Sinodalidade

A participação dos jovens no caminho sinodal

Como convidar e manter o jovem dentro das ações pastorais em sua comunidade

Escrito por Laís Silva

19 MAR 2026 - 10H58 (Atualizada em 19 MAR 2026 - 11H16)

Arquivo pessoal / Pe. Ailton Evangelista

O engajamento pastoral juvenil é um dos pilares fundamentais para a vida da Igreja no caminho sinodal. Caminhar ao lado da nova geração é uma oportunidade de compreender as possibilidades, de alcançar e convidar cada vez mais jovens a assumirem sua missão dentro da Igreja.

A juventude carrega energia, criatividade e sensibilidade para transformar realidades; mas para que esse potencial floresça, é necessário um acompanhamento pastoral. Por isso, as dioceses e paróquias tem setores responsáveis que conversam com esse público e são tão importantes para fortalecer essa parceria.

O Pe. Ailton Evangelista, assessor do Setor Juventudes da Diocese de Lorena – SP e administrador paroquial da Paróquia Nossa Senhora da Conceição no Embaú, em Cachoeira Paulista, falou sobre como deve ser a aproximação com o jovem.

“Acho que a gente precisa ser criativo e eu vou muito por aquela experiência de Dom Bosco: não basta que os jovens sejam amados, eles precisam se sentir amados e eu acho que o sentir amado passa pela acolhida. Passa por uma disposição, passa por uma escuta mais aberta, passa por um contato que expresse também esse afeto, essa abertura. Então, eu acredito que a gente começa a ver resultados também a partir dessa mudança de chave.”

O padre trabalha com duas realidades, no setor da juventude que já atua com jovens engajados e comprometidos, e na paróquia, onde o trabalho direcionado ao jovem é mais recente, o que reflete em um esforço maior por parte da igreja em trazer esse jovem para perto.

Jovens engajados

Arquivo pessoal / Pe. Ailton Evangelista Arquivo pessoal / Pe. Ailton Evangelista


Pe. Ailton já trabalha no Setor Juventudes da Diocese de Lorena há um bom tempo, por isso já participou encontros, eventos, e por isso, percebe uma juventude engajada, comprometida, tanto por parte dos jovens que exercem algum trabalho, algum ofício dentro das liturgias, das celebrações, quanto dos que estão ali nas catequeses, nos grupos de jovens, das demais atividades.

“Para esses grupos, a gente nota uma participação muito efetiva, trazendo muito brilho, trazendo muita criatividade, um fôlego novo para a nossa Igreja. Então, eu avalio de forma positiva. É claro, que estou falando de um recorte dos nossos jovens, que são jovens que já tiveram uma experiência com Cristo e, por isso, se engajam na missão da Igreja.”

Promover o engajamento dos jovens exige mais do que oferecer atividades, é preciso criar espaços de pertencimento, diálogo e protagonismo, onde cada jovem se sinta realmente visto, ouvido e chamado a caminhar com Cristo.

A participação dos jovens no caminho sinodal

Arquivo pessoal / Pe. Ailton Evangelista Arquivo pessoal / Pe. Ailton Evangelista

A sinodalidade, como já temos falado diversas vezes, é um convite a caminharmos todos juntos, lado a lado, religiosos e leigos, todos assumindo suas corresponsabilidades dentro de suas comunidades e a participação do jovem é essencial nesse caminho.

O Documento final do Sínodo da Sinodalidade, já nos introduziu sobre a importância dos jovens nesse caminho sinodal:

A participação responsável dos jovens na vida da Igreja não é facultativa, mas constitui uma exigência da vida batismal e um elemento indispensável para a vida de cada comunidade. As dificuldades e fragilidades dos jovens ajudam-nos a ser melhores, as suas exigências desafiam-nos e as suas dúvidas interpelam-nos sobre a qualidade da nossa fé. E precisamos também das suas críticas, porque, não raro, é através delas que ouvimos a voz do Senhor que nos pede a conversão do coração e a renovação das estruturas.” (Documento final do Sínodo, 116)

Ao buscar a sinodalidade é preciso ter a consciência de que para caminhar juntos é necessário ouvir o irmão, a escuta é uma ação ensinada por Jesus, Ele ouvia a todos. E o Sínodo nos reforça essa necessidade de escuta.

Com o jovem não é diferente, Pe. Ailton explica que a escuta é fundamental neste acolhimento e aproximação dos jovens.

“Acho que o caminho sinodal também se dá com os jovens, no sentido de ter por primeiro uma escuta, muito antes de trazer coisas prontas. A sinodalidade com jovens passa por escutá-los. E esse caminhar já é sinodal. Lembrando aqui os discípulos de Emaús, Jesus que se aproxima, que começa a caminhar e na caminhada vai esclarecendo os discípulos de Emaús. Com os jovens também o esclarecimento vem na caminhada, Mas é preciso caminhar junto, estar junto, se fazer com eles.”

Os desafios em trazer o jovem para a Igreja

No documento final do Sínodo, também fala sobre a missão da Igreja com a juventude: “não se trata de criar uma nova Igreja para os jovens, mas sim de redescobrir com eles a juventude da Igreja, abrindo-nos à graça dum novo Pentecostes.” (Documento final do Sínodo, 60)

Quando falamos de tornar a Igreja um espaço para o jovem, não estamos falando de mudar doutrinas para que o jovem se interesse, pelo contrário, é preciso fazer com que o jovem entenda que a Palavra de Deus é atemporal.

“A gente como Igreja tem uma mensagem muito bonita, muito atual. O nosso desafio é conseguir sentar, conversar com jovens e mostrar para eles que aquilo que nós ensinamos e caminhamos há mais de dois mil anos ainda se comunica com eles, ainda faz sentido no século XXI. [...] Então, eu acho que o desafio aqui é a busca por tentar se comunicar com jovens, porque quando a gente consegue, e aqui eu volto novamente pra Dom Bosco, quando a gente consegue achar aquela nota que toca no coração do jovem, a gente consegue ter mais perto da gente aqui na Igreja”, explicou o padre.

Ele também reforçou a importância do acompanhamento do jovem que chega na Igreja, porque não basta chama-lo, é necessário acompanhá-lo nesse caminho.

“Eu acho que quando a gente pensa em trabalho com jovens nesse período da história, a palavra que deve marcar é escuta e acompanhamento. Por isso, o trabalho pastoral é também um trabalho de acompanhamento. A ideia do pastoreio, do bom pastor, ela precisa se manifestar de forma concreta. E esse acompanhamento, essa escuta, ela se dá numa disponibilidade. Então a gente precisa se fazer disponível para os jovens.”

E completou:

“A gente precisa ser uma pessoa que o jovem não tenha medo de se aproximar, que ele tenha uma certa liberdade para poder conversar. E assim, depois que a gente ganha a confiança dos jovens, a gente ganhou ele para Deus. A gente ganhou ele para Cristo. Mas escutar e acompanhar são palavras fortíssimas nesse tempo nosso da Igreja.”


:: Percorra também esse caminho sinodal, conhecendo mais ações da Igreja em A12.com/sinodalidade

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