Espiritualidade

O que Santa Clara ensina sobre o tempo de tela?

Santa Clara inspira uma reflexão atual sobre o tempo de tela e mostra como a fé pode transformar nossa relação com a tecnologia.

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Escrito por Beatriz Nery

07 AGO 2026 - 16H20

bernardbodo/Adobe Stock e atualização com ChatGPT

Em um dia comum, basta olhar ao redor para perceber como as telas fazem parte da rotina. O celular desperta pela manhã, acompanha o trabalho, aparece durante as refeições e encerra o dia com vídeos, séries ou redes sociais. A tecnologia aproxima pessoas e facilita o acesso à informação, mas também levanta uma pergunta: existe espaço para o silêncio em meio a tantas notificações?

Na memória litúrgica de Santa Clara de Assis, celebrada em 11 de agosto, essa reflexão ganha um significado especial. Conhecida como padroeira da televisão, a santa viveu no século XIII, muito antes da invenção das telas. Ainda assim, sua história inspira uma forma mais consciente de lidar com o mundo digital.

Por que Santa Clara é a padroeira da televisão?

O título pode parecer curioso à primeira vista. A explicação está ligada a um episódio narrado pela tradição franciscana.

Já debilitada pela doença, no Natal de 1253, um ano antes de sua morte, Santa Clara desejava muito participar da Santa Missa na igreja de São Francisco, mas não tinha condições físicas para sair. Segundo os relatos, ela acompanhou toda a celebração de forma milagrosa, como se estivesse presente. A experiência incluiu a Liturgia da Palavra e os demais momentos da celebração.

Séculos depois, em 1958, o Papa Pio XII proclamou Santa Clara padroeira da televisão, por meio do documento Clarius explendescit. A decisão reconheceu a relação entre esse episódio e a capacidade dos meios de comunicação de levar imagens e sons a quem está distante.

Hoje, o título também recorda o potencial da comunicação para aproximar pessoas, transmitir a fé e alcançar quem não pode estar fisicamente presente em uma igreja.

Uma santa que escolheu o essencial

Antes de se tornar fundadora da Ordem das Clarissas, Clara pertencia a uma família nobre de Assis. Ainda jovem, decidiu deixar os privilégios para viver uma vida de pobreza, oração e serviço a Deus.

Essa escolha aconteceu depois de conhecer a pregação de São Francisco de Assis. O testemunho de Francisco marcou profundamente a jovem, que enxergou naquele estilo de vida um caminho para viver o Evangelho de forma radical.

Francisco chamava seus irmãos a abandonar o excesso para buscar aquilo que realmente permanecia. Clara levou esse ideal para dentro da vida contemplativa. Enquanto ele anunciava o Evangelho pelas estradas, ela sustentava essa missão pela oração e pelo silêncio.

Os dois viveram em vocações diferentes, mas compartilhavam o mesmo objetivo: manter o coração livre para Deus.

Reprodução AI Reprodução AI

O que essa história tem a ver com o tempo de tela?

A realidade do século XIII era completamente diferente da atual. Mesmo assim, alguns desafios continuam presentes.

Hoje, o excesso de estímulos compete pela atenção. Vídeos curtos, mensagens instantâneas e atualizações constantes ocupam parte significativa do dia. Em muitos casos, o tempo diante das telas reduz momentos de descanso, convivência e oração.

Santa Clara não viveu esse cenário, mas sua espiritualidade oferece princípios que continuam atuais. Sua vida revela a importância do recolhimento, da escuta e da capacidade de direcionar o olhar para aquilo que realmente importa.

Essa perspectiva não sugere que exista uma rejeição radical à tecnologia, pelo contrário. A Igreja reconhece que os meios de comunicação podem servir à evangelização, à formação e à comunhão entre os fiéis.

E mais: Os ensinamentos de Santa Clara para a vida moderna

As telas também podem aproximar da fé

A própria história de Santa Clara ajuda a compreender esse aspecto.

Hoje, milhares de pessoas acompanham missas pela televisão, pelo computador ou pelo celular, principalmente as transmitidas pelo Santuário Nacional. Esse recurso beneficia idosos, enfermos, pessoas com mobilidade reduzida e fiéis que vivem em regiões onde o acesso às celebrações é limitado e que procuram trazer a Mãe Aparecida para seus lares.

Além das transmissões, facilitadores de acesso à Bíblia, liturgia diária e conteúdos como o Aplicativo Aparecida fazem parte da experiência de muitos cristãos.

Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser apenas entretenimento e passa a ser um instrumento para fortalecer a fé.

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Gustavo Cabral Gustavo Cabral

O silêncio continua necessário

Apesar das possibilidades oferecidas pelas telas, Santa Clara recorda outro elemento essencial da vida cristã: o silêncio.

Grande parte da sua rotina era dedicada à oração, à contemplação e à escuta de Deus. Esses momentos ajudavam a discernir as escolhas e fortalecer a vida interior.

Atualmente, especialistas em comportamento digital apontam que o excesso de estímulos pode dificultar a concentração e aumentar a sensação de cansaço mental. Reservar períodos sem notificações ou interrupções favorece o descanso e também cria espaço para a oração.

Nesse ponto, a experiência de Santa Clara permanece atual. Sua vida mostra que o silêncio não representa ausência de atividade, mas uma oportunidade de encontrar sentido em meio às muitas vozes do cotidiano.

O exemplo de Francisco e Clara para o mundo conectado

São Francisco e Santa Clara nunca conheceram celulares, computadores ou plataformas de streaming. Ainda assim, deixaram um ensinamento que atravessa os séculos.

Ambos escolheram uma vida centrada em Cristo. As decisões que tomavam passavam pelo discernimento e pela busca do essencial. Esse princípio também pode orientar quem vive conectado durante grande parte do dia.

Antes de abrir um aplicativo, assistir a mais um vídeo ou responder a uma nova notificação, vale perguntar: esse conteúdo contribui para o meu crescimento humano e espiritual? Ou apenas ocupa tempo e atenção?

A resposta será diferente para cada pessoa. O convite deixado por Santa Clara, porém, continua o mesmo: cuidar do coração para que nenhuma distração ocupe o lugar reservado a Deus.

Leia mais: As redes sociais e a evangelização

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