Por Redação A12 Em Redentoristas

Dom Darci: A experiência de ser bispo redentorista

 Entrevista com Dom Darci Nicioli, bispo de auxiliar de Aparecida, no Brasil, nomeado por Bento XVI em 14 de novembro de 2012. Ele escolheu como lema: 'Que a Tua luz brilhe!'.

 Realizada pelo Boletim Redentorista Scala

 

Como o senhor vive os primeiros meses como bispo?
Eu tive o privilegio de permanecer como bispo numa Igreja onde eu já estava inserido. Eu fui para Aparecida com 13 anos de idade. Vivi muito tempo da minha vida naquele lugar. É bem verdade, depois de padre, fui transferido para outros lugares, com outras missões, inclusive até para fora do país, mas a maior parte do meu ministério sacerdotal, eu vivi em Aparecida, servindo a Igreja no Brasil, naquela Igreja Particular de Aparecida, como missionário redentorista. Claro que agora é diferente por eu ser bispo, mesmo porque a expectativa das pessoas é outra. Tanto dos confrades, como também do povo, em geral. E uma coisa nova que eu noto e que destaco é a de viver sozinho. É um aprendizado. Depois de um dia de trabalho, por exemplo, havia a vida da comunidade para organizar. Agora, eu volto para casa e estou sozinho. Passei a descobrir um tempo novo para rezar. 

O que se poderia falar do que é a missão de um bispo auxiliar?
Para entender: eu sou o bispo titular de Fico, na Argeria. É um costume da Igreja. Uma Igreja Particular que não está mais em atividade é entregue a um bispo que não tem, diretamente, uma Igreja para governar. Agora, no concreto, eu estou ali, ao lado do Cardeal arcebispo de Aparecida, dom Damasceno, naquilo que ele precisa. Eu sou bispo auxiliar dele. E, como ele é presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e tem muitos compromissos fora da arquidiocese, e, por isso, posso auxiliá-lo. Dom Damasceno, conforme o Direito Canônico, nomeou-me Vigário Geral. É outro aprendizado. Dom Damasceno me ensina muito.

Como o senhor pode continuar a ser redentorista depois da nomeação episcopal?
É certo que sob o aspecto canônico, eu não sou mais redentorista por não ter mais voz passiva e ativa na Congregação, mas eu não deixo de ser redentorista porque isto está enfronhado, está dentro de mim. É o jeito de ser ministro, o jeito de ser Igreja que é o jeito redentorista. Então, agora, eu sou um bispo redentorista e não há dúvida com respeito a isso. Eu tenho ainda um outro privilégio: tenho um púlpito maravilhoso que é o Santuário de Aparecida. E nós, redentoristas, temos como missão a pregação explícita da Palavra de Deus. Eu procuro e não renuncio, de maneira alguma, fazer uma pregação, pregar um retiro, pregar uma novena, uma festa. Eu estou sempre disponível porque entendo que é o jeito de ser redentorista. Portanto, como bispo, continuo no anúncio da Palavra de Deus bem do nosso jeito: anunciar Jesus Cristo como Deus misericordioso, como Deus bondade, como Deus parceiro de todo homem na sua história. É isto que eu faço como bispo redentorista. E, depois, Santo Afonso foi um grande devoto de Nossa Senhora. Mais um privilégio meu: estou em Aparecida para anunciar a bondade de Deus pelas mãos carinhosas de nossa Senhora Aparecida, não somente no Santuário, mas através dos meios de comunicação para todo o Brasil. E um detalhe importante: Santo Afonso foi bispo também. E foi um bispo muito próximo do povo. Um missionário em sua essência. Então, eu procuro ser um bispo missionário, disponível para o povo.

 

"O Ano Vocacional está aí e é um desafio maior é para aqueles que já fizeram a sua primeira profissão, para aqueles que já são redentoristas".

Uma palavra do senhor sobre o Ano para a Promoção da Vocação Missionária Redentorista.
Quero falar sobre um sonho meu. Eu vejo que temos todos os instrumentos para propor a beleza do ser redentorista e a grandiosidade de nossa missão alfonsiana. E vejo que, muitas vezes, não utilizamos desses instrumentos. Há um sonho que tenho coração: investir mais naqueles que estão onde, um tempo, chamávamos de Seminário Menor. Eu estou convencido de que não podemos esperar os meninos na idade mais madura. O mundo mudou e, em muitos ambientes familiares, chega a ser difícil cultivar a vocação. Infelizmente, é assim a dinâmica do mundo hoje. É preciso trazer esses rapazes para o Seminário e ajuda-los a discernir a vontade de Deus. Acompanhá-los no crescimento intelectual, afetivo, espiritual. E nós não estamos fazendo isso com competência. Isso me provoca há muito tempo. Fui formador por dez anos. Essa situação sempre foi, para mim, um desafio. Nós temos uma proposta maravilhosa, convidativa e atualíssima para a Igreja de hoje. Eu tenho absoluta certeza: essa proposta feita de um modo especial, todo jovem iria se enamorar. E nós estamos perdendo muitos jovens por dois motivos: primeiro, por não convidar ou por não convidar de modo encantado e segundo, se eles se aproximam, não cuidamos do melhor modo. É preciso cuidar melhor dos nossos jovens.

O Ano Vocacional está aí e é um desafio maior é para aqueles que já fizeram a sua primeira profissão, para aqueles que já são redentoristas. O maior desafio é para nós. Quando o encanto e força saírem do nosso coração, poderemos espelhar naqueles que ainda não descobriram a beleza de ser redentorista.

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