Revista de Aparecida

A misericórdia e o Dia Mundial dos Pobres

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Escrito por Pe. Márcio Fabri dos Anjos, C.Ss.R.

30 OUT 2026 - 08H00

Thiago Leon

A pobreza no mundo é persistente, mesmo com o enorme crescimento dos recursos mundiais. Os analistas colocam o Brasil em 5º lugar entre os países de maior desigualdade econômica no mundo. Entre nós, cerca de 10% mais ricos têm 60% das rendas, e 50% mais pobres têm só 9%. É como repartir 1.000 reais entre 100 pessoas, e 10 delas recebem 60 reais cada uma; 40 delas recebem 31; e 50 recebem só 9 cada uma. É difícil explicar essa desigualdade que depende muito da organização social. Mas o dia mundial dos Pobres veio mesmo para isso: acordar a consciência cristã sobre o ensino de Jesus (Mt cap. 25): que na carência dos pobres está o próprio Deus pedindo ajuda e socorro. Esse dia vem antes da festa de Cristo Rei, para dizer que o Reinado de Deus acontece quando a Justiça amorosa de Deus chega até às pessoas necessitadas.

Essa ajuda começa quando somos sensíveis diante do difícil que é ser pobre. A seguir vêm os gestos de assistências, uma espécie de “primeiros socorros”. Mas a ajuda radical exige buscar causas mais profundas, resgatar a autoestima dos pobres, curar as raízes sociais de onde nasce a pobreza. A esse ponto precisamos acordar nossa consciência social, ainda mais nesses tempos de individualismo digital. O Papa Francisco falava de “amor social”, isto é, levar a misericórdia ao ambiente social; criar projetos sociais em questões básicas como condições saudáveis para se viver, alimentar, educar suas crianças e jovens, ter participação digna na vida social.

A Igreja tem ótimas diretrizes em sua “Doutrina Social”. Vale serem estudadas para sermos criativos nos tempos de hoje. Muitas comunidades desenvolvem pastorais sociais tipo cestas básicas, brechós, apoio a gestantes e crianças carentes, pastoral de rua e semelhantes. Louvável também quando a comunidade consegue crescer na consciência sobre as causas sociais da pobreza, e as famílias levam essa consciência para a educação dos filhos, apoiando que escolas também o façam.

Verdade que poucos têm jeito para demandar políticas públicas. Mas ajuda se tirarmos da cabeça que os pobres sejam culpados de sua pobreza, e perceber que a busca de mudanças sociais desse tipo não têm nada de comunismo ou algo assim. Pelas ruas vale o olhar respeitoso, um gesto que mostre reconhecer a dignidade da pessoa pobre que nos vê. E no coração guarde a palavra de Jesus “Eu tive fome e me deste de comer...”

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