Por Vinícius Paula Figueira Em Igreja Atualizada em 22 MAI 2018 - 09H22

A Teologia do Abraço

Por Vinícius Figueira e Fernanda Venturim Vantil

É comum nos tempos de hoje encontrarmos pessoas carentes, aflitas, depressivas, em pânico, estressadas. Fala-se que a sociedade moderna se preocupou muito mais em fabricar máquinas do que humanos, mais mecânica do que espiritualidade, mais lucro do que o essencial. Em meio a esse menu de sintomas patológicos e febris, notabilizamos a ausência de um gesto: o do abraço.

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Já parou para pensar que dificilmente uma pessoa te abraça? Há quem se contenta com um “tudo bem?”, outros com um “oi” e não passa disso. Já pensou se com todas as pessoas que encontrássemos tivéssemos a bondade de cumprimentá-la com um abraço ou, se preferir, um amasso?

No contexto bíblico, o abraço significa misericórdia. Vale recordar aqui o abraço do Pai no filho pródigo. As mazelas, as decepções, os pecados, a arrogância, a precariedade, a soberba, se dissolveu no abraço do Pai misericordioso.

Não tenho dúvida de que aquele sujeito sem nome (pode ser eu ou você) que pegou a parte da herança e partiu para o mundo, contemplou a verdade interpretada por Martha Medeiros: “Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve”. O abraço esmagante do Pai devolveu a aquele filho desgraçado o dom da vida, da eternidade.

O abraço, segundo alguns especialistas, faz bem para a saúde psíquica e física. Ele tem o poder de aumentar os níveis de uma substância chamada oxitocina, que tem a particularidade de reduzir os estados de stress e ansiedade, aumentando a felicidade e o bem estar das pessoas. Pessoas com um nível elevado de oxitocina têm a probabilidade de desenvolverem um comportamento maior de ligação entre as pessoas. Você sabia disto?

 

O abraço, segundo alguns especialistas, faz bem para a saúde psíquica e física. 

Mário Quintana faz questão de aludir o abraço a um laço. Diz ele: “Meu Deus! Como é engraçado! Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas. Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço. É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço”.

Penso que nos tempos hodiernos nossos casais precisam se abraçar. Precisam encostar um coração no outro (Rita Apoena). Já imaginou acalmar os corações atribulados por uma discussão, encostando um coração no outro? Corações atribulados se entendem e se acalmam no compasso da vida, que se renova dento de um abraço.

Certa vez, havia um casal de idade mediana, locado nas dependências de uma Praça. Daí, viram quando ali estava uma menina, baixinha, com cabelos de fios dourados, muito pacífica. Passavam-se minutos e minutos, e ela ali persistia. Quando menos esperava, salta de um ônibus um menino com trajes de viajante, mochilas nas costas, e apressadamente se direciona até a menina. Em fração de segundos, um atracou o outro num abraço e ficaram por um bom tempo sem trocar palavras. Certamente fazia-se muito tempo que o casal de namorados não se encontrava.

 

Leia MaisDicas para praticar a virtude do silêncioO segredo para uma amizade verdadeiraO verdadeiro sentido da gratidão expresso na palavra “obrigado”"Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis” (Drummond)

O normal seria trocar belas saudações, nobres palavras, ricas frases, mas eles optaram pelo abraço. Pois o abraço permitia que eles se sentissem. Quando vemos uma sociedade (famílias, grupos, religiões) machucada, triste, sem rumo, sem esperança, nós podemos dizer que estamos vendo (e vivenciando) uma sociedade que perdeu a capacidade de se sentir. O poeta português Fernando Pessoa já dizia: “quem sente muito, cala; quem quer dizer quanto sente, fica sem alma nem fala, fica só, inteiramente”!

Já Drummond se atreve dizer que “se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis”.

Traduzindo: amar não é teoria, é sentir.  Abraçar é amar. Abraçar é discursar sem palavras. Abraçar é poder entrar no outro sem pisar no seu terreno. Abraçar é ser mais gente. Abraçar é uma forma de teologar... pois até Deus quis morar no abraço!

Escrito por
Vinicius Figueira - Colunista (Arquivo Pessoal)
Vinícius Paula Figueira

Jovem de 23 anos, crítico, apaixonado por escrever, a ponto de escolher e se graduar em comunicação social pela Rede Kroton. Moro em Iconha, Espírito Santo, onde atuo como Coordenador Paroquial da Comunicação (PASCOM), e trabalho com Publicidade e Propaganda.

8 Comentários

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Arnaldo PSil comentou:

Muito excelente esse texto!! Costumo,já um bom tempo, quando conheço ou encontro alguém,cumprimentar com um aperto de mão. Desse bom tempo até aos dias de hoje tenho sentido sempre um enorme desejo de dizer para as pessoas que encontro ou passo a conhecer: "apertar a mão é fácil: de político, de um policial, de um recém conhecido, agora quero ver se tem coragem para me ABRAÇAR.
Quando se conhece alguém é comum o aperto de mão, o incrível, substancial e inesperado é a importância de um ABRAÇO.

jonnan gregorio da silva comentou:

Concordo plenamente com esse estudo (artigo) sobre o abraco,

Rodnei da Silva comentou:

Eu não sabia o valor de um abraço e muitas vezes eu pedia para pessoa se eu podia dar um abraço a ela.
Obrigado por esta informação e que DEUS nos abençoe com o seu abraço.

maria aparecida lopes comentou:

Texto lindo, enriquecido por poetas, pela vida de cada um de voces. Abraço é muito bom, em qualquer relacionamento entre as pessoas, em qualquer idade. Amei!!! E pra voces.... um grande abraço!!

Maria Cabral comentou:

Terminei de ler chorando,sinto muito falta de ser abraçada. O arrependimento de não ter criado dentro da minha família a pedagogia do abraço. Sou muito carente de abraço, principalmente dentro de casa.

Fátima comentou:

Eu não fui criada ou acostumada em abraço minha avó minha mae falavam que era pecado e pegava doença.mas no final da vida de minha mae eu tinha que abraçar ela para levantar da cama pois ela não tinha forças para levantar da cama.

Teresinha comentou:

Lindo. Realmente ...quase não se usa mais o ABRAÇO. Mas um abraço é tudo de bom. È solidariedade, amizade, saudade, amor, carinho é gostar daquela pessoa que estamos abraçando....amei .!

Socorro Lemos comentou:

Um abraço! Sim toca a alma, acalma a dor, diminui a saudade, aquece o coração. Palavras nem sempre dizem o que precisamos ouvir, mas um abraço nos tira o desamparo e nos aproxima de de Deus. Hoje evangelizo acolhendo e ao escutar o Senhor coloca no meu coração "esse filho necessita do meu abraço"! Minha conversão iniciou a partir de um abraço. Deus abençoe a cada um que se dispõe a abraçar o outro vendo nele o próprio Cristo! SL

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