Por João Antônio Johas - Jovens de Maria Em Crescendo na Fé Atualizada em 13 DEZ 2017 - 09H49

Fazer o bem é suficiente para ser um bom cristão?

Escutamos que para ser um bom cristão precisamos ser boas pessoas. Cumprir com as nossas responsabilidades, procurar não fazer nada errado e pedir perdão se nos equivocamos em alguma coisa. Mas será que isso resume tudo o que significa ser cristão? Ou será que muitas vezes estamos olhando demais para nós mesmos e esquecendo que o fundamental do cristianismo é viver o amor, que implica o compromisso com o outro, a solicitude com os irmãos, a entrega generosa da própria vida para cumprir o plano de Deus?

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Todos somos responsáveis pela nossa salvação, o que quer dizer que precisamos nos preocupar com ela, que é indispensável que cuidemos, por exemplo, da nossa vida sacramental e espiritual. Se nós não o fazemos, certamente nossa fé diminuirá, correndo o risco de se apagar. Mas essa é apenas uma parte da vida cristã. Existe uma segunda palavra que expressa outra “cara” da nossa vocação: a corresponsabilidade. O que ela significa?

Essa preposição “co”, que antecede a palavra responsabilidade, indica participação em uma responsabilidade comum a todos. É justamente ser, não apenas bom, mas solícito com os demais. A responsabilidade diante da missão apostólica que Deus nos confia é compartilhada por todos os cristãos. Em outras palavras, dentro da vocação cristã, além da minha salvação, é indispensável que sejamos solícitos também com a salvação dos outros. Somos corresponsáveis por cada uma das pessoas, por sua felicidade, por seu encontro com Deus.

Entendemos assim que não existe espaço, em um cristianismo autêntico, para alguém que busque apenas fazer a sua obrigação. Uma pessoa que vive assim não entendeu que uma parte fundamental dessa “obrigação” é velar para que os outros cumpram também suas “obrigações” de filhos e filhas de Deus.

 

Não existe espaço, em um cristianismo autêntico, para alguém que busque apenas fazer a sua obrigação.

Coloco entre parênteses a palavra obrigação, porque penso que ela transmite uma ideia equívoca nos dias de hoje. Ela tem muitas vezes a conotação de algo imposto, difícil e até mesmo injusto, muitas vezes. Mas aqui estamos falando, em outras palavras, da “obrigação” de ser feliz, de viver junto com Deus, de amar de verdade, de ser realmente livre, de possuir a Vida Plena que é Jesus Cristo. Claro que isso vem com as suas regras, mas são regras que nos ajudam a viver plenamente, fruto do amor de Deus.

Modelos de corresponsabilidade e solicitude para nós são Jesus e Maria. Jesus, fazendo pleno uso de sua liberdade, vem ao mundo para se fazer corresponsável até o extremo da nossa salvação. Ele se despoja do seu ser divino e assume todo o humano (menos o pecado) justamente para que nós possamos alcançar com Ele a Vida Plena.

Maria, ao aceitar ser a mãe do Salvador, se coloca à disposição de Deus e coopera ativamente na salvação de todos nós. Até hoje continua intercedendo por cada um de seus filhos, para que conheçamos cada vez melhor ao seu Primogênito, o nosso Senhor Jesus.

Com esses modelos, podemos entender melhor a nossa vocação cristã à corresponsabilidade ou solicitude. Não podemos nos fechar em nosso mundinho interior, preocupar-nos apenas com nós mesmos, porque assim estaremos deixando de lado uma parte fundamental da vida cristã que Jesus resumiu em “amai-vos uns aos outros, como eu os amei”.


Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas - Jovens de Maria

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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