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Opinião

Quando fé e política precisam se encontrar

Criminalizado, o cenário político brasileiro afasta cidadãos que ainda não entenderam que a melhor política é não delegar ou banalizar seu voto

Karla Maria (arquivo pessoal)

Escrito por Karla Maria

08 JAN 2026 - 16H02 (Atualizada em 08 JAN 2026 - 16H25)

Rafael Henrique/ Adobe Stock

A fé é sem dúvidas um filtro que nos orienta a ver e agir no mundo. As encíclicas Fratelli Tutti e Laudato Sí, por exemplo, nos apresentam a partir das palavras do Papa Francisco, uma epistemologia da fé, ou seja, uma forma de conhecer e de ler o mundo; um modo de compreender a realidade não apenas na dimensão individual, mas especialmente no modo coletivo para a construção do bem comum.

Não por acaso, desde pequenos, ao rezarmos o Pai-Nosso, pedimos “O pão nosso de cada dia...”. Somos - como batizados e parte de toda Criação – convocados a agir de modo responsável na sociedade, e neste sentido, a política se apresenta como possibilidade de acesso à tal construção deste bem comum.

O Documento da III Conferência Geral do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM), evento realizado em Puebla, México, de 27 de janeiro a 13 de fevereiro de 1979, distingue dois níveis de política. O primeiro neste sentido mais amplo, na atuação em busca do bem comum e o outro nível o da política partidária, que consiste na conquista e no exercício do poder através do voto, sendo este um campo específico dos cristãos leigos e leigas. 

A Constituição Pastoral Gaudium et Spes do Concílio Ecumênico Vaticano II afirma que aqueles que têm vocação para este tipo de prática político-partidáriaprocurem exercê-la sem pensar no interesse próprio ou em vantagens materiais, procedam com integridade e prudência contra a injustiça e a opressão, contra o domínio arbitrário de uma pessoa ou de um partido e contra a intolerância”, explicou padre Antonio Aparecido Alves, citando trecho (n. 75) do documento.

Para Padre Alves, também mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, com especialização em Doutrina Social da Igreja, na atuação político-partidária, a Fé e a Política não deveriam se misturar, “pois, se deve respeitar a legítima autonomia da Fé e da Política e buscar, motivados pela Ética, junto com outras pessoas que não professam nenhuma Fé ou têm outras crenças, o que é o melhor para a sociedade, na perspectiva dos mais vulneráveis. É importante a presença dos cristãos neste âmbito de Governo, não para 'sacralizar' a Política, mas sim para enriquecê-la com os valores éticos do Evangelho expressos na Doutrina Social da Igreja”.

Já no âmbito mais amplo, na busca pelo bem comum, o mestre em Ciências Sociais esclarece “que a Fé nos leva para a Política, isto é, à intenção de deixar este mundo um pouco melhor depois de nossa passagem por ele, como disse o papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (n. 183). Em outras palavras, neste sentido amplo, Fé e Política se misturam sim”.

add Cristãos e seu papel na política de um país

Cuidando da democracia brasileira

O voto, é uma das ferramentas disponíveis para a efetiva participação do eleitor no cenário democrático, e o calendário eleitoral de 2026 já apresenta datas importantes a serem observadas. O cidadão que mudou de cidade ou estado e precisa transferir o domicílio tem até o dia 6 de maio para fazê-lo. Com exceção dos servidores públicos civis, militares e autárquicos removidos de ofício e os respectivos familiares que estão dispensados dessas exigências, o eleitor deve acessar, até a data limite, o site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e entrar no Autoatendimento Eleitoral para atualizar seus dados.

Nestas eleições, 158,6 milhões de eleitores terão de votar para deputado federal, deputado estadual ou distrital, além de eleger dois senadores, governador e presidente da República. O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro, um domingo. E caso haja segundo turno para os mandatos executivos, ele ocorrerá em 26 de outubro.

A escolha de deputados federais, estaduais e distritais seguirá o sistema proporcional, que distribui as cadeiras entre partidos e federações conforme o total de votos recebidos por cada legenda. Os candidatos mais votados dentro de cada partido ocupam as vagas, de acordo com os cálculos de quociente eleitoral e partidário. O Senado Federal renovará 54 das 81 cadeiras, respeitando o rodízio que ocorre a cada quatro anos. A eleição é majoritária simples: em cada estado, os dois candidatos mais votados são eleitos, com mandato de oito anos. Cada eleito leva consigo dois suplentes.

Serão escolhidas 27 chapas de governador e vice, uma por unidade da federação. A vitória no primeiro turno exige mais de 50% dos votos válidos; caso isso não ocorra, os dois candidatos mais votados disputam o segundo turno. No âmbito nacional, será eleita a chapa de presidente e vice-presidente da República. Assim como nas disputas estaduais, a vitória em primeiro turno só ocorre com maioria absoluta dos votos válidos, podendo haver segundo turno se necessário.

Enquanto pesquisas apontam números e favoritos aos cargos públicos mexendo com o xadrez do jogo político, entidades civis e a própria Igreja Católica se manifesta em defesa da democracia e de suas instituições.

Em mensagem de final de ano, ao povo brasileiro, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, presidida por Dom Jaime Cardeal Spengler, arcebispo da Arquidiocese de Porto Alegre (RS), reiterou que a “ democracia, com sua exigência de diálogo, suas instituições, seus freios e contrapesos, é patrimônio do povo brasileiro e precisa de cuidado e promoção. Embora imperfeita, ela é terreno fértil onde a justiça e a verdade podem se abraçar (cf. Sl 85,10) e florescer. Como discípulos e discípulas de Jesus Cristo, somos chamados a ser testemunhas credíveis e exemplares, artesãos da paz, construtores de pontes, promotores da caridade política e da responsabilidade social. A nação precisa reencontrar o caminho da pacificação, do diálogo e do respeito mútuo!“

Ex-presidente do TSE, a ministra da suprema corte Carmém Lúcia já afirmou que "O voto é um instrumento democrático para transformar nossos lugares onde a gente vive, nossos espaços de convivência política. Enfim, de realização efetiva da democracia", disse lembrando que o direito de todo cidadão votar foi uma conquista "preciosa e difícil no país". “Nós lutamos muito para ter direito ao voto secreto, universal, periódico, e, principalmente, livre”.

add Leia também: A origem do voto e a conquista da democracia

Escrito por:
Karla Maria (arquivo pessoal)
Karla Maria

Jornalista e escritora, autora de quatro livros que tratam sobre fé e direitos humanos, cada um a seu modo. É mestranda em História na Unesp. Foi finalista do Prêmio Vladimir Herzog 2024, é TEDx Speaker, mãe do pequeno João, antirracista e devota de Nossa Senhora Aparecida. (@karlamariabra)

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Por Redação A12, em Opinião

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