Revista de Aparecida

Desculpe-me...

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Escrito por Pe. Ferdinando Mancílio, C.Ss.R.

31 JUL 2026 - 07H00

Magnific

É bela a palmeira imperial. Retilínea e altaneira, bela e de uma retidão que nos impressiona. Ainda se reveste, no mais alto de sua compostura, de uma coroa de folhas e por isso se torna imperial, acima de todas as suas similitudes.

As pequenas coisas são o lugar onde o amor se torna verdadeiro. Um gesto de paciência, uma palavra dita com caridade, um silêncio oferecido a Deus, uma fidelidade vivida no cotidiano. Nada disso chama a atenção do mundo, mas tudo isso tem peso eterno aos olhos do Senhor. Como ensina Santa Teresa de Lisieux, o “pequeno caminho” é feito de atos simples realizados com grande amor.

Minha preocupação é que a impressionante majestade pode não ser mais capaz de visualizar as coisas pequenas e que também são importantes. Nada poderá ser tão grande se não for sustentado pela sua raiz, tão pequena e humilde, escondida e esquecida, mas que é o mais importante, pois sustenta toda a beleza da palmeira imperial.

Muitas vezes buscamos fazer algo grandioso para Deus, quando Ele nos pede apenas que façamos bem o que está diante de nós agora. A santidade não está reservada a feitos extraordinários, mas ao ordinário vivido de forma extraordinária pela graça. Cada dever cumprido, cada renúncia escondida, cada oração humilde constrói o Reino de Deus de modo silencioso, como fermento na massa.

Quando queremos ser grandes nos esquecemos do amor eterno, tão pequeno e humilde, nascido na periferia de Belém, viveu na simplicidade de Nazaré, e morreu, desnudado, no alto da Cruz. Ele era a mais nobre criatura e tornou-se amigo dos pobres e acolheu com amor os que eram subjugados. Os reis de nossos dias são gananciosos e em nada se preocupam com o amor e com a natureza: Importa ser o possuidor de bens, porque é assim que se julga altaneiro e o mais belo das criaturas. Quem é humilde é como a árvore pequena, sem importância, que verga ao sabor do vento, mas não quebra. A palmeira altaneira está extremamente sujeita a quebrar-se e perder toda a sua beleza num piscar de olhos.

Confiar na grandeza das coisas pequenas é um ato de fé. É acreditar que Deus age onde quase ninguém vê. E, no fim, descobriremos que foram justamente esses pequenos “sins” diários que moldaram nossa alma para o céu.

“Quem é fiel nas pequenas coisas, também é fiel nas grandes”. (Lc 16,10)

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