Jesus na Cruz, Paixão de Cristo, Jesus foi abandonado (Art Stocker/ Shutterstock)
Crescendo na Fé

Jesus foi abandonado por Deus Pai?

Júlio Egrejas (Arquivo Pessoal)

Escrito por Júlio Egrejas

24 JUN 2021 - 09H08

Esta pergunta é muito comum e surge em nós depois da leitura da Paixão de Nosso Senhor. Jesus, em completa obediência amorosa ao Pai, oferece a sua vida e, do alto da cruz, recita o começo do Salmo 21, que diz: “Meu Pai, meu Pai, por que me abandonaste?”

A que se refere Nosso Senhor? Houve verdadeiramente uma separação, um abandono por parte de seu Pai? Como entender esta frase?

Leia Mais5 profetas que anunciaram a vinda de JesusEm primeiro lugar, é preciso ler o Salmo 21 na sua integridade para tomarmos consciência de que, se bem a introdução fala de abandono, o texto completo é uma oração de confiança. A Igreja reconheceu e compreendeu, portanto, a intenção filial de Jesus: manifestar, citando o Salmo, a sua completa confiança em Deus Pai, em seu amor e proteção que o resgatariam da morte e da corrupção, como de fato aconteceu na Ressurreição.

Mas então, por que Jesus usa estas palavras iniciais e não outras? Certamente há trechos do Salmo 21 que manifestam grande esperança e confiança. Por que Jesus não usou estas?

Nosso Senhor veio ao mundo como grão de trigo que cai no chão e morre para dar muito fruto (cf. Jo 12,24). Veio como a chuva que cai do céu e para lá não volta antes de fecundar a terra (cf. Is 50,10). Ele assumiu a condição humana e aceitou vivê-la até experimentar seus limites de dor e sofrimento, particularmente a morte. Assim como experimentou a morte, experimentou também o sofrimento da distância do Pai, mesmo não sendo pecador.

Brian Dunne/ Shutterstock
Brian Dunne/ Shutterstock


São João Paulo II, em uma famosa catequese em 1988*, disse o seguinte:

“Na verdade, se Jesus experimenta a sensação de ser abandonado pelo Pai, sabe, porém, que não O é de forma alguma. Ele mesmo disse: ‘O Pai e Eu somos um’ (Jo 10,30), e, falando da paixão futura: ‘Não estou só, porque o Pai está comigo’ (Jo 16,32). No auge do seu espírito, Jesus tem a visão clara de Deus e a certeza da união com o Pai. Mas nas áreas que beiram a sensibilidade e, portanto, mais sujeitas a impressões, emoções, repercussões de experiências dolorosas internas e externas, a alma humana de Jesus é reduzida a um deserto, e Ele não sente mais a ‘presença’ do Pai, mas a trágica experiência da mais completa desolação” .

O amor de Nosso Senhor é tão grande, que Ele aceita viver todas as consequências de nosso pecado, e sentir na pele e no coração a maior delas: a distância do amor do Pai. Ao citar o Salmo 21, Ele testemunha tanto o seu sofrimento como Cordeiro imolado por amor aos homens como a sua confiança completa no Pai, que no final triunfa sobre toda dor e todo sofrimento.

 * S. S. JOÃO PAULO II, Audiência Geral, 30 de novembro de 1988. Em https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/es/audiences/1988/documents/hf_jp-ii_aud_19881130.html

Escrito por
Júlio Egrejas (Arquivo Pessoal)
Júlio Egrejas

Júlio Egrejas nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1975, é membro do Sodalício de Vida Cristã desde 1993. Desde 2012 mora em Petrópolis, e participa do Movimento de Vida Cristã, onde realiza diversos serviços de evangelização e formação Cristã, com destaque para o Curso Católico de Oração e Espiritualidade. Atualmente está terminando a dissertação em vistas ao Mestrado em Direito Canônico.

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