Por Carmen Novoa Silva Em Palavra do Associado Atualizada em 03 JAN 2018 - 09H08

Paz e Misericórdia

É costume na Espanha lembrar o dia 28 de Dezembro consagrado pelo cânon da Igreja Católica como dia dos Santos Inocentes. Aquelas crianças que em Belém segundo a bíblia, o rei Herodes mandou cortar em dois pela espada, aterrado com a ideia do recém-nascido da Manjedoura tomar-lhe o trono e assim cumprir-se a profecia de Isaías. Assassinando os meninos de menos de dois anos, por certo um deles seria aquele a quem os reis magos, vindos do Oriente, procuravam como Rei e Salvador. Esse dia atualmente é comemorado como o dia da Valorização da Infância. Como ser humano. Cuja virtude ainda intocável pela mão adulta é o da inocência e da verdade sem véus. 


No dia 28 de Dezembro é escolhida uma delas e oferecem-lhe prerrogativas de autoridade. Exemplificando: O prefeito de cada cidade oferta as chaves da região e faz com que a criança tome posse simbolicamente do cargo. Ela é selecionada por méritos no seu colégio. Investida da função, ordena e faz cumprir. Faz suas reclamações. Aponta falhas na administração. É o modo de evidenciar o crime histórico herodiano de que infantes eram despossuídos de valor. Penso logo que isso aqui em Manaus não daria certo. A primeira admoestação aos administradores públicos como, por exemplo, aos gastos exorbitantes com “superfluidades” logo surgiriam os acólitos para defender o excessivo gasto, a irresponsabilidade social, diante de uma parcela expressiva da população a viver em condição de miserabilidade tendo a dieta do lixo (cascas, ossos e restos) como sua realidade cotidiana.

Na época do Menino enquanto executava-se o infanticídio, a Família de José já estava na Faixa de Gaza (essa mesma ainda tão tumultuada nos dias de hoje). Gaza era território de Herodes por tanto ainda corriam perigo. E José atreveu-se a adentrar no deserto rumo ao Egito à noite. Ninguém ousava atravessá-lo às horas noturnas. Saiam sempre pela manhã em caravanas. Era seguro. Mas os três foram sozinhos. No deserto. Á noite. Como enfrentaram os perigos da areia, a sede encontrando pelo caminho – contam os historiadores – ossadas humanas e de animais mortos por esgotamento físico? Não canso de falar que Gaza continua herodiana. Como uma maldição transpondo os séculos a dizer: Aqui Deus-Menino não descansou em paz. Assim até hoje ali tudo é beligerante. A humanidade às vezes sente-se sozinha. No deserto. E à noite.


Por isso neste primeiro dia do ano considerando dia mundial da Paz e da mãe de Deus (e especificamente 2015 considerado pelo Papa Francisco, o Ano da Misericórdia), cada um de nós principalmente os manauenses fazem itinerário da paz. Ali encontramos o lugar certo para exilar nossas aflições e abrigar todas as esperanças de uma Manaus-cheia-de-graça. Este poema e mais uma súplica para a contemporaneidade utilizando as figuras bíblicas da Família de Nazaré. Intitulei-o de ITINERÁRIO DA PAZ. 

Falo: Mãe, que na fuga da fúria e espadas de Herodes, envolvido em panos,/ apertavas contra o peito e salvavas teu mundo! Se não for pedir muito, mãe! (quando a humanidade retorna à barbárie). Faz com José à frente,/ o itinerário da paz daquele Egito longínquo./ Com a segurança das mães benditas, envolve em tecidos de luz a angústia do mundo. Como se fora o Menino./ Aperta-o contra o peito. Dá-lhe como benção suprema,/ o exílio do território inexpugnável de teus braços...

Carmen Novoa Silva é Teológa e membro da Academia Amazonense de Letras e da Academia Marial de Aparecida - E-mail: novoasilva@yahoo.com.br

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