No ano de 1874, a Menina Cega e sua mãe saíram, rumo à Aparecida (SP). Durante três meses caminharam, para então avistarem juntas o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, hoje conhecido como Basílica Histórica, quando então a criança passou a enxergar. Aquela jornada ficou marcada como um dos milagres mais conhecidos de Nossa Senhora Aparecida.
Uma devoção que reverberou e frutificou
A viagem levou ao milagre, o milagre deu origem a crescente devoção, a devoção precisou de espaço para se estabelecer e abrigar tantos fiéis. “Depois de terem ido ao Santuário, lá em Aparecida, e tendo recebido o milagre de Deus pelas mãos de Nossa Senhora, voltaram para cá com um testemunho brilhante. E praticamente se tornaram as primeiras sementes lançadas nesta terra e que frutificaram de uma forma muito abundante na devoção em relação à Mãe de Deus”, explica o reitor do Santuário Diocesano Nossa Senhora Aparecida de Jaboticabal, Pe. Alexandre Augusto Malaguti.
Desenho do que, acredita-se, ser a capela construída como ex-voto da Menina Cega, após o milagre
Assim que retornaram para a cidade, “foi feita uma capelinha de taipa de pilão e madeira, coberta de sapé”, conta o professor André. O ex-voto em formato de templo originou uma capela maior no começo do século XX.
Primeira igreja dedicada a Nossa Senhora, conhecida como 'Capela do Milagre'
Contudo, ainda não sendo suficiente pela quantidade de pessoas que visitavam o templo, em 1944, começou a ser construída uma nova igreja, elevada a Santuário, em 2017. O local é lembrança viva do milagre da Menina Cega e da fé em Nossa Senhora. "Quando o Santuário começa a ser erguido aqui, no projeto inicial, havia a ideia de construir uma igreja um pouco menor do que nós temos hoje aqui, mas, ainda assim, devido o número cada vez maior de pessoas que, com o tempo, foi aumentando, foi necessário também aumentar este terceiro espaço", relata o reitor.
Projeto original do Santuário de Nossa Senhora Aparecida de Jaboticabal
“Essa devoção, ela se propagou em toda a região a ponto de, em Jaboticabal, ter um Santuário (...) dedicado à Nossa Senhora, de onde parte muitas romarias, peregrinações (...) para se encaminharem pelo Caminho da Fé, passando por toda a região (...) até chegarem a Aparecida”, ressalta o memorialista.
A história documentada
Após uma busca nos registros de batizados da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Jaboticabal, o memorialista e professor, Antônio Pascoal André, encontrou a certidão de batismo de Gertrudes Soares Vaz, mãe da Menina. O documento foi divulgado pela primeira vez na edição da Revista de Aparecida de outubro.
“Justino Ferreira da Rocha, esse padre, foi o primeiro pároco de Jaboticabal, lá da Matriz. Ele começou a fazer registros num livro a partir de 1843. E, nesse livro, eu encontrei a certidão de batismo da dona Gertrudes, mãe da Menina Cega”, relembra o memorialista.
Registro de batismo de dona Gertrudes Vaz, mãe da Menina Cega, datado de 1850
Legenda: “Aos nove dias do mês de novembro de 1850, padre Justino Ferreira da Rocha, com licença, batizou e pôs os santos olhos a Gertrudes, de um mês de idade, filha legítima de João Marcelino Soares, e Salvinia Rita de Jesus. Os padrinhos foram João Gonçalves Machado e Joana Vitória da Trindade. Quem fez o registro do batismo feito pelo padre Justino Ferreira da Rocha foi um capelão chamado padre Manuel Eusébio, que também servia lá em Jaboticabal.”
“Uma viúva de nome Gertrudes, que tinha uma filha cega de nascença, um irmão tropeiro chamado Malaquias, que vai à Aparecida, volta para Jabuticabal, conta a história. A menina se entusiasma, quer ir. Mãe e filha se põem a caminho (...) quando a mãe fala para a menina, filha, estamos chegando, a menina diz, 'mãe, que linda aquela igreja'. 'Filha, você está enxergando?', 'Sim, mãe, estou enxergando tudo'”, rememora Antônio.
“A menina, que vai cega, volta enxergando, todo mundo vê. Aí está a confirmação de que houve o milagre de Nossa Senhora Aparecida”, complementa.
Devotos a exemplo da Menina Cega
A história da Menina faz parte da devoção de fiéis ainda hoje, que tem a tradição de frequentar o Santuário da Mãe Aparecida em Jaboticabal, desde quando ainda era apenas uma igreja. “Depois, quando eu mudei para cá, no bairro de Aparecida, conheci minha esposa. E aí eu comecei a frequentar a igreja de Nossa Senhora Aparecida, que depois se transformou em Santuário”, lembra o membro da Família dos Devotos, Jaime Boarine. “A devoção, ela praticamente vem de berço”, reforça.
Além da devoção e do milagre, os moradores de Jaboticabal se veem ligados ao Santuário Nacional e a Nossa Senhora pela Família dos Devotos, sobretudo, com a Revista de Aparecida. “É uma Revista que traz bastante evangelização, que traz bastante reflexão com relação à religião e aos fatos. Também das coisas de cura que Nossa Senhora Aparecida sempre traz para aqueles que a conduzem, que a seguem”, salienta Jaime.
“Na Revista, traz o Evangelho (Deus em Minha Casa) praticamente do mês todo, então com uma reflexão sobre aquele Evangelho (...) Como seguidor e devoto, eu continuo como devoto e faço parte da Campanha (Família dos Devotos) e sempre peço aos amigos que ampliem essa Família”, reitera Boarine, convidando todos aqueles que ainda não fazem parte da Família dos Devotos.
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