Por Jovens de Maria Em Comportamento

Por que eu escolhi viver uma vida “off-line”?

conectado vicio samrtphone

Talvez você também se interesse por uma vida menos excessivamente “online”

Meus queridos amigos,

Um ano atrás, fiz uma apresentação para um grupo local de ministros da juventude. O diretor do grupo recordou o dia em que recebeu um telefone celular e um pager no trabalho pela primeira vez na vida e lamentou logo em seguida o fato de as pessoas agora poderem contatá-lo em seu trajeto do trabalho para casa, que era quando ele costumava repassar com calma o dia que estava terminando. Bastante gente usa esses tempos de trânsito (muitas vezes imprudentemente, diga-se de passagem) para recuperar ligações perdidas. Eu preciso desses tempos para recuperar a minha própria vida, que parece estar sempre correndo à minha frente.

Os dispositivos móveis e o Facebook me tornariam um comunicador pior e um amigo pior. Deixem-me esclarecer. Sim, vocês teriam mais maneiras de se comunicar comigo. Mas eu estou convencido (e acredito que não sou o único) de que a minha capacidade de responder com conteúdos significativos sofreria muito. Eu sei que às vezes não respondo de modo adequado a alguma mensagem de telefone ou de e-mail, ou simplesmente nem sequer respondo. Mas, se tivesse ainda mais canais de contato para controlar, a minha taxa de resposta e, principalmente, a qualidade das minhas respostas, cairia mais ainda. Uma parte de mim concorda que eu iria gostar de ficar mais por dentro do que está acontecendo, mas simplesmente não tenho tempo nem neurônios para gerenciar tudo isso. E quando eu falo com vocês, eu realmente quero me dedicar à nossa conversa e não ficar me distraindo com outras coisas (a menos que um dos meus filhos caia da cadeira, é claro).

viciado_em_samrtNão duvido que seria divertido receber um texto aleatório de vez em quando sobre questões da bolsa de valores. Mas quando um texto aleatório me leva a mais vinte textos paralelos, e os e-mails no meu dispositivo móvel são tantos que acabam ficando lá esquecidos, eu acho que a minha taxa de respostas despencaria. Tenho dúvidas também quanto à relação "distanciamento psicológico X quantidade de informações recebidas". E tenho certeza, por outro lado, de que muita gente notou que a tecnologia deixou a comunicação mais distante do quando ela era feita no velho modelo face-a-face. As pessoas, hoje, raramente aparecem na nossa porta, a menos que sejam convidados ou algum vendedor casual. Recebemos alguns telefonemas e uma quantidade razoável de e-mails por semana. Já as adolescentes, em média, recebem e enviam 4.000 textos por mês. Eu acho que alguns adultos não ficam muito atrás disso. Os feeds das redes sociais estão sempre saturados com dezenas de milhares de novas informações. Dito de outra forma: quanto menos diretamente as pessoas se comunicam, mais provavelmente elas vão enviar e receber milhares de informações. Eu me pergunto se todas essas informações são proveitosas. Alguns meses atrás, estive conversando com um primo que é consultor de planejamento pessoal. Ele comentou sobre uma conversa que tinha tido com um orientador, tempos atrás, sobre como lidar com pais irritados. O conselho do orientador foi simples: “Se você receber um e-mail de um pai irritado, responda sempre reconhecendo com clareza que as preocupações dele são válidas. Em seguida, pergunte se ele gostaria de agendar uma conversa face-a-face para discutir o assunto. A maioria vai optar por não fazê-lo, a menos que a preocupação seja realmente séria”. Uma ideia semelhante parece aplicar-se a todos nós: se algo é realmente importante, crítico ou interessante, costumamos seguir caminhos mais diretos para comunicar esse algo aos nossos amigos e familiares.

O papel insidioso das distrações me preocupa. De certa forma, eu gosto das distrações, especialmente quando estou muito ocupado. Eu sei que há no mínimo um evento esportivo diário capaz de atrair a minha atenção. Mas, se eu me sinto atraído por muitas demandas e curiosidades mundanas, algo ainda mais forte continuará me “corroendo” e alertando contra essas distrações todas. Recentemente, encontrei uma citação de C.S. Lewis que descreve eloquentemente o que eu venho sentindo. Diz assim (a propósito, para quem não conhece “As Cartas do Coisa-Ruim”, o "Inimigo", aqui citado, é Deus):   "Os cristãos descrevem o Inimigo como ‘aquele sem o qual Nada é forte’. E o ‘Nada’ é muito forte: forte o suficiente para roubar os melhores anos de um homem, e não com pecados doces, mas com aquele cintilar sombrio da mente em meio a não se sabe o quê nem se sabe por quê, na satisfação de curiosidades tão fúteis que o homem só parcialmente se dá conta delas".

Se eu não tomar cuidado, "a satisfação de curiosidades fúteis" vai me afastar de um chamado maior, de uma busca de sentido maior.

 

Eu realmente quero preservar a minha vida “off-line”, porque é nela que eu encontro a minha maior alegria.

Eu realmente quero preservar a minha vida “off-line”, porque é nela que eu encontro a minha maior alegria. Quase todas as semanas, ou até mais frequentemente, parece que alguma coisa que acontecia por meio de interação humana direta se torna agora “online”. Os cuidados com a saúde estão se transformando em processos digitais. As escolas estão fazendo cada vez mais coisas através da internet. A automação está tomando conta de bancos, mercados e até dos namoros. Isso traz benefícios potenciais, mas a realidade é que, a cada dia, estamos investindo um pouco mais de tempo e energia mental em aprender tecnologias e menos tempo em interagir com gente! Eu tenho a impressão de que as pessoas estão sendo levadas a se conformar com a tecnologia, e não a tecnologia a entrar em conformidade com o humano, ou pelo menos com o tipo de vida humana que nós dizemos que gostaríamos de ter.

Jim Schroeder

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