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Revista de Aparecida

O Papa Francisco e a Sinodalidade

Escrito por Pe. Luiz Cláudio Azevedo de Mendonça

27 JUN 2022 - 10H11 (Atualizada em 09 JAN 2023 - 10H47)

Vatican News

Isso foi expresso nas últimas décadas, pela implementação do Sínodo dos Bispos, como um forte e rico momento de escuta do Sucessor de Pedro dos seus irmãos sucessores dos apóstolos, espalhados no mundo inteiro, representando e ecoando as realidades e anseios de seus milhares de rebanhos. Esses processos enriqueceram muito a reflexão de toda a Igreja sobre diversos temas, com a contribuição das mais variadas culturas e especificidades dos países representados por seus pastores, com a contribuição de vários peritos, clérigos, religiosos e leigos. Essas proposições dos padres sinodais serviram de base para importantes e renovadoras Exortações Apostólicas pós-sinodais, assinadas pelos pontífices desde São Paulo VI.

Mas, com certeza, faltava um aprofundamento sobre a própria sinodalidade, exercitando não só a colegialidade episcopal, alcançando de forma indireta as comunidades.

A dimensão da sinodalidade como um princípio educativo para a formação da pessoa humana e do cristão, das famílias e das comunidades, numa decisão por discernimento com base num consenso que dimana da obediência comum ao Espírito, tornando as lideranças e membros da Igreja mais capazes de caminhar juntos, de se ouvir mutuamente e de dialogar, num crescimento em comunhão, aumentando a participação ministerial e o comprometimento missionário.

O Papa Francisco recupera a centralidade da perspectiva sinodal que remonta à fundação e constituição da própria Igreja, inserindo-a no contexto de toda a comunhão humana: com a casa comum, na plena integração do homem com a natureza, numa SINODALIDADE ECOLÓGICA. Para o processo de escuta, nesse sentido é preciso rever os ensinamentos da sua encíclica LAUDATO SI, com a reflexão de que tudo está interligado na corresponsabilidade do cuidado e da preservação, rumo a uma consciente Ecologia Integral, na defesa de toda vida, especialmente a vida e a dignidade humana, numa verdadeira conversão ecológica. Na mesma linha, numa atitude dialógica, o profético sucessor de Pedro situa a SINODALIDADE SOCIAL, apresentando o caminho e a partilha comum da solidariedade, da amizade de todos os homens, construindo uma sociedade de justiça, igualdade, fraternidade e paz.

É necessário aprofundarmos a temática da sua outra encíclica FRATELLI TUTTI, acompanhados das propostas da Economia de Francisco e de Clara e do Pacto Educativo Global, que recolocam o horizonte da partilha solidária e do crescimento comum fraterno, com equidade e desenvolvimento sustentável, partindo da educação dos valores e princípios de um humanismo cristão, na concepção universal de que todos somos irmãos, filhos de Deus. Para a missão evangelizadora da Igreja permanentemente em saída, Francisco insiste numa comunhão dinâmica, superando uma igreja autorreferencial, que pelo impulso do Espírito refaça a unidade humana e cristã, numa reconstrução comum, pelo testemunho do Amor, expressão da Misericórdia de Deus e da Verdade, anunciando a alegria do Evangelho, restauradora e libertadora da pessoa humana integral, para a transformação da sociedade em Reino de Deus. Nesse âmbito, é riquíssima a contribuição da sua Exortação Apostólica EVANGELII GAUDIUM, propondo uma forte SINODALIDADE ECLESIAL MISSIONÁRIA, na esteira da conversão pastoral da Igreja do Documento de Aparecida, grandemente talhado por sua redação.

Diante de todas essas luzes magisteriais, podemos refletir: Como está o quadro da nossa comunidade diocesana, vicarial, forânea, paroquial, na comunidade onde vivo e atuo como batizado, como cristão, como cidadão? É o que esse processo lançado pelo Papa quer saber, ao mesmo tempo consignando a sinodalidade como forma, estilo e estrutura da mesma Igreja, na atualização de sua corresponsabilidade e participação na missão da nova evangelização essencialmente unida à promoção humana. Por isso, foi aberta em todas as dioceses do mundo, no dia 17/10, a fase de escuta de todos os representantes desse múnus conjunto e de seu contexto social de desenvolvimento.

Com uma organização diocesana e um material distribuído a todas as paróquias, comunidades e demais representações cristãs, religiosas e sociais, temos o trabalho de um grande e frutuoso caminho comum (método) de construção do próprio caminho comum (diretrizes da vida e missão), através de relatórios que entregues às conferências episcopais, em forma de síntese, chegarão ao Sínodo dos Bispos que acontecerá em outubro de 2023. Depois desse evento, fruto de toda uma comunhão e cooperação, continuará o processo sinodal na fase de execução, com a mesma participação e entusiasmo das dioceses e comunidades e expressões eclesiais missionárias.


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