Por Jornal Santuário Em Artigos Atualizada em 19 MAI 2020 - 11H31

Ficar em casa não é para os fracos

“Fique em casa.” Eu sei que você deve estar cansado de ouvir, ler e falar isso. Quem diria que passaríamos por algo assim em pleno século XXI? Com tantas modernidades, vacinas, doenças erradicadas, tantas guerras evitadas com apertos de mãos cordiais, nós, meros humanos, estamos à mercê do invisível.

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É irônico, é triste e até mesmo engraçado para aqueles que, como eu, têm um humor quiçá sórdido. Somos, neste planeta, o ser dominante, domamos outros seres, domamos nossos iguais, vamos à luta todos os dias para dominar o mundo e
se quer sabemos como lavar nossas mãos de forma eficiente para não sermos dominados por um vírus.

Mania de grandeza e arrogância. Há quem diga que passamos pela atual situação para aprendermos lições importantes: cuidar melhor de nossos pais, passar mais tempo com nossos filhos, trabalharmos melhor nosso grandioso ego, sermos solidários, termos mais empatia, aproveitarmos Leia MaisSaúde mental em tempos de isolamento social melhor os momentos, entre outras, para justificar esse cenário de forma que nos permita crescer, evoluir como seres humanos melhores.

Não sei se isso é mania de ver possibilidades em situações difíceis, se ainda é o grande ego querendo dizer que não podemos ser vencidos, se é a pura ignorância humana que realmente não entende o que está a um palmo de distância.

Afinal, quem somos nós nessa imensidão de mundo? Todos querem uma explicação, querem algo que os faça se sentirem bem e menos vulneráveis, querem poder dizer que fizeram limonada com os limões e que algo de bom saiu da tragédia.

Isso é, na verdade, uma necessidade muito humana de superação. Com sorte, lições serão aprendidas; não que, historicamente, tenhamos nos mostrado capazes de aprender com o passado, tendo em vista os diversos erros que comentemos frequentemente. Se não for esse vírus a nos extinguir, será outra coisa e, com certeza, seremos os responsáveis, pois somos superiores demais para lavar nossas benditas mãos e para nos abstermos de nossa vida social em prol do #fiqueemcasa!

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Seria melhor que não precisássemos de uma pandemia para aprendermos o óbvio. Na melhor das Leia MaisA verdadeira pandemia deve ser a da solidariedadehipóteses, aprenderemos uma coisinha ou outra. Daqui a alguns anos, teremos nossos descendentes passando por algo similar, como nossos antecedentes passaram, pois a história se repete e irá se repetir enquanto for necessário.

E nós estamos lidando com uma situação com que muitos lidaram, em uma época em que a medicina não possuía tantos recursos, não se havia uma vasta gama de antibióticos, se quer havia empresas, artistas e jogadores de futebol com suas ações de marketing fazendo doações. Nós não inventamos a roda quando nos vemos nessa situação. Nós só achamos que não aconteceria agora, porque, afinal, somos humanos, os melhores e mais fortes seres da galáxia.

Caiene Cassoli
Autora do livro “O poder de mudar hábitos”, da Editora Ideias e Letras

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