Por Jovens de Maria Em Crescendo na Fé Atualizada em 21 SET 2018 - 15H51

Mateus, um publicano chamado a ser apóstolo

Numa das capelas laterais da capela “São Luiz dos Franceses” em Roma, encontram-se três pinturas de Caravaggio, retratando três momentos da vida do apóstolo São Mateus. Em primeiro lugar, é retratada a sua vocação. O então publicano está sentado à mesa de jogos com outros quatro personagens. Jesus, acompanhado por Pedro, aponta para Mateus, que é iluminado por uma luz que vem de uma janela invisível - a Graça -, atrás de Jesus.

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A mão de Jesus, que aponta para Mateus, lembra a mão de Deus, na cena da Criação da Capela Sistina. Caravaggio quis com isso mostrar que a vocação, a chamada de Deus, é uma nova criação, na qual a pessoa é tomada de surpresa pela força transformadora da Graça divina. É o que de fato aconteceu com Mateus, que na cena é iluminado pela luz que vem de Cristo e aponta para si mesmo, como que perguntando: “É a mim que estás chamando?”

De acordo com os Evangelhos, Mateus respondeu prontamente ao chamado de Jesus e ofereceu um jantar em sua casa (Cf. Mc 2,13-17), convidando seus amigos e também o Mestre, para comemorar o acontecimento. Todas as situações humanas são iluminadas pelo Evangelho, basta uma mínima abertura do nosso coração para que a Semente do Reino comece a germinar. É o que vemos no caso de Mateus e de muitos outros, que foram chamados por Deus em meio a situações corriqueiras, cotidianas: o jogo numa taverna, um jantar com os amigos, o trabalho árduo e frustrante, como foi o caso dos quatro primeiros apóstolos.

Além de ser autor de um dos Evangelhos sinóticos, Mateus consagrou a sua vida ao anúncio do Evangelho, chegando a coroar a sua missão com o martírio. O seu Evangelho, escrito em aramaico, estava endereçado originalmente a um público judeu, e buscava mostrar ao povo escolhido que em Jesus se cumpriam todas as promessas da lei e dos profetas.

Provavelmente você, que lê este artigo, não está chamado a deixar tudo para seguir Cristo, como foi o caso de Mateus. Provavelmente como alguns personagens do Evangelho, a quem Jesus pediu que ficassem na sua cidade, anunciando o Evangelho entre seus irmãos, você está chamado a ser apóstolo em meio a situações e contextos já conhecidos: a família, o trabalho, o esporte, a saúde, o bairro, a política. Pelo Batismo, todos os cristãos somos chamados ao apostolado, a ser como Pedro ao lado de Cristo, no quadro de Caravaggio, com o bastão na mão, simbolizando a Igreja Peregrina ao longo dos séculos.

Em sua primeira Carta Encíclica, “Redemptor Hominis” (n. 14), João Paulo II lembrava que o caminho da Igreja é o homem, fazendo eco ao impulso evangelizador dado pelo Concílio Vaticano II. A Graça de Deus realmente pode transformar-nos e transformar o mundo à nossa volta, as situações humanas, às quais um cristão não é indiferente. A grande mudança, porém, se produz a partir do nosso coração, na maneira como vivemos as situações objetivas que nos toca enfrentar no dia-dia. Como dizia São Paulo, eu vivo esta minha vida na carne em Cristo Jesus (Cf. Gl 2,20), e não alguma outra vida imaginária, idealizada, ajustada às minhas expectativas subjetivas.

Antes mesmo da vocação de Mateus, outros publicanos aparecem nos Evangelhos, em diálogo com João o Batista, precursor do Messias, que chamava com insistência o povo todo à conversão. Eles queriam saber o que deveriam fazer. A resposta do Batista não contém nada de espetacular: “Não deveis exigir nada além do que vos foi prescrito” (Lc 3,13). A grande novidade, porém, se encontra na conversão, a partir de dentro, de toda a nossa realidade, na forma de uma semente que vai germinando. Mais do que algo que nós possamos produzir com os nossos esforços, essa transformação é uma obra que Deus realiza em nós (Cf. Fl 1,6).

Martín Ugarteche Fernández

Sodalício de Vida Cristã

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