A edição de janeiro de 2026 da revista Piazza San Pietro trouxe uma mensagem do Papa Leão XIV aos catequistas. Para o Pontífice, o maior desafio da Igreja hoje não está na quantidade de catequizandos, mas na consciência de pertença ao Corpo de Cristo.
A reflexão nasce da carta de Núncia, catequista suíça da cidade de Laufenburg, com pouco mais de 600 habitantes. Há décadas, ela se dedica à formação cristã de crianças e jovens, da Primeira Comunhão à Crisma. Em sua carta, relata a frustração pastoral:
“Eu semeio, mas as plantinhas têm dificuldade para crescer. As crianças e as famílias preferem esportes e festas”.
A resposta do Papa indica 5 maneiras para o catequista compreender seu ministério:
O Papa acolhe o desabafo e o amplia para o contexto europeu. Segundo ele, essa realidade não é isolada. “A situação em que você vive não é diferente da de outros países de antiga cristandade”. Igrejas vazias, famílias pouco presentes e jovens mais atraídos por atividades externas à fé compõem um quadro conhecido também em outros continentes.
Leão XIV traz um ponto decisivo para quem evangeliza com grupos pequenos. “As horas dedicadas à catequese nunca são desperdiçadas, mesmo que os participantes sejam muito poucos”. O critério não é o sucesso visível aos olhos, mas a fidelidade à missão.
O Papa propõe uma mudança de chave pastoral. “O problema não são os números que, certamente, fazem refletir, mas a falta cada vez mais evidente de consciência de nos sentirmos Igreja, ou seja, membros vivos do Corpo de Cristo, todos com dons e papéis únicos, e não meros usuários do sagrado, dos sacramentos”.
Leão XIV recorda que a missão catequética é também um caminho pessoal. “Como cristãos, sempre precisamos de conversão. Devemos buscá-la juntos”. O catequista não está fora do processo, ele caminha com o grupo e aprende enquanto ensina, assim como reza enquanto orienta. A verdadeira porta permanece aberta: “é o Coração de Cristo, sempre escancarado”.
O Papa encerra sua resposta retomando São Paulo VI, que dizia que a evangelização acontece pelo testemunho. “O que se pode fazer é testemunhar a alegria do Evangelho de Cristo, a alegria do renascimento e da ressurreição”.
Para o catequista, isso se traduz em gestos coerentes com o anúncio do Evangelho. A alegria vivida fala mais alto que discursos longos e a perseverança silenciosa forma mais que eventos pontuais.
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Em 2026, catequistas de todo o país se reunirão em Aparecida para o evento, Catequistas Brasil. Será um espaço privilegiado para aprofundar essa visão de Igreja como comunhão viva e missão partilhada.
add_box Catequistas Brasil será realizado em Aparecida na próxima semana
Fonte: Vatican News
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