Revista de Aparecida

A Padroeira pelo Brasil

Conheça lugares dedicados à Nossa Senhora Aparecida espalhados pelo território nacional, símbolos de uma devoção que une o país ao redor da Virgem Maria

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Escrito por Revista de Aparecida

02 OUT 2026 - 08H01 (Atualizada em 02 OUT 2026 - 12H08)

Por Gustavo Marcelino, Matheus Azevedo e Victor Hugo Barros

Iniciada na família dos três pescadores, a devoção a Nossa Senhora Aparecida está presente, hoje, em todo o Brasil. O sinal concreto do amor dos brasileiros à sua Padroeira são as incontáveis Igrejas paroquiais e capelas a ela dedicadas nas diversas regiões do país. Muitas delas, desconhecidas do grande público.

Gustavo Marcelino Gustavo Marcelino Santuário do Cristo Redentor possui Capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida

Manto estendido sobre o Corcovado

O Santuário do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro (RJ), é um dos principais cartões-postais do Brasil. Sua robusta estrutura, de 38 metros de altura, abriga uma singela Capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida.

“É um lugar de oração, lugar de encontro com Deus. Temos o sacrário de forma permanente. Celebrações de batizados, casamentos, adorações, Angelus”, destaca o reitor do Santuário do Cristo, padre Omar Raposo.

Inaugurada em 12 de outubro de 1931, a estátua teve sua construção incentivada pelo então cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme, um dos responsáveis pela proclamação da Virgem Aparecida como Padroeira do Brasil, em 31 de maio do mesmo ano. A imagem de Nossa Senhora, até hoje presente no altar da Capela do Cristo, recorda essa ligação.

Gustavo Marcelino Gustavo Marcelino Capela de Nossa Senhora Aparecida, na base do Cristo Redentor

“Essa imagem fazia uma itinerância entre os turistas (...) e as pessoas ficavam admiradas: ‘Que Virgem Negra é essa? Quem é essa santa?’. E eu dizia: ‘É a Padroeira do Brasil’. Pessoas de diversas partes do mundo”, completa o padre.

A acolhida de quem passa pelo Cristo é missão também da irmã Ana Maria da Silva. Membro da Família dos Devotos, a religiosa trabalhou na implantação da Casa do Pequeno, em Aparecida (SP), obra social mantida pelo Santuário Nacional.

“Tem três anos que trabalho aqui (no Cristo) e a minha missão principal é acolher peregrinações, as pessoas no dia a dia e também dar um apoio na liturgia”, narra.

Gustavo Marcelino Gustavo Marcelino Santuário em Jaboticabal, construído após o milagre da Menina Cega

O milagre que deu origem a um Santuário

Foi uma peregrinação que mudou a história de uma menina cega e sua mãe, saídas de Jaboticabal (SP), em 1874. Durante três meses caminharam, para então avistarem juntas a Basílica Histórica, quando a criança passou a enxergar.

Assim que retornaram para a cidade, “foi feita uma capelinha de taipa de pilão e madeira, coberta de sapé”, conta o memorialista e professor, Antônio Pascoal André. O ex-voto em formato de templo originou uma capela maior no começo do século XX.

Contudo, o local ficou pequeno para tantos visitantes. Em 1944, começou a ser construída uma nova Igreja, elevada a Santuário, em 2017. O local é lembrança viva do milagre da Menina Cega e da fé em Nossa Senhora.

Gustavo Marcelino Gustavo Marcelino Registro de batismo de Gertrudes Vaz, mãe da Menina Cega de Jaboticabal

“Essa devoção, ela se propagou em toda a região a ponto de, em Jaboticabal, ter um Santuário (...) dedicado a Nossa Senhora, de onde partem muitas romarias, peregrinações (...) para se encaminharem pelo Caminho da Fé, passando por toda a região (...) até chegarem a Aparecida”, ressalta André.

“Depois de terem ido ao Santuário, lá em Aparecida (...) praticamente se tornaram as primeiras sementes lançadas nesta terra e que frutificaram de uma forma muito abundante na devoção em relação à Mãe de Deus”, conta o reitor do Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida de Jaboticabal, Pe. Alexandre Augusto Malaguti.

Pascom - Comunidade Nossa Senhora Aparecida - Sengés (PR) Pascom - Comunidade Nossa Senhora Aparecida - Sengés (PR) Capela Nossa Senhora Aparecida, no distrito de Reianópolis, em Sengés

Comunidades herdeiras de Nossa Senhora Aparecida

Distante 548 km da Terra da Padroeira, a Comunidade Nossa Senhora Aparecida, no distrito de Reianópolis, em Sengés (PR), surgiu em 1950, com a chegada das primeiras famílias ao bairro. Em pequenos grupos, os moradores edificaram, em 1960, o templo. Com pouco mais de 900 habitantes, Reianópolis mantém viva a devoção à Padroeira do Brasil.

“Temos uma grande festa que engloba o sentido religioso, com a novena preparatória. No dia 12 de outubro, uma caminhada que sai da cidade de Sengés em direção a Reianópolis, cerca de 18 quilômetros de estrada de chão. A Santa Missa, celebrando a solenidade, a coroação de Nossa Senhora”, destaca o pároco da Paróquia São Pedro, em Sengés, e responsável pela Co-munidade Nossa Senhora Aparecida, Padre Giovanni Silva.

Nessa mesma comunidade, Maria, Mãe das vocações, chamou um de seus filhos: o arcebispo de Aparecida, Dom Mário Antonio. O chamado ao sacerdócio nasceu na Igreja dedicada à Padroeira. Nela, ele foi batizado, fez a Primeira Eucaristia e foi ordenado sacerdote, em 1991.

Com suas particularidades, cada local expressa a devoção do povo brasileiro. Em Aparecida, essas manifestações de fé se reúnem, simbolizadas nos mais de 10 milhões de romeiros que, anualmente, visitam Nossa Senhora e seu Santuário, símbolo de um Brasil de fé, que se confia à sua Padroeira.



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