Por João Antônio Johas - Jovens de Maria Em Crescendo na Fé Atualizada em 03 ABR 2019 - 14H48

Gula de fim de ano é pecado?

Parece ser inevitável. Nestes dias festivos provavelmente estaremos com pessoas queridas em um ambiente descontraído e, “fatalmente”, com muita comida gostosa. Essa mistura de ingredientes é tão forte que nem parece valer a pena lutar contra a gula.

Esse pecado pareceria estar indo contra o que significa esse momento de estar reunidos, celebrando o Natal de Jesus e o início de um novo ano. Mas e se o verdadeiro problema não estiver na gula, mas em uma mentalidade por demais moralista que acaba confundindo a liberdade dos filhos de Deus com o pecado? Vamos tentar entender melhor.

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O pecado pode ser entendido como um “errar o alvo”, esse é um dos significados da palavra original em hebraico. Imaginemos um arqueiro que mira em seu alvo. Seu objetivo é acertar o centro do mesmo. Mas ao lançar a flecha, ele erra muito, de fato, nem acerta o alvo e a flecha passa longe. Nesse exemplo, quanto mais longe erra-se o alvo, pior o pecado (Mais mortal diríamos em uma linguagem mais clássica). Transferindo para a nossa vida cristã, errar o alvo seria deixar de apontar a flecha da nossa vida para Deus e atirá-la para outros lugares.

Tentando continuar com o exemplo dado, é preciso fazer uma distinção importante. Na nossa vida terrena, podemos atirar várias vezes essa flecha. O que queremos é acertar o alvo, mas erramos muitas vezes. Diferentemente dos anjos, que só tem uma chance de apontar sua vida corretamente para o alvo, nós podemos perceber que erramos e corrigir o tiro. Isso, claro, contando com a misericórdia e com a Graça de Deus.

E o que tudo isso tem a ver com a gula e com os supostos perigos das festas de fim de ano?

É que muitas vezes, por não estar claro o alvo, ou seja, Deus, nos aferramos a regras exteriores que podem matar o espírito desse tempo. Imagine que o arqueiro esteja atirando flechas sem saber onde está o alvo. Alguém lhe sopra coordenadas como “levante o braço um pouco mais”, “tencione a corda com mais força”, “considere o vento à esquerda”. Com essas informações, ele se sente mais ou menos seguro e lança a flecha. Pode acertar ou não o alvo. Mas se acerta, não é porque ele via o alvo, mas por uma espécie de sorte.

Algo semelhante pode passar com a nossa vida cristã. Temos claro o alvo? Queremos realmente colocar Deus como o alvo, como o centro de nossas vidas? Ele já o é há algum tempo? Quando temos isso claro, passamos de uma relação de servos para uma relação de filhos de Deus. É isso que Jesus nos trouxe. Nele nós fomos elevados a condição de verdadeiros filhos e filhas de Deus. E como tais, somos convidados a viver na liberdade dos filhos. A liberdade de quem sabe sua própria identidade e que age, com segurança, segundo a mesma, sem precisar ser coagido para tal. É a liberdade que não apaga a lei, mas que a ultrapassa com o amor.

Nas festas de fim de ano, quando estivermos diante de uma mesa farta e rodeado de amigos, perguntemos o que, ou quem está no centro. É Jesus que está no centro desta celebração? As coisas que eu estou fazendo ou pensando em fazer tiram ele deste centro? Essa é basicamente a única pergunta que precisamos responder. Isso vale para o Natal, que é evidente, mas também para o ano novo, que começa com um dia mariano de preceito. Não porque a Igreja não queira que festejemos, pelo contrário, que festejemos ao máximo, acertando o alvo, de forma cristã, como filhos muito amados de Deus.

Que Ele nos abençoe nesse fim de ano com uma vinda ainda mais plena aos nossos corações!
Para que aprendamos a ser cada vez melhores filhos, que se lançam sem medo em seus braços. E que o ano comece consagrado a Maria, que ela seja verdadeiramente nossa mãe, quem nos leva a um encontro mais autêntico com Jesus.


Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas - Jovens de Maria

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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