Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Homilias

Homilia Batismo do Senhor Natal - Ano B

João Batista e o Batismo de Jesus

Jesus e o batismo de João: teofania messiânica!

 Mc. 1, 7-11      

O calendário católico finaliza hoje o tempo do Natal. A solenidade festiva do dia nos recorda a narrativa bíblica conhecida como “batismo de Jesus”.  É bom notar que os quatro evangelistas dão importância ao fato: João batizou Jesus. O perigo para o leitor desprevenido é interpretar isso de modo errôneo, imaginando que se trata do mesmo batismo recebido por nós. Não! O nosso foi sinal sacramental de uma profunda transformação espiritual interior que nos libertou da condição de pecado. Foi e continua sendo um projeto de vida real. Não foi um gesto simbólico, (como era o batismo dado por João), pois de fato mergulhou-nos na vida de Deus. Sem dúvida é oportuno nesses primeiros dias do novo ano cultivar a consciência viva do nosso próprio batismo em Cristo, fundamento irrenunciável da vocação cristã.

Ora, o batismo de João não era isso. Embora precursor do Messias prometido, o profeta não tinha o poder de comunicar a vida mesma de Deus a ninguém. João foi concebido em pecado como qualquer pessoa e herdou a culpa original. E é claro que Jesus, no mistério da união das naturezas divina e humana, jamais poderia nascer sujeito ao pecado. Nenhum tipo de batismo lhe era necessário!  O evangelho quer mostrar João submisso a Jesus. Havia, então, uma esperança coletiva generalizada e forte: a vinda do Messias. Quando ele viesse faria justiça aos pobres e restituiria a liberdade nacional ao povo. E João, por seu lado, anunciava um juízo de Deus. Era preciso preparar-se com atitudes de conversão. Abandonar orgulho, egoísmo e toda injustiça. “O machado já está encostado no pé das árvores; a que não produzir bom fruto será cortada e jogada no fogo” (Mt. 3,10). À pregação acrescentava-se um gesto público e simbólico de penitência: o mergulho na água. A participação de Jesus no rito batismal deu ao povo a chance de conhecer sua consagração messiânica e acolher sua missão libertadora.  O batismo joanino foi como que uma apresentação pública do Messias. Leia o episódio em: Marcos, 1, 7-11.

Apresentando-se para ser batizado como os outros, Jesus não estava confessando em público que era também pecador e precisava de se converter. Fazia-se, isto sim, solidário com todos os homens aos quais ele viera oferecer a plena comunhão de vida com Deus. “Aquele que não tinha experiência de pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2 Cor. 5,21). Ele nos possibilita um verdadeiro mergulho no sobrenatural e não apenas uma libertação política, social ou econômica. Nem só  esperança e conforto para pessoas sofridas. Por aí entendemos o aviso dado por João Batista: Eu só estou preparando vocês para o verdadeiro batismo! “Depois de mim virá quem é mais forte do que eu… Se batizei com água Ele vos batizará com o Espírito Santo!”. (Mc.1,7-8).

 

...uma voz celeste o declara Filho amado de Deus!

E a seguir o texto fala de uma teofania envolvendo a pessoa de Jesus: uma voz celeste o declara Filho amado de Deus! Teofania é a narrativa bíblica de uma intervenção especial de Deus num acontecimento ou numa pessoa. Quando Jesus se submeteu em público àquele rito penitencial do batismo dado por João, Deus sinalizou de algum modo o seu agrado e apoio à missão daquele que viera de Nazaré.  Se veio de Nazaré todos poderiam saber a origem familiar dele, mas sua origem divina seria conhecida e acessível apenas mediante a mudança interior total de entrega a Deus. A teofania sobre a identidade divina revelava ao povo a presença salvadora do Messias. Seu ministério oferecia a todos o caminho da fé aberto na vida nova do batismo sacramento da filiação divina.

Caminhando com Maria

Engravidada pela sombra do Espírito Maria foi a mulher peregrina na fé.  Se nossa regeneração batismal veio do sangue do Cordeiro inocente imolado na cruz selando a nova aliança da humanidade com Deus, era sangue-elemento biológico herdado de Maria. Dado por ela ao Filho antes mesmo de Ele conferir à Igreja o mandato de ensinar e batizar. Se o batismo nos mergulha na natureza divina, Maria não precisou ser lavada como nós na água sacramental, pois gerou a ‘cabeça da nova humanidade’.  Acima da maternidade biológica, a Virgem Maria (e unicamente ela) viveu de modo singular o encontro, o contato, a intimidade com o Messias e seu ministério libertador. É a primeira regenerada, a primeira batizada, a primeira cristã do povo santo e peregrino do Senhor.  Que ela nos ajude a assumir com garra o projeto batismal: a vida santa aos olhos do Pai!

uma voz celeste o declara Filho amado de Deus!
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