Afinal, qual seria a cara verdadeira do amor que usa tantas máscaras? Ou seria isso mesmo, fluido, volátil, inconstante, dependendo da direção dos ventos? São perguntas profundas porque tocam a essência de nós, humanos.
Basta viver um pouco para começar a perceber que o amor é essencial para nós. E que tem várias fases com caras diferentes, quando os impulsos se descontrolam, as emoções variam, os interesses se chocam, decepções assustam como fantasmas na juventude, e depois voltam com sabores amargos e persistentes na vida adulta.
É intrigante também ver que o amor e a violência têm pontos em comum. Alguns bem chocantes e tristes, como no suicídio de pessoas apaixonadas, e assassinatos passionais; outros em que o amor aparece como ciúme, controle; ou até num beijo que morde.
Afinal, qual seria a cara verdadeira do amor que usa tantas máscaras? Ou seria isso mesmo, fluido, volátil, inconstante, dependendo da direção dos ventos? São perguntas profundas porque tocam a essência de nós, humanos.
Os pontos em comum entre violência e amor estão escondidos no movimento de sair de si. A finalidade de quem sai aparece no para onde vai e o que quer fazer. Por isso a arte desenha o amor como flechas, no fundo enigmáticas, pois são como mísseis para o bem ou para ferir e dominar.
O Amor é missionário em gestos como mísseis do bem, e o núcleo central do Amor é uma iniciativa de querer o bem do outro; se não for, é mascarado.
Assim entendemos o mistério de Deus: “de tal modo amou o mundo que lhe enviou seu Filho” (Jo 3,16). Missionário do Pai, Ele veio com gestos muitos realistas em favor das pessoas necessitadas. Fala do Amor e seu Espírito como um fogo, “vim trazer fogo à Terra” (Lc 12,49) que agita, não deixa na espera, provoca iniciativa de fazer algo diante das necessidades básicas das pessoas, desde os nossos relacionamentos íntimos até os sociais.
E então é também político e social, como diz o Papa Francisco. Ajuda a quem passa necessidade, e corre atrás de apoiar a superação das causas sociais de nossos males. E o que sobra para a gente no Amor? Sobra tudo, pois superando o isolamento no “si mesmo” herdamos a felicidade plena como Deus é.
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