Por Jornal Santuário Em Notícias Atualizada em 18 MAR 2019 - 11H59

Até que ponto vale a busca pelo corpo perfeito?


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“Belos’ são aqueles atletas do salto em distância com o traje da grife atualmente celebrado; corpos remodelados em academias, por cirurgias plásticas e pela última moda em maquiagem; produtos expostos nas prateleiras dos supermercados”.

A frase do saudoso sociólogo Zygmunt Bauman define bem o culto da sociedade pós-moderna aos ideais de beleza, capitaneados por um mercado que vende o ideal de corpo magro e músculos definidos.

A chamada “ditadura da magreza” impõe padrões de comportamento que vão além do equilíbrio para a conquista do corpo sarado, seja via dietas mirabolantes, do uso de inibidores de apetites ou através da prática de exercícios físicos combinada com suplementos e medicamentos que aumentam a vontade de “malhar”.

Mas até que ponto a busca pela perda de peso pode ser considerada uma atitude saudável?

Para o psicólogo Marcelo Parazzi a busca pelo corpo perfeito é fruto dos ideais de consumo. “A sociedade pós-moderna e as normas de beleza inseridas nela, por questões comerciais, criaram a ditadura da beleza. A partir disso, muitas pessoas recorrem a práticas imediatistas para conquista desse ideal”, ressalta.

Parazzi diz que percebe, com frequência, o uso indiscriminado de moderadores de apetite por pessoas que sequer necessitariam utilizá-los, se não fosse a busca pelo “corpo perfeito”.

“Tais medicamentos usados para esses fins – muitas vezes sem a devida orientação médica – podem gerar dependência química em que os utiliza”, alerta. Entre elas, o psicólogo relaciona alterações de humor, desencadeamento de depressão, aumento da ansiedade, insônia e uma infinidade de outras questões psicológicas e físicas.

Saúde é o que interessa

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Todo mundo sabe que a prática de exercícios físicos aliada à dieta equilibrada é fundamental para uma vida saudável. A grande questão é que muita gente leva essa regra ao extremo, a ponto de deixar de sair com os amigos para comer uma pizza, usar medicamentos proibidos para ter mais disposição ao malhar, ou até mesmo ingerir anabolizantes para apressar o processo de ganho de massa muscular. 

O educador físico e especialista em marketing desportivo, Vinícius Possebon, acredita que a mídia acaba impulsionando as pessoas a esse tipo de comportamento. “Está em alta você ter o abdômen totalmente definido, seja homem ou mulher”, justifica.

Uma substância chamada pré-treino, que aumenta a disposição para a prática de exercícios físicos pode causar sérios danos à saúde. Porém, existem dois tipos: as que são proibidas e as liberadas para comercialização.

“Há pré-treinos que estão na moda, a maioria deles realmente contém substâncias que fazem mal para o corpo humano, como a efedrina, que eleva a frequência cardíaca, estimula o sistema nervoso e a pessoa fica com mais vontade de treinar”, explica.

Possebon vê riscos no uso desse tipo de substância. Ele avalia que uma alimentação equilibrada e uma boa noite de sono, por si só, já garantem mais disposição na hora de treinar.

Em relação aos pré-treinos liberados, como aqueles à base de cafeína, o especialista desconhece estudos que comprovem a melhora na performance do treinamento a partir da utilização.

Já os anabolizantes são uma espécie de “catalizador de sonhos”, na avaliação de Possebon. “Não sou nem um pouco a favor. E muito do que a gente vê por aí, de pessoas totalmente saradas, com o abdômen superdefinido, dizem que é dieta, que é treino, mas obviamente, algumas usam anabolizantes para potencializar os resultados, mas na realidade não fazem bem.”

Questão de equilíbrio

Em um mundo onde as pessoas tralham cada vez mais e têm menos tempo para cuidar da saúde, querer resultados rápidos torna-se cada vez mais comum. “Vejo que as pessoas fazem projeto ‘sem jantar 30 dias’, ‘alface 50 dias’ e acabam ficando mais infelizes porque não estão fazendo o que realmente gostam. É preciso ter equilíbrio”, avalia Possebon.

O educador físico relaciona a lei 80-20, do economista italiano Vilfredo Pareto, ao equilíbrio necessário para a garantia de um corpo saudável. “Você tem de fazer 80% das coisas certas e 20% das erradas, entre aspas, ou seja, nesses 80% você vai praticar um exercício físico e alimentar-se de maneira correta. Mas, existem os 20%, que são aquelas horas que você vai sair com os seus amigos e vai beber uma cerveja, comer um chocolate, sair um pouquinho da linha. Acredito que esse seja o equilíbrio”, exemplifica.

A psicóloga Fernanda F. Corrêa, lembra que a psicologia também encara a saúde sob a ótica do equilíbrio. “Portanto, a malhação e a boa nutrição são muito importantes para uma vida saudável, desde que elas não afetem outras áreas também importantes da vida da pessoa”, diz.

Ela acredita que deixar de ir a festas pode ser um recurso inicial para pessoas que traçam metas saudáveis de emagrecimento. “Mas, a partir do momento em que conquistaram essas metas e a busca pelo ‘corpo perfeito’ começa a atrapalhar sua sociabilidade, em que a falta em um dia da academia gera sentimento de culpa, devemos nos preocupar e buscar orientação”, pondera.

Já em relação às pessoas que levam marmitas a festas para não sair da dieta, evitando comer guloseimas sob qualquer circunstância, Fernanda classifica como um possível extremo. “Essas atitudes, ao nosso ver, podem gerar um dia a dia com muitas tensões, muitos desconfortos, grandes exigências e até mesmo sofrimentos e adoecimentos psíquicos”, pontua.

Emagrecendo com saúde

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Um estudo divulgado em 2014, pela revista científica Lancet, revela que a obesidade atinge mais da metade da população adulta brasileira, sendo 58% das mulheres e 52% dos homens. 

De acordo com o médico especialista em endoscopia digestiva, Jansen da Silva e Souza, as principais doenças relacionadas ao excesso de peso são hipertensão arterial, dislipidemia, diabetes, infarto, acidente vascular cerebral, vários tipos de câncer e problemas articulares.

A perda de peso é considerada o melhor caminho para diminuir o risco de desenvolver essas doenças. Segundo a nutricionista Vanessa Pimentel, é perfeitamente possível perder peso com saúde e sem a ajuda de medicamentos. “O controle inicial vem da cabeça! E colocar em mente a vontade de emagrecer. O segundo passo é procurar ajuda para tornar sua meta viável”, ressalta.

Um dos passos mais importantes nesse processo, segundo Vanessa, é enxergar o nutricionista como um educador, um profissional que vai guiar o paciente até o objetivo. “O nutricionista não deve ser só ‘dietista’. Cabe a ele ensinar sobre nutrientes, interações entre esses nutrientes e melhores formas de preparo”, ensina.

Vanessa assegura que, a partir do momento em que a pessoa aprende a fazer a dieta correta, além da perda dos quilos extras, é possível garantir a manutenção do novo peso.

Fitoterápicos, suplementos e atividade física

Vanessa Pimentel adverte que os nutricionistas não podem prescrever medicamentos para emagrecer. “Podemos fazer uso de alguns fitoterápicos e nutrientes como fibras para auxiliar no processo de perda de peso, ansiedade, redução da absorção de gordura e até do esvaziamento gástrico”, ressalta.

Já no caso dos suplementos alimentares, especialmente o WheyProtein, ela assegura que o uso deve ter acompanhamento profissional, já que depende da meta e do objetivo da pessoa.

O preparador físico Andreiv Costa diz que a prática de exercícios físicos é de real importância para saúde, já que trabalha o coração, principal órgão do corpo, melhorando o sistema cardiorrespiratório.

Para manter a saúde em dia, Costa avalia que o ideal seria todo ser humano praticar pelo menos meia hora de atividade física, ao menos três vezes na semana. Outra dica do profissional é dormir bem, alimentar-se adequadamente e treinar regularmente.

Novos métodos garantem resultados

Leia MaisNutricionista recomenda alimentação equilibrada e hidratação durante verãoAlimentação saudável combate o colesterol Dicas para uma boa alimentação Saúde na melhor idade: Cuidados com a alimentaçãoO Índice de Massa Corpórea (IMC) é o método utilizado para diferenciar obesidade, sobrepeso e peso normal.

“O IMC é calculado dividindo-se o peso do paciente em quilos pelo quadrado da altura dele em metros”, explica o médico Jansen da Silva e Souza.

De acordo com ele, os valores normais estão entre 18 e 25 seria o de uma pessoa normal, sem que haja muitos riscos à saúde. “Abaixo disso teríamos a situação do paciente magro e, acima, sobrepeso ou obesidade, sendo que o sobrepeso é considerado até IMC de 30”, completa.

O profissional ressalta que a dinâmica do emagrecimento consiste em ingerir menos calorias do que o consumido ao longo do dia. “Acontece que isso nem sempre é fácil, pois a cada dia que passa ingerimos mais alimentos calóricos e fazemos menos atividades físicas”, explica. 

Além disso, o estresse do dia a dia, a possibilidade de obter alimento facilmente e a qualquer hora, a influência da publicidade fazem com que as pessoas alimentem-se mais do que o necessário.

Quando a situação fica incontrolável e a pessoa chega à obesidade, o recurso do balão intragástrico (BIB) é utilizado. “Por ocupar uma boa parte do estômago, faz com que o cérebro receba constantemente a informação de que acabamos de comer, diminuindo a fome que sentimos”, diz.

O procedimento é indicado para pessoas com IMC acima de 27 e que não conseguiram perder peso com o tratamento clínico.

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