Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 25 MAR 2019 - 17H26

A messe é grande: é o Reino já presente e ainda futuro


Reino

Mt 9, 36- 10,8- 11º DCA        

Celebrar o domingo é exercer o ofício sacerdotal do qual o batismo em Cristo nos revestiu. O batismo fez de nós um povo sacerdotal. “Um reino de sacerdotes, uma nação santa” (Êx 19,6). Celebramos a missa apoiados no sacerdócio de Jesus. É a sua mediação que faz do culto na comunidade um serviço de libertação de todos. Ele veio e vem ao encontro do povo “cansado e abatido como ovelha sem pastor” (Mt 9,36). Ao ser celebrado o ato cristão de culto afirma a fé num Deus amigo dos pobres, aliado dos excluídos, que são marginalizados dos bens da vida. Para quem se sente chamado discípulo por Jesus o endereço do culto, a motivação comunitária da fé nele é sempre realizar o Projeto de Deus, que ouve o clamor do povo sofrido e nos chama para fazer o mesmo, em seu nome.

 

Queremos nos libertar e ser libertadores e em oração nos abrimos à compaixão, a solidariedade de Jesus, ao seu chamado para estar a serviço da sua messe como atuais apóstolos do Reino dos céus.Digite seu texto aqui.

Jesus Cristo nos reconciliou e justificou por seu sangue (Rm 9,10). Por isso, quando nos unimos na sua oração (a missa) não somos individualistas, mas temos consciência da realidade de onde viemos e na qual vivemos. Rezamos preocupados com ela sabendo que é injusta, agressiva, marginalizante. Queremos nos libertar e ser libertadores e em oração nos abrimos à compaixão, a solidariedade de Jesus, ao seu chamado para estar a serviço da sua messe como atuais apóstolos do Reino dos céus. A celebração nos une, renova em nós a consciência da missão única: o trabalho na messe do Senhor. Preparar “sua colheita”. É a tarefa ou missão que dá sentido pleno à nossa vida! De nada valeriam todas as nossas atividades terrenas: a formação profissional, o trabalho diário, as relações sociais, sem ligar tudo à messe, ao Projeto de Deus.

 

Cruz

Nele podemos experimentar a liberdade dos filhos de Deus,
jamais escravos do dinheiro, do poder e do prazer.

O domingo deve ser dia libertador. Nele podemos experimentar a liberdade dos filhos de Deus, jamais escravos do dinheiro, do poder e do prazer. Jamais dominados pela ambição e posse de coisas, mesmo em tempo críticos. Em geral a competição impiedosa por coisas, bens serviços e vantagens nos oprime. Se vamos ao encontro das pessoas em nosso relacionamento social e de trabalho, levamos junto nossos interesses. O domingo vem e injeta em nosso viver uma carga da espiritualidade corrigindo comportamentos, decisões e infidelidades. Confronta nossa maneira de pensar e agir, com a de Jesus. O domingo quando vivido cristãmente não atende interesses materiais. Mas, relativiza o consumismo exagerado; freia o egoísmo, modera a ganância e traz estabilidade emocional à pessoa.

 

Quem vai à comunidade e participa da missa, reuniões e pastorais, informa-se dos projetos da Igreja. Não age por interesses comerciais ou políticos.

Quem vai à comunidade e participa da missa, reuniões e pastorais, informa-se dos projetos da Igreja. Não age por interesses comerciais ou políticos. Está ali, na Igreja ou na comunidade sem a expectativa de acumular bens ou garantir posse e uso de coisas. Está ali respirando a liberdade, a alegria de pertencer ao povo de Deus. De ser também sacerdote, sacerdotisa desse povo! Sente-se um trabalhador (a) convocado para a colheita do Reino de Deus, plantando mais justiça, respeito, paz, fraternidade na convivência com os demais.

Na proposta do 11º domingo do chamado Tempo comum no ano A, Mateus ensina a comunidade cristã a ver Jesus como o “mestre da justiça”. A justiça plena, sem acordos ditados por interesses. A justiça do Reino de Deus! Jesus não só a anunciou e praticou. Ele preparou e reuniu um povo justo, encarregado de mudar os esquemas sociais injustos. Por isso, Jesus reuniu primeiro os apóstolos e os enviou ao trabalho de evangelização. Ler: Mt 9, 36-10,8.

De um lado, o povo cansado, abatido, carente. De outro, a atitude compassiva e solidária de Jesus. Sentindo-se sozinho para aliviar as carências da multidão, Jesus quis agregar companheiros. Chamou os apóstolos. Com eles criou a Igreja confiando-lhe a missão de evangelizar, de oferecer aos mais necessitados as libertações trazidas pelo Reino de Deus. Reino de Deus no Evangelho significa e implica relações novas na convivência humana. Uma nova ordem social: fraternidade, justiça, partilha comum dos bens da vida!

 

Ovelha

Ovelha sem pastor é um modo de expressar o sofrimento da gente simples
nas mãos de governantes e autoridades insensíveis ás carências mais
elementares O povo brasileiro tem muito hoje de “ovelha sem pastor”.

Partindo da interpretação como os primeiros cristãos viveram a fé em Jesus, nós concluímos: tinham que ter uma atitude de compaixão com os pobres. Sentiam-se, pois, obrigados a contrariar todo o tipo de interesses que criavam injustiças sociais. Elas são fruto de lideranças negativas, de líderes exploradores. São eles que ocasionam“o cansaço, o abatimento do povo que parece ovelha sem pastor” (v.36). Ovelha sem pastor é um modo de expressar o sofrimento da gente simples nas mãos de governantes e autoridades insensíveis ás carências mais elementares O povo brasileiro tem muito hoje de “ovelha sem pastor”. Falta-lhe emprego, saúde pública, moradia digna enquanto se percebe vítima e clientela de agentes públicos ou populistas espertalhões. Há fome no País onde camadas de habitantes se sentem sugados por uma classe política na qual a honestidade é exceção e a regra é a corrupção.

 

Oração

A oração só será igual à de Jesus se for cheia de
compaixão e nos mobilizar pra o trabalho da messe
do Senhor no dia a dia. 

Na Igreja a missa não nos faz fugir da realidade. Não é só pra nos consolar! Aviva a consciência dos problemas sociais injustos que nos entristecem. A oração só será igual à de Jesus se for cheia de compaixão e nos mobilizar pra o trabalho da messe do Senhor no dia a dia. Se nos empenhar nas tarefas evangelizadoras da Igreja hoje também: assistir doentes, purificar o convívio social, libertar de todo tipo de mal, todo poder maligno. Que Maria, a mãe dos operários da messe, nos dê coragem e perseverança no compromisso com Jesus.                                                                                                   

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