Por Ana Alice Matiello Em Artigos

A realização da Vida Eterna: “por isso meu coração se alegra, sinto uma alegria íntima!”

maria visita isabel

Com a queda o homem inclina o seu desejo para o que é finito e corruptível em detrimento do seu fundamento eterno e infinito: “Assim, o homem foi expulso do paraíso para este mundo, passando dos bens eternos aos bens temporais, da abundância à miséria, da estabilidade à fraqueza”. (Santo Agostinho). A má relação entre o eterno e o temporal se expressa, na condição humana, pelo anseio mais profundo de se obter a vida eterna. Podemos entender vida eterna no desejo da continuidade material de um povo; no desejo imaterial da vida além-mundo; ou na paradoxalidade de que a vida eterna é o aqui e o agora. Com o advento do Cristianismo, a plenitude dos tempos simboliza exatamente a entrada do Eterno-no-tempo. A temporalidade agora é resignificada em uma única pessoa – Cristo absolutamente homem e absolutamente Deus. Nele está a aliança perfeita e plena, por isso o ritual dos sacrifícios já não é mais exigido, “já não é necessária a oferta pelo pecado” (Hb 10, 14), pois é o próprio Deus que se oferece em sacrifício. A morte pelo pecado é a corrupção da carne esvaziada do espírito de Deus, mas o mistério da Encarnação realiza a possibilidade de restaurar (em definitivo) o corpo finito e mutável através da comunhão do Amor Eterno e Imutável no mundo.

 

Compreender a salvação da vida humana, não apenas por eleição ou mérito, mas simplesmente por graça abundante de vida e misericórdia, foi o que Maria compreendeu.

Compreender a salvação da vida humana, não apenas por eleição ou mérito, mas simplesmente por graça abundante de vida e misericórdia, foi o que Maria compreendeu. A primeira notícia que Deus nos dá do seu projeto de amor e vida eterna está no diálogo da Anunciação. Deus escolhe para a glória da humanidade a serva humilde. Maria exulta de alegria ao chamado de Deus “Minha alma proclama a grandeza do Senhor, meu espírito festeja a Deus, meu Salvador” (Lc 1,46-47). E nós cantamos o Salmo 15,9:“Por isso meu coração se alegra, sinto uma alegria íntima”. Essa alegria é gerada nos corações que sentem o peso do sopro da finitude, mas que descobrem que a vida eterna está...acontecendo...

A segunda vinda do Messias não está separada dessa compreensão, pois o Jesus Majestoso é o Jesus Servo humilde. Sua justiça é a radicalidade do Amor. As trevas estão nos corações que hoje, neste instante, deixam de servir, amar e comprometer-se com Deus e com o próximo. Que Maria revestida do sol da justiça nos ilumine hoje para que no dia em que “o sol escurecerá, a lua não irradiará seu esplendor, as estrelas cairão do céu e os exércitos celestes tremerão” (Mc 13,24) estejamos já sob seu manto em alegria íntima.

 

Ana Alice Matiello
Associada à Academia Marial de Aparecida

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