Revista de Aparecida

Os riscos da IA: uma armadilha para a comunicação

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Escrito por Pe. Pablo Vinícius Reis Moreira, C.Ss.R.

30 ABR 2026 - 07H00

Vatican Media

A liberdade de expressão e de imprensa no mundo é um bem precioso. A ausência dessa prerrogativa, fundamental para a cidadania, pode prejudicar a busca pelo bem comum, a convivência fraterna e o diálogo justo. Atualmente, em muitos países, alguns veículos de informação se veem privados de se expressar com verdade, imparcialidade e transparência. Contudo, o direito à livre manifestação deve ser parte de sociedades democráticas e pluralistas mundo afora.

Os interesses particulares de certos grupos, sobretudo daqueles que detêm o poder absoluto sobre povos, levam-nos a crer que possuem o direto de calar vozes que se opõem à lógica vigente e buscam trazer a verdade nua e crua dos fatos. Constata-se, assim, que as liberdades de expressão e de imprensa no mundo estão sob forte ameaça: assassinatos, privações e censura, demonstram que a verdade segue sendo silenciada. Quando o trabalho sério de jornalistas comprometidos é cerceado, os veículos de comunicação passam a ser meros canais de disseminação de notícias falsas e informações enganosas. Com o avanço da Inteligência Artificial (IA), por exemplo, os esforços para a manutenção dessas garantias tornam-se mais complexos, uma vez que a IA tem “seduzido” muitas pessoas para um caminho duvidoso e incerto quanto à veracidade da informação.

Nesse sentido, a IA segue sendo uma tremenda novidade, sobre a qual não há um veredito definitivo. Diversos estudos vêm sendo feitos e especialistas no assunto têm alertado para as armadilhas dessa fronteira tecnológica. O Papa Leão XIV, desde quando foi eleito bispo de Roma, tem se manifestado incisivamente sobre o tema, apresentando seus riscos, desafios e oportunidades. Para ele, a tecnologia deve servir ao bem comum e não apenas para escancarar a desigualdade social por meio do acúmulo de riqueza e poder nas mãos de poucos. A IA, sublinha o Santo Padre, é incapaz de contemplar nossa capacidade natural de nos maravilharmos com as obras do Criador.

A IA, por vezes, distorce a realidade e propõe caminhos duvidosos para quem busca informação. É possível que a facilidade e a rapidez do conteúdo gerado por essas ferramentas façam com que sejamos “seduzidos” e pegos por sua praticidade. Em suma, a tecnologia pode nos conduzir cada vez mais à acomodação, porque nos oferece tão somente aquilo que queremos ver e ouvir, sem a devida criticidade, distanciando-nos do contraditório. Embora a IA seja uma realidade irreversível e em constante aprimoramento, é imperativo estarmos cientes de que ela também pode induzir ao erro, acarretando sérios prejuízos a indivíduos, instituições e até mesmo à sociedade em geral.

O exercício livre da imprensa e as liberdades individuais de opinião e expressão são dons naturais do Criador. Está longe de cair na “artificialidade”. A IA pode ser um suporte para quem busca um trabalho de comunicação sério, mas jamais pode ser determinante no exercício da comunicação, ter a palavra final e ditar o que está certo ou errado, o que é credível ou não. Isso é tarefa de quem é dotado de inteligência natural, de quem foi criado e é amado por Deus com amor eterno. Não nos esqueçamos das palavras valiosas e oportunas do Santo Padre Leão: a IA “não pode oferecer sabedoria verdadeira. Falta-lhe um elemento humano muito importante. A IA não discernirá entre o que é realmente certo e errado” (Encontro digital do Papa Leão XIV com jovens americanos, no dia 21 de novembro de 2025).

Que Deus nos abençoe e Nossa Senhora Aparecida nos proteja, para que sejamos destemidos na tarefa de propagar a verdade, com lealdade, compromisso e naturalidade!

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