Revista de Aparecida

O valor da família: qual é o nosso dever?

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Escrito por Pe. Pablo Vinícius Reis Moreira, C.Ss.R.

30 JUN 2026 - 07H00

Thiago Leon

Neste ano, completam-se 10 anos da publicação da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia (“Alegria do Amor”), do saudoso Papa Francisco. Nesta obra, somos convidados a viver a alegria do amor no seio de nossas famílias, chamadas a ser uma “Igreja doméstica”. Este bonito apelo do Santo Padre está contido nos nove capítulos e 325 parágrafos do presente documento que, especialmente, quer fazer ecoar na Igreja a alegria do amor vivido e experimentado por muitos lares e que são um verdadeiro farol para nossa gente. O texto não dilui a dor daqueles que enfrentam dramas familiares, mas traz à luz e aponta caminhos possíveis para a vivência desse amor familiar. Nunca me foge a imagem de que Francisco buscou traduzir o sacramento do matrimônio: para ele, “o matrimônio é o ícone do amor de Deus por nós” (Amoris Laetitia, n. 121).

Embora tenha passado uma década desde a publicação dessa Exortação, o tema família continua profundamente atual e pertinente para nossas rodas de conversa e de reflexão. Ele nunca pode ser confundido com a “moda da vez”, ou seja, temas, discussões e reflexões que passam e deixam rastros de confusão, e não de clareza. Assuntos ligados à família sempre terão espaço no coração da Igreja, porque cremos, com toda a força, que ela é o eixo da humanidade, a célula mater e a pedra angular da sociedade. E mais: cremos ainda que o futuro da sociedade e da Igreja passa sempre pela família. Seria uma grande desgraça pensar num mundo sem famílias, sem essa organização divina sonhada pelo Pai e concretizada na vinda do Filho de Deus ao mundo, que nasceu, cresceu e viveu no seio de um lar, sendo amado por uma mãe e por um pai nutrício.

Muitos são os desafios enfrentados pelas famílias – isso é algo indiscutível – e devemos ter um olhar atento e pastoral para entender os dramas e lançar uma luz possível, a fim de aliviar a dor e não ofuscar a alegria do amor a que são chamados. Agora, algo precisa ficar muito claro: apesar das luzes e sombras, seja na vida a dois, seja no relacionamento com os filhos, ser família vale a pena! Situações familiares adversas devem ser acolhidas e enfrentadas. Elas indicam que as famílias são diferentes e trilham caminhos distintos, mas estão todas chamadas a viver a alegria e a ser testemunhas do amor. Deus precisa estar na vida familiar, Ele, o Senhor da vida, precisa ser o centro – sem Ele, a família perde o sentido de ser, carece de identidade e perde-se por completo. A busca por essa intimidade e amizade com o Criador fará com que o ambiente familiar esteja sempre alicerçado no amor divino.

A família é sagrada, porque foi criada por Deus para ser a base de toda a sociedade. Portanto, é nosso dever lutar por ela, fazendo o possível para que ela seja firme e esteja no caminho certo, com Deus sempre presente, como companheiro e guia nos caminhos da vida. A força da família continuamente nos alcançará. No entanto, cabe a nós saber se vamos ou não nos abrir a essa graça. Essa virtude é o amor, que está radicado, por certo, no amor incondicional a Deus – o primeiro e o maior dos mandamentos. Atualmente, a instituição familiar tem sido chagada, desacreditada, ridicularizada e descartada por aqueles que ignoram o amor que ali habita. É nosso dever, portanto, cantar o amor que é possível viver no lar – não só com os lábios, mas com o coração. Que as famílias sejam realmente nossa “Igreja doméstica”, onde Deus reside e é reconhecido, amado, adorado e servido.

Nossa Senhora Aparecida, Mãe do povo brasileiro, rogai por nós e por nossas famílias!

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