Por Redação A12 Em Opinião

Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida

biomas brasileiros

Com a quaresma somos convidados a uma conversão mais intensa de nossas vidas ao Evangelho, a nos colocarmos mais nos passos que Jesus nos ilumina e, para isso, iniciamos este tempo com o texto do Evangelho (Mt 6,1s) que traz a oração, o jejum e a esmola/caridade como exercícios e meios para realizarmos essa conversão. Somos convidados a esses meios para que atinjamos o mandamento central do Evangelho, o amor e a caridade. Ciente disso, a Igreja Católica no Brasil, no intuito de fomentar a caridade e aprofundar o espírito quaresmal, nos propõe a cada ano uma grande campanha do amor fraterno diante das tantas injustiças e sofrimentos que passam o nosso povo brasileiro, chamada de Campanha da Fraternidade.

Neste ano, a Campanha da Fraternidade (CF) quer despertar para a “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”. A palavra “bioma” é o conjunto de vida (“bio”) com um clima e vegetação semelhantes. Chamamos de um bioma a Amazônia, que urge ser protegida de tantos desmatamentos, e em nosso estado de São Paulo temos o bioma Mata Atlântica, que se estende por 17 estados brasileiros e que drasticamente tem sido devastado ao logo da história, restando somente 12,5%. Junto a cada bioma temos a população local, que dele vive e cuida, e sofre também com a devastação do bioma. A CF deste ano, como a do ano passado com o foco “Casa comum, nossa responsabilidade”, vem buscar aplicar os apelos da carta encíclica do Papa Francisco Laudato Si’.

Esta carta papal coloca como o principal causador da destruição do planeta e da exploração humana o nosso sistema capitalista, o atual sistema econômico e financeiro que, aliado ao atual mau uso da tecnologia, visa à competição e o lucro sem limites e, para isso, tem de consumir os recursos naturais e a mão de obra humana o mais possível que conseguem, e cada vez mais a menores custos. Igualmente, nesta carta papal é central que tudo está interligado, tanto a vida humana e de toda criação mutuamente se dependem, como também os problemas são interligados. Dizemos que são problemáticas socioambientais, pois a destruição da natureza vem sempre acompanhada da exploração e malefícios às pessoas, haja vista o exemplo do desastre de Mariana, em 2015, que quase matou o rio Doce, juntamente com graves malefícios a milhões de pessoas que dele dependem.

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Vemos que tudo está interligado também no exemplo da falta de água em São Paulo, cujos causadores são desde o desmatamento da floresta amazônica, que reflete nas chuvas do sudeste, até a monocultura da cana em todo interior paulista, aliados às péssimas políticas do Estado para garantir que todos tenham água, em vista de em um futuro não tão longe favorecer grandes empresas, que estão comprando as fontes de nossas águas no Brasil. Vemos que as agressividades feitas aos biomas prejudicam diretamente à vida nas cidades, e em prazo de décadas poderemos ter no mundo migrações de populações inteiras, como hoje acontece aos sírios, só que por falta de água. Não estamos também interligados com todo planeta pela internet e pelos meios de transportes à toa, isso também favorece a um sistema que explora sem limites a vida humana e de toda criação, que, por vezes, nos manipula pelos meios de comunicação e, outras vezes, aproveita da facilidade dos meios de transporte atuais para mais explorar e destruir em vista do próprio lucro.

Esta Campanha da Fraternidade, assim, não é distante de nós! Nisso podemos, por outro lado, aprender da visão franciscana, pois Francisco de Assis é quem bem expressa um caminho de mudança, para uma relação harmônica com Deus, consigo, com as pessoas, com os empobrecidos e com toda a criação. Nele temos bem claro de que tudo está interligado e tudo é chamado a estar em harmonia e em mútuo cuidado, a partir de uma vida sóbria, de serviço aos sofredores e de relação intensa com o Criador.

Por isso, esta Campanha pode ser vivida com a nossa conversão. Conversão do coração, no sentido de sermos mais solidários e misericordiosos com os que sofrem, não sendo tão consumistas, antes repartindo o que temos e somos, não desperdiçando os recursos naturais... Conversão também do pensar, do modo de ver e refletir, admirando a beleza da criação, que nos remete a um Criador tão bom, e contemplando a beleza de cada pessoa, valorizando mais o ser humano, não tendo uma concepção tão fragmentada como hoje se nos impõe, em que o lucro e o sucesso de grandes empresas imperam, em prejuízo da vida, principalmente da vida mais frágil... E, por fim, uma conversão do agir, de atitudes em nível pessoal para o coletivo, participemos e apoiemos as pastorais sociais da nossa Igreja, que cuidam da vida dos enfermos, das crianças, dos pobres, etc, ou mesmo tenhamos contato e demos apoio aos tantos movimentos e grupos sociais que lutam por mais justiça e preservação da natureza, para assim, não reduzirmos esta grande campanha só a informações, mas que dê frutos e repercuta de verdade na vida humana e da criação que estão perto de nós e das quais também mutuamente dependemos.

Fr. Marcelo Toyansk Guimarães OFMCap

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