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Romarias e a espiritualidade da peregrinação

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Pe. Clayton - Arquivo Pessoal

Escrito por Pe. Clayton Sant'Anna, C.Ss.R.

01 OUT 2014 - 00H00 (Atualizada em 02 SET 2026 - 10H36)

O mês de outubro traz numerosas romarias ao Santuário de Aparecida. Fala-se em “turismo religioso”.

A reflexão teológica e a prática pastoral eclesial se preocupam em purificar a religiosidade popular, eivada de coisas nada devocionais, como feiras, exploração comercial, diversões etc. Em si, a romaria é fenômeno religioso universal em todas as grandes religiões.

Há vestígios de peregrinações anteriores à cultura bíblica judaica. Desde o chamado de Deus a Abraão: “Sai de tua terra, de tua família… e vai para a terra que te mostrarei” (Gn 12,1), seus descendentes provaram a dureza da caminhada nômade pelo deserto e amargaram a vida escrava no Egito.

Selaram a Aliança com Deus na peregrinação da liberdade rumo à Terra Prometida. Mas a infidelidade os conduziu à dispersão e opressão do exílio. No retorno, reconstruíram o Templo, sinal da unidade, cidadania e identidade como povo do Êxodo. Mais do que simples lugar de sacrifícios rituais, o Templo deveria representar a “romaria da vida” para Deus, segundo a Lei do Sinai.

Jesus, assim como Maria, José e os apóstolos, foi herdeiro das lembranças e tradições de sua história. Celebravam a Páscoa nas romarias anuais a Jerusalém. Em sua maneira de ser, falar e viver unido ao Pai, ele corrigiu desvios (purificou o Templo do comércio e abusos (João 2, 13-22), mostrou ao povo que a vida devia ser um êxodo, um caminho libertador, romaria contínua para o reinado de Deus. Por isso, apresentou o mistério de sua pessoa como lugar da verdadeira santidade, Templo real do culto ao Senhor.

Não limitado ao espaço, mas adorado em espírito e verdade, no seu corpo ressuscitado, ainda que o destruíssem os homens poderosos da Lei. De modo categórico, Jesus definiu-se como o horizonte absoluto da caminhada humana em todas as suas aspirações: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida! Ninguém chega ao Pai senão por mim.” (João, 14,6).

Precisamos recuperar sempre os enfoques bíblicos das romarias aos santuários. Em Aparecida, o Templo do Senhor não é a construção ou basílica, e sim a presença intangível do Cristo ressuscitado, a certeza de sua graça, a alegria do seu Evangelho. O sinal exterior desse mistério, o “chão sagrado” (Êxodo 3,5), (a sarça ardente) é a imagem veneranda da Mãe do Redentor, invocada como “Senhora Aparecida”.

Maria é Templo do Senhor: dócil ao sopro do Espírito, Ela acolheu o Verbo em seu seio, gerando-o com sua carne e sangue. Enquanto o embrião de Jesus tomava forma humana até o nascimento, Ela o carregou e o guardou como um tabernáculo ou sacrário. Substituiu e dignificou a função antiga da “Arca da Aliança” (Êxodo 25,17-22). Peregrinou às pressas até as montanhas em missão de caridade na gravidez da prima Isabel.

Que Ela nos abençoe e assista, a fim de sermos também peregrinos que saibam acolher e viver com amor a Palavra do Senhor.

Escrito por:
Pe. Clayton - Arquivo Pessoal
Pe. Clayton Sant'Anna, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Padre Antonio Clayton Santana foi diretor da Academia Marial de Aparecida entre 2010 e 2014.

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