Por Pe. Antonio Clayton Sant'Anna, CSsR Em Grão de Trigo Atualizada em 02 OUT 2017 - 12H47

O Espírito do Senhor inspira ações de misericórdia.

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Homilia  3º Domingo Tempo Comum - ANO C

Lucas, 1,1-4; + 4,14-21

 

Os povos da América Latina são incluídos no mundo em desenvolvimento. Esta maneira de falar disfarça o contexto de injustiças e escravidões e mascara a aspiração de justiça e libertação das camadas menos favorecidas. Nosso tempo é uma encruzilhada, onde a fé cristã aponta o rumo a seguir e nos faz discernir bem as situações, os valores e os problemas. A Igreja católica deve solidarizar-se com o povo empobrecido, vítima da corrupção política no Continente. Temos consciência que a fé cristã tem um papel decisivo para o futuro. O cristão bem formado é ouvinte fiel da Palavra do Senhor. Por ela fica esperto e adestrado para descobrir os caminhos de Deus nos projetos e decisões a tomar; nas dificuldades e lutas a travar por um mundo mais justo. O cristão autêntico será ouvinte dócil do Pai do céu na medida em que, pensando como Jesus as ideias, opiniões e problemas humanos, tiver atitudes de misericórdia com os outros.

O Evangelho desse 3º domingo comum, ano C, resume o projeto de vida que Jesus propõe a seus seguidores. Nas ações de Jesus estão as linhas concretas de vida e libertação que devem marcar uma evangelização impregnada de misericórdia. A nossa Igreja e cada um de nós somos desafiados a abrir os olhos e ver as misérias, as feridas de tantos irmãos e irmãs pedindo nossa ajuda e compaixão. (O Rosto da misericórdia, nº 15). Na “sinagoga” do mundo devemos reproduzir as atitudes solidárias de Jesus. Leia Lucas, 1,l-4; + 4,14-21.

O episódio na sinagoga de Nazaré é em Lucas o início da vida pública de Jesus. Ele age sob o influxo do Espírito Santo como pregador do Reino ou anunciando a Boa Nova. A primeira parte dessa leitura é a introdução do capítulo 1º na qual Lucas nos explica porque quis escrever, como escreveu e para quem escreveu o Evangelho. Antes ele pesquisou tudo o que a catequese das comunidades falava sobre Jesus. Recolheu todo o material. Organizou as informações, inclusive de pessoas que tinham convivido com Jesus. Feito esse estudo cuidadoso pôs tudo no papel: nasceu o Evangelho e os Atos dos Apóstolos. Aparentemente escritos para alguém chamado “Teófilo”. Quem seria? Uma pessoa determinada ou um leitor imaginário? A pergunta se faz porque o nome Teófilo é grego e significa: “amigo de Deus”. Pode ser alguém definido ou representar todos os seguidores de Jesus.

 

Em resumo ele viera: anunciar uma vida feliz para os pobres, e libertar os necessitados e os oprimidos.

Após essa introdução, o texto continua no capítulo 4,14-21. Relata o episódio que inicia o ministério público de Jesus. Foi num dia de sábado, na sinagoga de Nazaré, durante o culto da Palavra de Deus. Jesus leu uma passagem do profeta Isaías, 6,1-2. E logo aplicou aquele texto bíblico à sua vocação na vida. Ele afirmou: “Hoje se cumpriu essa passagem da Escritura que vocês acabaram de ouvir.” Era o mesmo que dizer: Jesus estava ali junto deles inaugurando o que o profeta Isaías predissera sobre o tempo de salvação prometido por Deus a seu povo. Ou seja, o Espírito de Deus consagrara e enviara Jesus em missão. Em resumo ele viera: anunciar uma vida feliz para os pobres, e libertar os necessitados e os oprimidos. Enfim, oferecer a todos, o ano da graça, ou o tempo especial dado por Deus, no qual todos poderiam renovar de modo radical a sua vida e suas relações de convivência.

O que o Evangelho quer nos dizer quando define a missão de Jesus como o “anúncio da boa nova aos pobres”? Seria apenas o consolo de acreditar que após a morte iremos para o céu? Não. A boa notícia que Jesus trouxe anuncia a certeza de um Deus solidário com nossas provações e pobreza. Esse Deus quer mais vida, mais liberdade, mais justiça agora mesmo no mundo. Mas o seu reinado vai acontecer se nós pusermos em prática o programa de vida de Jesus. Ou seja, se ajudarmos as pessoas a enxergar melhor a vida, os direitos e deveres de cada um. E se nossa fé não nos isolar na igreja ela produzirá atos concretos em favor da dignidade humana em todos. Que nós possamos experimentar de fato a esperança do evangelho por um novo tempo e uma vida mais digna, justa e solidária neste mundo. E que participando ativamente de sua comunidade cristã, possamos assumir a responsabilidade nas pastorais sociais, ou nos empreendimentos comunitários da paróquia.

Aplicação Mariana

Quando Jesus leu na sinagoga de Nazaré a profecia de Isaías, Ele afirmou: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura diante de vós”! Isto é, os sinais dos tempos messiânicos se realizavam nele, Jesus: “Evangelizar os pobres, anunciar aos cativos a libertação, aos cegos a recuperação da vista, pôr em liberdade os oprimidos e proclamar o ano jubilar da graça do Senhor!” O olhar do Senhor pousava sobre os mais necessitados, esquecidos, injustiçados, os confusos quanto a esperança e o sentido da vida.

Esse olhar divino pousou primeiro em Maria escolhida por Deus para ser a mãe do Verbo. Do ponto de vista do mundo pecador, ela era uma mulher insignificante, sem valor, sem poder. Deus dignificou-a em absoluto, fazendo-a mãe do seu Filho na carne. Sendo nosso irmão primogênito Jesus entregou-nos sua mãe para ser nossa mãe também e com seu poder interceder por nós no testemunho do discipulado. Maria, que confiou na vitória de Deus sobre o mundo, está conosco justamente nos momentos em que tudo nos parece dizer o contrário e o mundo tenta nos iludir que não temos valor, que a nossa luta é vã, que não tem sentido viver e sofrer pela justiça, quando poderíamos usufruir os benefícios e as vantagens desse mundo.

                                                                                              

 

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