiano.” Papa Leão XIV

Após conhecer mais sobre a ligação da Bíblia com esses espaços, monumentos e expressões artísticas do Santuário Nacional de Aparecida, fica o convite a contemplação, momentos de oração e de abrir a Palavra de Deus para conhecer ainda mais sobre seus ensinamentos.

Leia Também: Bíblia de Aparecida completa 20 anos de tradução

Fonte: Portal A12, Biblia Pauperum, Vatican News, Santuário Nacional de Aparecida, Jovens de Maria

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