Por André Somensari Em Notícias Atualizada em 20 DEZ 2018 - 15H01

Livro traz aprofundamento para catequistas sobre iniciação à Fé Cristã

Entramos no mês dezembro, no qual celebramos, no dia 25, o nascimento de Jesus Cristo: figura importante e emblemática de toda a humanidade; ponto central do Cristianismo. Muitos cristãos têm a pretensão de dizer que sabem tudo sobre Jesus de Nazaré. Jesus mesmo um dia perguntou: “Quem dizem os homens ser o filho do homem?” E, depois de ouvir as respostas, perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 8,27-38). Esta interrogação de Jesus é muito significativa.

Ao encontro disso, a Editora Santuário lança neste mês o livro “Afinal, quem é Jesus de Nazaré? – Formação de Catequistas no estilo catecumenal”, de autoria de Padre João da Silva Mendonça Filho, sdb. Neste livro, o autor apresenta uma série de meditações e ritos, iluminados pelos quatro tempos da Iniciação à Vida Cristã. É um importante instrumento para o ministério dos catequistas, ajudando-os a descobrir a catequese com estilo catecumenal, em que os elementos essenciais da fé são vividos e não apenas ensinados. A equipe do Jornal Santuário conversou com padre João, que nos deu mais detalhes acerca de sua nova obra:

Editora Santuário
Editora Santuário
Livro apresenta uma série de meditações e ritos, iluminados pelos quatro tempos da Iniciação à Vida Cristã


Jornal Santuário – Padre, o que motivou e inspirou o senhor a escrever este livro, que aborda a figura de Jesus de Nazaré, voltado para catequistas?

Padre João Mendonça, sdb – O livro foi aos poucos sendo organizado. Digamos que se trata de uma obra feita na prática, no contato direto com os catequistas. Comecei em 2003 elaborando alguns textos sobre a iniciação cristã, na perspectiva da formação de novos catequistas, com novos métodos, como bem dizia São João Paulo II. O processo catecumenal é rico, interpela, porém, o primeiro destinatário que é o próprio catequista. Se ele não passar pelas etapas iniciáticas, jamais será capaz de ser um mistagogo com seus catequizandos. A motivação começou em mim. Eu procurei mudar. Fiz o processo. Com a ajuda da Teologia ficou mais fácil. Então, procurei traduzir tudo isso em uma linguagem mais acessível aos catequistas. Como já existem muitos livros sobre as etapas da iniciação, inclusive da CNBB, não quis repetir esse conteúdo, mas descrever como fazer em cada etapa. A questão é esta: ajudar na formação de novos catequistas com a mentalidade da cultura da iniciação cristã.

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Padre João – Jesus é o centro do Ano Litúrgico: alfa e ômega. O princípio e a eternidade. Portanto, o processo iniciático rompe com o ano escolástico e as categorias noéticas das fórmulas de fé. Não basta que a pessoa saiba de memória os princípios da fé, mas que esteja pronta a dar razão da própria esperança, como está bem dito na carta de Pedro. Como afirma Aparecida, o conhecimento de Jesus não pode ser uma questão especulativa ou uma adesão ética, mas uma "atração", porque os discípulos "ficaram atraídos pela Sabedoria de Jesus, pela bondade de seu trato e pelo poder de seus milagres. E, pelo assombro inusitado que a pessoa de Jesus despertava, acolheram o dom da fé e vieram a ser discípulos de Jesus" (DAp 21). Então, a iniciação começa exatamente com o querigma, o anúncio da pessoa de Jesus; isto é fundamental porque leva a pessoa a descobri-lo, a querer permanecer com ele. Além do mais, o Ano Litúrgico é rico do ponto de vista catequético com as temáticas próprias de cada tempo, de cada ciclo, com as memórias, solenidades e festas dos santos, Maria e a Páscoa, cuja vitalidade e importância a iniciação recupera. Eis, então, a motivação de começar pelo Ano Litúrgico.

JS – Na obra em questão o senhor apresenta quatro tempos da Iniciação Cristã. Quais são eles? Faça uma breve apresentação de cada um.

Padre João – A iniciação cristã é um conjunto mistagógico, quer dizer, um processo catequético que visa colocar o ouvinte na escuta e adesão da pessoa de Jesus. Para facilitar esse caminho de fé, os padres da Igreja, entre eles São Cirilo de Jerusalém, Santo Ambrósio, Santo Agostinho e muitos outros, desenvolveram quatro etapas da vida cristã: 1. O Querigma, quer dizer, o anúncio da pessoa, das palavras, das obras e do significado do Reinado de Deus presente em Jesus; é a primeira etapa do catecumenato. 2. O Catecumenato é a segunda etapa, marcada pelo rito de passagem, como um novo nascimento, no qual o ouvinte da Palavra recebe a cruz e a Bíblia, com os quais fará um caminho de aprofundamento da fé, para que ela não fique como um verniz, e sim toque a vida em profundidade. 3. A etapa da purificação e iluminação constitui o terceiro ciclo desse caminho de fé, no qual o neófito, novo cristão, receberá os ritos de purificação e exorcismos como um verdadeiro escrutínio em vista de sua maior adesão à fé cristã. Na base desses ritos, estão as virtudes teologais e cardeais, como sustento de sua caminhada. 4. A quarta etapa é a Mistagogia, momento no qual os cristãos vivem de maneira mais comprometida o Mistério, no qual foram mergulhados, e respondem com generosidade ao chamado de Deus para uma vida de vocação , ou seja, de serviço aos outros, assim como Jesus foi totalmente voltado para a salvação de todos.

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