Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 25 MAR 2019 - 17H21

Túmulo vazio e sudário dobrado: ver e crer!

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Páscoa - Ano C - Jo 20,1-9 

       A experiência decisiva da fé em Cristo segundo o Evangelho é a Páscoa. Esse foi o primeiro e continua sendo o mais fundamental anúncio cristão ao mundo: Jesus Cristo morreu e ressuscitou! Os apóstolos e os seguidores contemporâneos de Jesus participaram desta experiência sobrenatural e a anunciaram aos outros desde o início das comunidades cristãs. Nos Evangelhos as narrativas das aparições de Jesus ressuscitado não vêm da mera curiosidade sobre o fato e nem do simples dado histórico. Querem proclamar um ato de fé que é professar a ressurreição de Jesus como o sinal mais afirmativo da salvação de Deus para os homens. De todas as ações, de todos os atos salvíficos de Deus em nosso favor, esse é o máximo para a Bíblia. É o sinal mais irresistível e convidativo que leva as pessoas à fé em Cristo. Nele a vida venceu a morte! A graça divina superou o pecado! Em Jesus, a nossa natureza humana, antes sujeita ao pecado, à concupiscência, ao erro, foi libertada de modo radical. Foi resgatada e salva por Deus!

            A constatação histórica é sempre limitada. O que adiantaria alguém ter visto Jesus em seu corpo glorioso contar isso para os outros? Seria ouvido apenas como um “vidente”. Acreditar nele seria uma fé humana: fé na palavra de uma pessoa, mesmo que fosse um apóstolo! A fé própria da ressurreição vai muito além da constatação histórica. Ela não é a comprovação intelectual de um fato. É um dado sobrenatural. É uma experiência interior e compartilhada do projeto salvador de Deus, acontecido na pessoa e na missão de Jesus.

 

Entretanto o evangelho não vê a ressurreição de Jesus como um simples retorno à sua vida anterior. Embora ele tenha se mostrado, tenha sido visível nas aparências dessa condição, pois conversou, comeu e bebeu com os discípulos.

            Na ótica dos Evangelhos, a ressurreição do homem Jesus Cristo, é o “sinal”, o indício, a pista mais adequada para alguém abrir-se à fé, abraçá-la e compreendê-la. Entretanto o evangelho não vê a ressurreição de Jesus como um simples retorno à sua vida anterior. Embora ele tenha se mostrado, tenha sido visível nas aparências dessa condição, pois conversou, comeu e bebeu com os discípulos. Os apóstolos e discípulos tomaram consciência de que uma nova forma de vida invadira o corpo humano do Mestre e o fizera glorioso, isto é, libertado da forma material humana sujeita ao tempo e ao espaço. Logo, crer na ressurreição de Jesus, implicava e implica aceitar que seu corpo humano foi assumido dentro da realidade sobrenatural de Deus.

            A fé no Cristo ressuscitado, primeira fonte da Igreja, fundamenta sua presença evangelizante no mundo. Um túmulo sim, mas vazio! Esta é a expressão que sintetizou e marcou na convicção dos apóstolos e primeiros discípulos a fé em Cristo ressuscitado! Leia: João 20,1-9.

            É oportuno relembrar: mais do que simples narrativa histórica, temos aqui uma página de catequese e reflexão teológica. A própria palavra “túmulo” é palavra-chave, pois revela a intenção catequética de São João. Num trecho tão curto ele nomeia 7 vezes a palavra “túmulo”. E toda a cena concentra nossa atenção nisso: o túmulo de Jesus estava vazio! Convite a crer na ressurreição. Os discípulos não acreditaram de imediato, mas fizeram a experiência progressiva a respeito da nova condição de vida de Jesus.  Assim, o fato da morte e a ressurreição dele deu início a uma nova criação. Este é o sentido da informação: no primeiro dia da semana, que abre a narrativa. Refere-se ao domingo, mas na catequese de João refere-se também à Criação. Jesus ressuscitado deu origem a uma nova raça humana, um novo tempo. Em Jesus, Deus criou um “homem novo”, libertado do pecado de Adão, o homem velho.

            Outro dado catequético está na própria visita de Maria Madalena ao túmulo. Foi lá sozinha, ainda no escuro da madrugada. Ela não encontrou o corpo de Jesus. Em seguida procurou Pedro e o informou: o cadáver de Jesus fora tirado do túmulo. “Não sabemos onde colocaram” (v.2), disse ela que tinha ido sozinha e agora fala no plural. “Não sabemos”. Sem dúvida representa a comunidade cristã caminhando no escuro da fé. Ou seja, conviveu com Jesus e não percebe ainda o “sinal” da ressurreição. Não está consciente da vida nova dele porque não sabe procurá-la e, assim, não a encontra. João está dizendo ao leitor do texto: Quem não fizer a experiência da fé pascal, vai encontrar só um túmulo vazio, o lugar do fracasso e da morte.

            Depois da Madalena dois discípulos vão ao túmulo. Um deles é Pedro, o outro é anônimo e indicado como “o discípulo que Jesus amava” (vv2-3). Opina-se que refere-se a João evangelista. Mas simboliza todo o verdadeiro discípulo de Jesus se for identificado pelo amor. O amor dá ânimo, faz chegar antes à experiência íntima de Jesus e da sua vida nova. O amor dá forças, como assinala o texto: “O outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou antes ao túmulo’ (v.4)”. Mas, respeitoso e solícito o discípulo amado esperou Pedro chegar e aí os dois viram os panos fúnebres, o sudário, enfim: os “sinais” da nova realidade de Jesus. Viram e creram! É a lição maior do texto!

 

            A fé no Cristo ressuscitado é partilhada na convivência da comunidade, a Igreja, que faz seu anúncio ao mundo. Maria está na raiz dessa Igreja-mistério, tanto que é apontada como seu ícone. O sim dela ao “sinal” recebido do céu foi amadurecendo na expectativa da gravidez e durante a vida com Jesus. Por isso, seu exemplo de “Virgem que acreditou” foi o testemunho humano inigualável que levou os apóstolos a superar medo e dúvidas, crer e anunciar a vida nova de Jesus como nossa.

             O túmulo vazio de Jesus é a nossa maior esperança! Aleluia!

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