Por Redação A12 Em Artigos Atualizada em 06 DEZ 2018 - 10H19

Natal, festa da esperança


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O nascimento de uma criança traz consigo a esperança de que ela possa crescer, viver, realizar-se, fazer o bem. O Menino de Belém é nossa esperança. O Documento de Aparecida apresenta dez razões para termos nossa esperança em Jesus.

Primeira: diante da vida sem sentido, Jesus oferece a ressurreição e a vida eterna. Ele mesmo se define como "a vida". Isso inclui a "alegria de sentarmos juntos à mesa, de trabalhar para o bem comum, de servir os outros, ter contato com a natureza, viver a sexualidade segundo o Evangelho". (DAP n-356).

Segunda: diante do desespero, Jesus oferece o amor trinitário. Jesus mesmo é a visibilidade do amor de Deus no mundo. Pessoas não amadas são agressivas, depressivas, possessivas, desconfiadas. Quanto sofrimento! O amor de Deus as faz renascer, curando-as no mais profundo de seu ser. "Se teu pai e tua mãe te abandonarem, Deus te acolherá" (SI 26,10).

Terceira: diante da idolatria, Jesus oferece o Bem Supremo, que é Deus e o reino de Deus. Hoje, Deus é abandonado e as coisas são divinizadas, absolutizadas, adoradas. Famosas idolatrias são o dinheiro, o divertimento, o prazer, o poder, o saber. Deus virou estorvo, é tido por desnecessário e até inútil. Jesus nos liberta desses enganos, dessas ilusões e oferece valores perenes e inesgotáveis, como o perdão, a esperança, a cura, a libertação.

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Quarta: diante do egoísmo, Jesus manda doar a vida. Nosso ego inflado nos faz ter atitudes infantis, agressivas, prepotentes, desumanas. Egoísmo é cegueira. Jesus aponta para a oblação de si, a alteridade, a solidariedade como felicidade, realização e construção da civilização do amor.

Quinta: diante do isolamento, individualismo, fechamento, Jesus nos convoca à comunhão. O centro é o outro. Amar é esquecer-se de si e elevar outro. Amor é benevolência para com o outro. Jesus ensina a reconciliação e a comunhão como formas sadias de convivência. Daí a importância do diálogo, do perdão, da tolerância, do ecumenismo, da fraternidade.

Sexta: diante da despersonalização, Jesus ajuda construir identidades, personalidades, personalismo. A dignidade humana não só foi respeitada por Jesus, como também elevada, enaltecida, glorificada. No homem Jesus, temos o paradigma mais perfeito da pessoa. Nele temos o correto rosto de Deus e do homem. Quanto mais nos assemelhamos a Jesus, tanto mais humanos, autênticos, transparentes nos tornamos.

Sétima: diante da exclusão, Jesus defende os pobres, os pecadores, os doentes, os excluídos. "Todos sois irmãos" (Mt 23,8). O reino de Deus é o reino da inclusão. Jesus é o profeta da compaixão, o curador dos enfermos, o libertador do pecado, o melhor amigo da vida. Ele leva a humanidade a olhar os últimos e pequenos e a construir um mundo mais justo.

Oitava: diante das estruturas de morte, Jesus morre para salvar nossas vidas. A existência de Jesus consistiu em fazer o bem, dar primado à vida, promover a dignidade humana. Jesus defendeu os direitos humanos. Somos chamados não só a viver, mas a conviver e sobreviver. O projeto de Deus é um projeto de vida; seu reino é reino da vida; Jesus é a vida nova, e sua missão é estar a serviço da vida. Ele mostra os caminhos da vida.

Nona: diante da catástrofe ecológica, Jesus fala do cuidado que o Pai tem com as criaturas. Jesus fala das flores, dos pássaros, dos peixes, das árvores, dos astros, da choca e dos pintainhos, das ovelhas. "Tudo foi criado Nele, por Ele e para Ele". Jesus, ao consagrar o pão e o vinho, consagrou a beleza, o cuidado e a importância da criação. Sua encarnação e ressurreição dão fundamento para o cuidado para com a natureza.

Décima: diante do subjetivismo, Jesus proclama a grandeza da fraternidade e da solidariedade. Ele lava os pés, perdoa a seus algozes, prega a inversão da situação, acolhe os pecadores, combate as injustiças, serve a todos. Jesus tudo faz para que nós vivamos como filhos de Deus Pai e como irmãos. Seus discípulos são formados para serem como servos, como crianças, como últimos e pequenos, humildes; Jesus é nossa esperança.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo de Aparecida

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