Por Pe. Clayton Sant'Anna, C.Ss.R. Em Artigos Atualizada em 14 DEZ 2018 - 10H49

A espiritualidade do Natal


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Todos têm a responsabilidade de ser construtores da paz


Conceitos tradicionais marcam a comemoração e a troca de votos natalinos neste mundo consumista. Oferecem-se produtos e bens até de modo sufocante nesta época. Mas o conceito bíblico conveniente à celebração cristã da festa é a paz! Na língua hebraica, a raiz dessa palavra passa a ideia de: acabamento, plenitude, perfeição. O shalom bíblico (paz) é a totalidade dos bens. Difícil traduzir em outras línguas. O menino que vai estabelecê-la, quando nascer, será chamado: “Príncipe da paz”. (Isaías 9,6). Fruto da vinda do Messias, “a obra da justiça será a paz”, alicerce do futuro reino messiânico (Isaías 32,17).

As três letrinhas da palavra encerram o anseio universal de vida digna, justa e pacífica, o bem-estar para toda pessoa. Em todos os tempos, raças e culturas, os povos querem desfrutar das conquistas da paz. Na realidade, ela não é um estado de convivência sem problemas. Não se trata de alcançar a vitória política, a estabilidade econômica, o gozo estático dos prazeres etc. Segundo a Palavra de Deus, paz é desejar e viver na felicidade constante, material e espiritualmente. Isso exige dinamismo e luta.

Nos projetos, na política e na mídia, a paz deve ser mais do que ausência de perturbações, violência e guerra. A paz armada é um mal. Quando Cristo veio, o império romano dominava a Europa firmado na convicção bélica: “Se queres a paz, prepara a guerra"! Roma e outros reinos passaram. Deixaram milhões de mortos, feridos e incapacitados. A lógica das armas pode triunfar, mas não cria justiça e fraternidade.

Leia MaisInfeliz ano velho, adeus ano novoNatal: a celebração que une as famíliasNossa fé deve servir à sociedadeNatal, festa da esperançaO anúncio da vinda e reinado de Jesus foi recebido por pastores, indefesos guardas noturnos de rebanhos. Manifestou-se a glória de Deus, que oferecia na terra a paz aos homens por ele amados, não armados (Lc 2,14)
Nasceu o Messias esperado. Na véspera da morte na cruz, Jesus se despediu dos discípulos: “Eu vos deixo a paz; eu vos dou a minha paz. Não como a dá o mundo. Que vosso coração não se perturbe, nem tenha medo”. (Jo 14,27)

Ora, findo o processo eleitoral e a transição de governo no Brasil, em 1º de janeiro de 2019, Dia mundial da Paz e da Confraternização entre os Povos, inicia-se novo período executivo e legislativo. Fake news alimentaram a disputa com uma intolerância estúpida. Ideologias semearam uma síndrome alarmante de beligerância. Será que vão persistir as atitudes não-democráticas e a resistência obstinada e hostil ao novo governo? Aí não haverá paz! A política partidária exacerbada não produz amigos; apenas divide vencedores e perdedores. Compromete a paz social e a cidadania.

No rosto humano de Jesus, resplandeceu sobre nós a face de Deus, a sua paz! Seguir o Cristo é observar os fatos sem oposição raivosa e sem adesão cega a ideologias, porque seguimos o Príncipe da Paz! O Mestre qualifica seus discípulos como filhos de Deus, se forem construtores da paz (Mt 5, 9).

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Pe. Clayton Sant'Anna, C.Ss.R.

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