Por Pe. Antonio Clayton Sant'Anna, CSsR Em Artigos

Festa de Nossa Senhora Aparecida

                                   6º Dia da Novena Solene - Thiago Leon- Festa da Padroeira 2016

O clima é de festa já na véspera do dia da Padroeira do Brasil venerada com o título mariano de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Na pequenina imagem há quase 300 anos encontrada pelos três pescadores aqui no rio Paraíba, em 1717, veneramos Maria de Nazaré, a mãe de Jesus. Venerando-a meditamos em todo o significado bíblico-salvífico da participação dela na Redenção do Filho. Sua imagem nos sorri no objeto simbólico que atrai os olhares devotos e catalisa as preces, as emoções e os louvores dos fiéis. Na imagem: imaginamos a pessoa bendita da Virgem Maria na glória do céu, ao lado do Filho no seio da Trindade Santa.

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Inundada pela graça de Deus, consciente de estar plenamente a seu serviço ao aceitar a misteriosa encarnação do Verbo em seu seio, a Virgem Maria foi ajudar sua prima Isabel que morava nas montanhas da Judéia. Há seis meses que Isabel idosa e antes estéril estava grávida de João Batista. Maria transportando em suas entranhas o embrião de Jesus que nela ia tomando forma humana, certamente ia tentando compreender tudo o que o poder de Deus fazia por meio dela e já fizera em benefício do seu povo eleito e que a partir do seu Jesus seria o povo da nova aliança. Por isso Maria proclama um hino de ação de graças. É o “cântico de Maria”, em Lucas. É o Magnificat. Ela se diz bem-aventurada ao ser portadora da Boa Notícia que libertará os oprimidos e excluídos da sociedade. “todas as gerações me chamarão bem-aventurada”!

No cântico do Magnificat, em São Lucas, Maria se diz bem-aventurada porque nela e por ela Deus exaltou os humildes, saciou os famintos e cumpriu as promessas em favor do seu povo. De fato o Magnificat não é só um texto bíblico isolado, ou um fato banal. Maria aparece nele como representante da Igreja, o novo povo libertado e formado em Jesus. A Igreja, no seu mistério, reúne os que vivem a experiência da libertação realizada pelo Senhor da vida e da história. Principalmente em favor dos oprimidos e humilhados, pois eles mais facilmente sabem confiar em Deus e viver o seu amor, mantendo-se à espera do futuro novo, da mudança para melhor em qualquer situação aflita.

 

 Aqui em Aparecida o Santuário fica aberto à noite para acolher os peregrinos que vão chegando e se somando, aos milhares. É uma noite de vigília em orações e celebrações.

Em inúmeras cidades, matrizes, capelas pelo Brasil afora celebra-se a festa da alegria de Maria. A sua bem-aventurança de primeira discípula nos contamina e nos impele ao amor a Jesus Cristo. Aqui em Aparecida o Santuário fica aberto à noite para acolher os peregrinos que vão chegando e se somando, aos milhares. É uma noite de vigília em orações e celebrações. A alegria se derrama por toda a parte e ilumina faces e olhos dos romeiros. Parecem repetir o salmista: “Irei ao altar de Deus, ao Deus que é minha alegria e meu júbilo...” (Salmo 43,4).

Fora de Aparecida, tida como capital da fé, a novena e a festa de Nossa Senhora faz vibrar milhões devotos em centenas, senão milhares de paróquias e comunidades cristãs. Nosso povo em maioria esmagadora reconhece o título de “padroeira” atribuído a Maria de Nazaré invocada, venerada e louvada como Mãe e Senhora Aparecida.      

Como cidadãos, discípulos de Jesus e devotos de sua Mãe nós nos sentimos felizes e esperançosos. Pertencemos a uma Igreja jamais silenciosa diante das injustiças que penalizam os que sofrem. Nós não somos uma Igreja fechada em si mesma. Ou que instrumentaliza a mensagem religiosa para obter vantagens políticas ou financeiras. Hoje existem esse tipo de igrejas. Seitas que se fecham no culto e não têm preocupações sociais maiores. Oferecem consolo e apoio religioso só nas emoções do culto. Nunca mobilizam os fiéis contra a corrupção e a impunidade política dominante. Reforçam o individualismo religioso: eu e Deus! Se o crente for generoso nas ofertas com certeza vai melhorar de vida, vai parar de sofrer...

A devoção à Maria e libertadora e transformadora! Em todos os lugares e tempos proclama a Palavra viva do Magnificat e das Bem aventuranças. A própria história do achado da imagem de Nossa Senhora Aparecida no rio Paraíba por três humildes pescadores no ano de 1717, é uma resposta divina à situação histórica da escravidão negra e índia no Brasil-Império. A cor negra da imagem é um sinal da ação de um Deus solidário com filhos e filhas oprimidos. Escravos negros acorrentados transitavam pelo Vale do Paraíba conduzidos ao trabalho forçado nas minas de ouro de Minas Gerais e no próprio vale.

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A imagem de barro veio das águas de um modo desconcertante e trouxe vida abundante enchendo de peixes as redes dos pescadores pobres. O fato nos lembra do episódio bíblico do Êxodo. Aí a água foi sinal de libertação e vida para os oprimidos e de perdição para os opressores do povo do Senhor Deus. Na sua imagem Maria está de mãos postas, em gestos de oração. No Santuário e nos inumeráveis locais do País, a novena e a festa à Mãe Aparecida é peregrinação de fé até o altar de Jesus. A mãe nos leva ao Filho!

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