Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 26 MAR 2019 - 13H14

O batismo no sangue do Cordeiro nos lavou do pecado!

                                          Batismo

No calendário cristão vivemos os domingos do chamado “tempo comum”. Esse tempo comum é formado por alguns domingos e semanas antes da Quaresma e depois de Pentecostes. Nele a Igreja não celebra nenhuma festa especial dos grandes mistérios da salvação. Na liturgia, no culto público apenas se revive o mistério da pessoa de Jesus Cristo, procurando formar em nós o “homem novo”, (a “mulher nova”), conforme sua doutrina, moral, e seu exemplo de vida.

 

Nós nos libertamos do estado de anti- salvação que é o pecado. Toda situação de pecado conspira contra nossa felicidade, porque nos escraviza de alguma forma. 

Cada domingo é importante como esforço constante de formação. É um marco semanal na caminhada pascal, isto é, libertadora. Nós nos libertamos do estado de anti- salvação que é o pecado. Toda situação de pecado conspira contra nossa felicidade, porque nos escraviza de alguma forma. Seja às más inclinações, seja às tentações do momento, seja às “ignorâncias” dos homens, erros, opiniões, ideias, modismos etc. Na unidade de tempo “sábado-domingo”, a pausa do trabalho, a maior convivência em família e o descanso nos dão a chance da formação espiritual. Revitalizam o progresso interior, aprofundam o conhecimento experimental do mistério de Jesus Cristo, nosso salvador. O domingo é a “pausa restauradora” na caminhada.

 

Luz de Deus

Luz de Deus

A comunidade cristã é colocada perante a “identidade de Jesus”: a sua verdadeira personalidade. Quem é ele? A primeira leitura, texto do profeta Isaías, fala um pouco sobre as dificuldades inerentes ao serviço de Deus e para o bem dos outros.  Ora, Jesus no seu perfil humano e religioso, apresentou-se como o servo de Deus, por excelência. Veio para fazer a vontade do Senhor. Sua Palavra foi rejeitada por que desagradou ao esquema dominante de poder. Condenado pelos homens esse foi, porém, o caminho de sua vitória final. A glória de Deus transpareceu e brilhou nele e o fez: a luz das nações.   

O evangelho apresenta-nos um testemunho de João Batista sobre a pessoa e o mistério de Jesus. Uma das fórmulas que sintetizavam a fé em Jesus lá, no começo da Igreja, era esta: Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Assim nossos irmãos no discipulado, os primeiros cristãos, formulavam a sua fé nele. Leia: João 1,29. 34.

 

Cordeiro

Ovelinha

Este trecho do Evangelho de São João documenta a pregação dos apóstolos, dezenas de anos após a morte de Jesus. Comparar Jesus com o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, era lembrar a passagem do profeta Isaías que por diversas vezes se referiu a missão de um “misterioso servo de Javé, que fazendo-se obediente e fiel a Ele foi rejeitado e perseguido. A palavra “cordeiro” em hebraico é usada como sinônimo, ou como comparação figurada em muitos casos. Ora é nome de pessoa como Raquel, por exemplo. Ora é nome carinhoso dado à uma criança, chamada de ovelhinha. Como aconteceu naquela ocasião em que Jesus ressuscitou a filha de Jairo. Marcos nos diz que Jesus “pegou a menina pela mão e disse: “Talita cumi – Levante-se” (Mc 5,41). Talita aqui significa: ovelhinha. 

 

 “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”

No texto em que João Batista aponta Jesus e diz: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29), os cristãos entenderam “cordeiro” como servo fiel, aquele servo sofredor de Isaías. Encarregado por Deus para uma tarefa especial. Tarefa descrita na 1ª leitura da missa deste domingo: “O Senhor me disse: Tu és meu servo, Israel, em quem serei glorificado... Eu te farei luz das nações para que minha salvação chegue até aos confins da terra” (Is 49,3-6).

 

Maria e Apostolos

Que ela nos repasse como mãe essa consciência do nosso batismo em Cristo. 

Portanto, o simbolismo da palavra cordeiro, entendido como servo sofredor de Javé, relembra facilmente o “cordeiro pascal”. A história do povo bíblico associava a libertação da escravidão ao sacrifício de um cordeiro imolado e comido em cada uma das famílias. Esse cordeiro foi chamado o cordeiro da páscoa, o cordeiro da libertação. Mais tarde, quando o povo já tinha suas leis e tradições, ele repetia o sacrifício pascal: a libertação da escravidão no Egito.

O evangelho joanino anuncia e identifica Jesus como o verdadeiro cordeiro pascal. Seu sangue derramado na cruz produz a maior libertação dos homens todos: a do pecado. A comunhão com Deus é possível, graças a Jesus, o salvador! No texto João Batista traça uma comparação entre ele próprio e Jesus. Só Jesus é o autor da santidade para todos nós, pois ele é o Filho de Deus que batiza com o Espírito Santo, não só com a água. João Batista, por duas vezes até, afirma: eu não o conhecia. Mesmo sendo primo de Jesus, João Batista só chegou a conhecer a natureza divina de Jesus depois. O texto nos fala de uma “investidura messiânica e pública de Jesus” quando ele solidário com os outros quis receber o rito penitencial do batismo ministrado pelo Batista. Aí houve a teofania da Trindade Santa: “Eu vi o Espírito descer, como uma pomba do céu, e permanecer sobre ele”. “Este é o Filho de Deus”.

Ver, no evangelho significa: conhecer. Não, porém, um conhecimento qualquer, superficial ou mesmo meramente informativo. É um conhecimento íntimo, adquirido pela experiência do outro. Esse conhecimento Maria o viveu antes de todos nós e de uma maneira própria só dela. Desde a concepção virginal de Jesus em seu seio por obra do Espírito Santo, até ser testemunha do sacrifício final dele como verdadeiro cordeiro pascal no Calvário. Que ela nos repasse como mãe essa consciência do nosso batismo em Cristo. 

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