Por Pe. Evaldo César de Souza, C.Ss.R. Em Santuários

Madalena, a Santa de muitas tradições

São muitos os lugares de culto e devoção a Santa Maria Madalena, mulher que teria recebido de Jesus a libertação dos seus pecados e se tornado uma discípula fiel. Segundo os Evangelhos Madalena foi a primeira testemunha da Ressurreição de Jesus, o que faz dela figura ímpar do Cristianismo. E se há um lugar onde a memória de Madalena foi cultivada, esse lugar é a França. Segundo tradição cristã é nesse país que estão grande parte das relíquias de Madalena. Nosso olhar se volta então para duas regiões francesas, a Provença e a Borgonha.

Foto de: Hortensio de Mattos

Fachada inacabada da Basílica de santa Maria Madalena. Foto: Hortensio de Mattos

Fachada inacabada da Basílica de santa Maria Madalena

 

Borgonha foi por muito tempo, na Idade Média, o centro de culto à Maria Madalena. A região de Vezelay concentrou, ao redor de uma Abadia dedicada à santa, teve seu ápice de culto e importância nos séculos nono e décimo, antes de entrar em declínio e ceder lugar para as grutas de Boume, na Provença. Centro de peregrinação, a abadia de Maria Madalena em Vezelay chegou a ser ponto de partida de um dos caminhos que levavam até Santiago de Compostela, ligando estes dois ponto de romarias na passagem do primeiro milênio da era cristã. A força de Vezelay foi tanta que a Abadia era uma referencia de apoio para as Cruzadas da Igreja.

Reconstrução da imagem de Maria Madalena é criada por especialistas brasileiros.

Em 1190 sairão dessa Abadia o rei da França e Ricardo Coração de Leão rumo a III grande Cruzada contra o Islã. A decadência do local dá-se em abril de 1267, quando ocorre a divisão das relíquias para muitas igrejas da França. Com a presença do rei, o santificado Luís, e de inúmeros legados papais e reais, abriu-se o túmulo da santa, e entre as ossadas, uma carta real do imperador Carlos Magno, conferindo autenticidade ao corpo. Mesmo sendo um autenticação muito mais formal que real, o fato é que partes das relíquias foram dissipadas e Vezelay vai-se definhando em importância. O golpe final viria com os achados de Boume, na Provença, onde especulou-se estar a verdadeira relíquia de Madalena desde o século V. Essa tensão causada por causa de variadas tradições, desviou-se os olhares da Borgonha para Provença. Hoje a Abadia de Maria Madalena em Vezelay segue sendo uma lindíssima abadia, mas a força da devoção à Maria Madalena deslocou-se para Saint-Maximin-la-Saint-Baume.

Relicário de Maria Madalena. Foto: Hortensio de MattosEm Provença, região litorânea da França, tornou-se a grande propagadora da devoção a Maria Madalena. Segundo lendas áureas, a santa teria chegado em uma jangada no litoral francês junto com São Máximo, Santa Maria Jacobé, Santa Maria Salomé e santa Sara. Com zelo apostólico, Madalena teria percorrido toda a região provençal até recolher ao uma região pouco montanhosa, conhecida como Baume (ou seja, gruta). Segunda tradição, um oratório dedicado a santa Madalena existe nesse local desde o século V, muito antes da devoção em Vezelay. Hoje esta gruta fica a cerca de 21 quilômetros da Basílica de Santa Madalena, localizada na cidade de Saint-Maximin-la-Saint-Baume. Com algum esforço chega-se a um mosteiro dominicano, guardião do local sagrado, e caminhando a pé por 1,5 quilômetros é possível caminhar até as grutas de Baume, e mergulhar em um inesquecível ambiente religioso e meditativo.

Seja em Vezelay, seja em Boume, as tradições cristãs ainda que divergentes e concorrentes, marcam o território francês como destino final de uma das mais queridas e marcantes santas da Igreja Católica. Cercada de lendas, histórias e especulações, Madalena, a pecadora arrependida e a primeira testemunha da ressurreição será sempre venerada como símbolo de todo pecador que pode e deve converter-se ao caminhos de santidade junto com Jesus.

 

Assinatura padre Evaldo Souza - Colunista

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