Por Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R Em Santuários Atualizada em 26 MAI 2020 - 16H48

Santuário de Santa Dulce dos Pobres: A doçura do Anjo Bom do Brasil

Doce, Dulce... o Anjo Bom do Brasil, Santa Dulce, repousa silenciosa no santuário construído para abrigar suas relíquias, ao lado da grande obra social que tocou por muitas décadas. Ali, no memorial sagrado, pessoas simples e devotos de Santa Dulce dos Pobres acorrem, em busca de alívio para as dores e indecisões da vida. 

Simples como a própria homenageada, o Santuário ilustra o centro do presbitério com a pintura da Imaculada Conceição, tendo ao lado dela, um pouco abaixo, a figura de Dulce abraçada com seus pobres. Nas paredes, a recordação das três virtudes teologais – fé, esperança e caridade, não deixam dúvidas sobre qual caminho Dulce escolheu para viver sua vocação como seguidora de Jesus. 

 

"Os que clamaram em vida por ajuda, seguem buscando no bem-aventurado coração de Dulce um porto tranquilo de repouso e bênçãos." 

O Memorial das Relíquias se une ao Santuário por uma porta contígua, de modo que todos os que entram na igreja acabam por adentrar um pouco mais, em busca do local onde repousam os restos mortais da religiosa. Cestinhos de vime, aos pés do monumento funerário, estão sempre repletos de pedidos e intenções. Os que clamaram em vida por ajuda, seguem buscando no bem-aventurado coração de Santa Dulce um porto tranquilo de repouso e bênçãos. 

Maria Rita nasceu na Bahia, em 1914. Nasceu para ser santa, diriam depois os que a conheceram, pois desde a mais tenra idade, aos 13 anos, já manifestou afeto e cuidado pelos mais pobres de sua cidade, Salvador. Decidida pela vida religiosa, Rita, já professora formada, entra na congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus e recebe seu hábito no dia 13 de agosto de 1933. Passa a se chamar Dulce, em homenagem à falecida mãe. Ousada e criativa, Dulce volta para Salvador, e enquanto dedica tempo num colégio, seu coração olha mesmo é para os pobres que circundam o lugar. As palafitas de Alagados, no coração do bairro do Itapagipe, tornam-se seu segundo lar. 

Incansável, Dulce vai criar associações de operários, base do que seria o Círculo Operário da Bahia, primeira associação desse tipo na estado baiano. Preocupada em acolher os pobres e dar assistência a eles, Dulce invade casas na Ilha dos Ratos. É expulsa com seus pobres em 1939, passando a percorrer abrigos em Salvador, parando aqui e ali, até que, dez anos depois, consegue estabelecer-se num antigo galinheiro, ao lado da Convento Santo Antônio.

Com setenta doentes, Dulce faria nascer ali um dos maiores hospitais da cidade, a partir de um galinheiro. Coisas de santas! 

Definitivamente Dulce era dos pobres. Passou a vida com eles e para eles, e neles via espelhado o rosto de Jesus Cristo. Visitada por São João Paulo II por duas vezes (em 1980 e em 1991), Dulce recebe do Pontífice a bênção pela obra ousada em favor dos mais necessitados. Era como um selo espiritual de autenticidade humana e cristã. Fraquinha, ofegante por causa dos pulmões praticamente inutilizados, Dulce repousa em Cristo no dia 13 de março de 1992. Santa Dulce dos Pobres foi canonizada no Vaticano em 13 de Outubro de 2019.

Sua presença é forte no Santuário a ela dedicado – o Santuário de Santa Dulce dos Pobres.

Nesse tempo de pandemia de coronavírus, onde é necessário o isolamento social, é possível conhecer o Santuário no Tour Virtual.


Escrito por
Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R, diretoria da Fundação Nossa Senhora Aparecida (FNSA) (TV Aparecida)
Padre Evaldo César Souza, C.Ss.R

Jornalista e missionário redentorista

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