Por João Antônio Johas - Jovens de Maria Em Crescendo na Fé Atualizada em 16 JAN 2018 - 10H23

Como falar da minha fé sem ofender o outro?

Hoje em dia está cada vez mais difícil dialogar de verdade. Não estamos falando de conversas triviais do dia a dia porque elas não parecem estar em crise. Referimo-nos aqui a diálogos nos quais, por exemplo, se argumenta contra ou a favor de algum tema polêmico. Diálogos em que são tratados temas sobre religião, política ou sobre a vida interior de alguém.

Nesses momentos, opinar pode ser difícil, porque pode ser visto como imposição, falta de respeito, entre outras coisas. Dialogar parece estar se tornando uma arte cada vez mais difícil e praticada por poucos


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Como cristãos, muitas vezes, somos colocados em uma situação difícil. Conversando, nos vemos na necessidade de mostrar que, segundo nossa fé, tal pensamento ou atitude de nosso interlocutor não está correta. Não é que nos sintamos superiores e donos da verdade (como poderia ser interpretada a correção), simplesmente é parte fundamental da nossa vocação o anunciar o modo de vida cristão. Não quer dizer que estamos fechados ou que não respeitemos os outros. Apenas quer dizer que nós, enquanto cristãos, vivemos de uma determinada maneira e, aí sim, pensamos que vale a pena que o mundo inteiro conheça essa “maneira” (que é na verdade Cristo mesmo, a nossa Vida).

Não é fácil, mas também não é impossível. E se não queremos nos omitir com relação a nossa fé, precisamos aprender a entrar em diálogo com os demais. É necessário desenvolver uma capacidade de escuta, de acolher de verdade o outro com tudo o que ele é, mesmo que não concordemos com várias atitudes ou maneiras de pensar. É muito importante estarmos realmente abertos, porque como católicos não podemos ter medo da verdade, já que a Verdade é o mesmo Cristo em quem temos posta a nossa confiança.

Como não nos confundir na nossa abertura e acolhimento?
Para que essa real abertura seja, por um lado, realmente eficiente e, por outro, não acabe nos confundindo em nossa própria fé, é preciso uma formação sólida para que estejamos prontos a dar razão de nossa esperança, como diz São Pedro. Quanto mais profunda seja a nossa raiz em Cristo, quanto mais solidamente estejamos fundamentados na Rocha firme, menos medo teremos de qualquer tormenta que possa aparecer. Construamos nossa casa sobre a Rocha, como a pessoa sensata do Evangelho.

 

É parte fundamental da nossa vocação anunciar o modo de vida cristão. Não quer dizer que estamos fechados ou que não respeitemos os outros.

Mas não será que quanto mais sólido na fé, mais fechado estaremos para escutar aos demais? Se isso acontece, e parece que algumas vezes acontece, penso que é preciso revisar se o fundamento sobre o qual se está “sólido” é realmente Cristo, porque se olharmos para o Senhor, que é a própria Rocha, o veremos sempre aberto às pessoas:

Ele estava próximo dos pecadores e comia na casa dos publicanos. Falava aos mais humildes e, desde criança, dialogava sabiamente com os mestres de seu tempo. É aberto, sem deixar de ser firme, falando o que Ele sabe que precisa ser falado, sendo muito claro e enérgico, algumas vezes. É só lembrar-se de seus diálogos com alguns fariseus ou inclusive com Pedro, quando diz: “Afasta-te de mim Satanás! Tu me serves de pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas as dos homens!”.

Não tenhamos medo de entrar em diálogo com humildade. Jesus espera que anunciemos o Reino de Deus e, como diz São Paulo: “como poderiam ouvir sem pregador?” (Rm 10, 14). Anunciemos a vida que recebemos, peçamos sempre a iluminação do Espírito Santo para fazê-lo da melhor maneira possível, respeitando a dignidade e a liberdade das pessoas, sem deixar de mostrar a maravilha que é o dom da vida cristã que vivemos.


Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas - Jovens de Maria

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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