Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Homilias

Homilia 2º domingo comum - Ano B

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 João 1, 35-42    

O discipulado pressupõe entrar na intimidade de Jesus.

 Ninguém pode dispensar a mediação das pessoas no autoconhecimento, na auto realização e em todos os níveis de relacionamentos pessoais e sociais. Não só no vir ao mundo, mas o simples continuar vivo exige outros ao nosso lado. Basta pensar na reprodução humana. Não existe geração espontânea e nem homo afetiva.  Toda pessoa é gerada pela mediação misteriosa de um homem e uma mulher. Misteriosa sim: tanto biológica quanto psicologicamente. Cada um de nós é herdeiro simultâneo na biologia e na psicologia do pai e da mãe. A convivência na intimidade do amor, afetos e carinho compartilhados, completa e aperfeiçoa nos pais e filhos os laços de sangue e família. E vai reforçando a união necessária à pertença de cada membro da família nas dificuldades, trabalhos, sofrimentos e alegrias.  Enfim, impossível dispensar a mediação dos outros e isolar-se do seu convívio. Seria algo desumano. Por mais difícil que seja às vezes o conviver e aceitar os outros, tentar dispensá-los (ou substituí-los pela intimidade virtual) degradaria a própria auto estima e tornaria o mundo mais confuso.

Ora, também nas relações com Deus, na vivência da fé e da religião, precisamos de mediadores. Gente que passa para nós o testemunho de sua experiência espiritual, de sua intimidade com o divino. Até o próprio Deus se adaptou à nossa natureza ao se revelar em nós. Em Cristo se encarnou!  Comunicou-se conosco ligando-se a nós na carne, nos sentimentos, nas emoções, na inteligência, na vontade, no amor.  Em Cristo, a infinita realidade do divino se tornou “Deus conosco”. Vizinho, próximo, o Criador em comunhão com sua criatura. Nem Jesus dispensou a mediação da mulher-mãe, a mediação do pai adotivo na sua formação,  educação e crescimento. Como também precisou de auxiliares e testemunhas: João Batista, os apóstolos, a sua Igreja enfim. A Igreja católica nasceu de Jesus e do testemunho fiel de um pequeno grupo inicial de mediadores que viveram e anunciaram a fé nele, após conhece-lo e privar de sua intimidade.

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