Por João Antônio Johas - Jovens de Maria Em Crescendo na Fé Atualizada em 03 ABR 2019 - 14H48

Como fazer uma boa Confissão?

A confissão é o momento no qual Deus nos reconcilia uma e outra vez consigo. É o sacramento que manifesta o incrível amor de Deus que é infinitamente maior que todos os nossos pecados. E muitas vezes nos custa muito nos aproximarmos dele. Talvez isso aconteça justamente porque diante de tanta bondade, nossa miséria fica mais evidente. Mas é passando por esse fogo que renascemos para a Vida verdadeira.

Muita gente pensa que tendo uma listinha com todos os mais minuciosos pecadinhos (e “pecadões”) é uma garantia de que se fará uma boa confissão. E muito embora um bom exame de consciência seja fundamental, existe o perigo de que nos escondamos por trás de ideias abstratas e não cheguemos ao mal de verdade encarnado em cada um de nós. É preciso sair desse mundo das ideias e ver como os conceitos e teorias se aplicam a vida de cada um.

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Normalmente existem coisas que nos pesam a consciência sem que façamos um exame minucioso da mesma. Se fizemos algo grave, isso não sai do nosso pensamento. Se não estamos arrependidos, começamos a buscar distrações para que a nossa consciência não nos incomode. Mas se estamos em busca de um perdão, ainda mais de Deus, já sabemos o motivo pelo qual queremos pedir perdão. E é por isso aí que precisamos começar.

Para que serve então o exame de consciência?

É o ponto inicial de uma relação com Deus que quanto mais cresce, mais nos damos conta, ao mesmo tempo, das nossas faltas e da infinita misericórdia do Senhor. Quando somos crianças, com a consciência ainda pouco formada, nos confessamos de pecadinhos que nos parecem pecadões. Quando vamos nos formando e crescendo na relação com Deus, as vezes nos damos conta de que existem outras coisas mais importantes que estão na base da nossa relação com Ele, com a qual faltamos e não nos dávamos conta. Depois, de alguns santos se sabe que voltam a confessar-se como as crianças, mas com muito mais dor no coração por viver uma relação tal de amor com Deus, que o menor agravo lhes é insuportável. “Antes morrer do que pecar gravemente”, diz São Domingos, de 15 anos, justamente para mostrar que essa maturidade não é uma questão de idade puramente.

Existem muitos recursos hoje em dia para que formemos melhor a nossa consciência. Podemos fazer um exame baseado nos dez mandamentos, nos mandamentos da Igreja ou nas obras de caridade. O cuidado me parece que deve ser sempre o de imitar Jesus em sua encarnação. Como assim? Cada um vive em uma situação única no mundo e Deus não é indiferente a ela, pelo contrário, é dela mesma que Ele quer nos salvar. Muitas vezes usamos dessas listas como se elas fossem um padrão ao qual devemos chegar por nossas forças, quando o movimento do cristianismo é justamente o contrário. É Deus que vem ao nosso encontro e nos eleva.

De pouco adianta falar muitos pecados se não os percebemos realmente vivos em nós. Se a boca fala aquilo do qual o coração está cheio, deixemos que saiam os pecados que experimentamos pulsando e apertando o peito, antes de inventar uns que estão pacificamente na nossa cabeça. Não se preocupe, quanto mais próximo de Deus ficamos, mais nos damos conta de que toda confissão é incompleta, imperfeita. Mais percebemos que é pouco o arrependimento que mostramos ao Senhor. E ao mesmo tempo vemos como Ele alimenta multidões com esses pequenos dois pães e cinco peixes.

Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas - Jovens de Maria

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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