Revista de Aparecida

ELE É FONTE DE INSPIRAÇÃO

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Escrito por Pe. Ferdinando Mancílio, C.Ss.R.

31 AGO 2026 - 07H00

Thiago Leon

Quando olhamos para Jesus certamente algo novo nos toca profundamente. Esse olhar não é simplesmente olhar com os olhos, mas com a profundidade da inteligência e do coração. Assim compreendemos o quanto humano era Jesus. Ele viveu entre as pessoas de seu tempo em Nazaré, em Cafarnaum e em tantos outros lugares.

Ao olhar para Jesus, percebemos que tudo n’Ele gera vida: suas palavras levantam os caídos, seus gestos curam feridas profundas, sua presença devolve esperança aos que já não acreditavam. Onde Ele passa, a morte perde força. Até mesmo na cruz — lugar que parecia derrota — brota a maior fonte de vida, pois de seu lado aberto jorram sangue e água, sinais dos sacramentos que sustentam a Igreja.

Tudo indica que realizava o ofício de artesão ou carpinteiro (Mc 6,3). Vivia do fruto do trabalho de suas mãos, junto com José. Mas, veja bem: A família de Nazaré não possuía terreno, o que dava status social, importância, projeção, distinção. Ser carpinteiro ou artesão era considerado inferior.

O que vemos na apresentação de Jesus no templo de Jerusalém? Maria e José oferecem exatamente a oferta dos inferiores, dos pequenos, os menores da sociedade: Um par de pombinhos. Essa “oferta dos pobres” continua na Igreja de Cristo, e é a mais bela de todas as ofertas, pois aí está o coração do ofertante.

O que temos de perceber, saber e compreender com o que nos ensinam Maria e José? Ensinam-nos que Jesus é sempre o Amigo dos Pobres. Desde Belém até o alto da Cruz, Ele é o pobre do Reino. Por isso, nos diz: “As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9,58).

Uma verdade importante para nós cristãos: A pobreza e tantas precariedades da vida de Cristo são sinais de seu vínculo amoroso com o Pai. É também um pedido para quem deseja segui-lo no caminho do discipulado. E isso deve nos tocar profundamente, pois, seguir a Cristo é tornar-se discípulo dele, e não um ser passivo que recebe sua graça e fica acomodado, inerte, com nada a se preocupar...

Não é possível seguir o Cristo sob condição. Seguimento autêntico só é autêntico se for com amor incondicional, pois foi assim que Cristo viveu e foi fiel ao Pai. Assim aprendemos com Jesus como devemos viver nossa fé e nossa esperança nele. O caminho dele é o nosso. Quando buscamos holofotes então não vamos encontrar a verdadeira vida e liberdade.

Em um mundo marcado por cansaço, medo e vazio, Jesus continua a nos convidar: “Vinde a mim”. Nele encontramos descanso, perdão e força para recomeçar. Quanto mais nos afastamos dessa fonte, mais a alma seca; quanto mais nos deixamos tocar por Cristo, mais a vida floresce em nós e se espalha aos outros.

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