Por Everton Lucas Em Crescendo na Fé Atualizada em 26 SET 2017 - 15H11

O homem e o desejo de Deus

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Proponho hoje uma breve e consistente reflexão sobre algo que em nós existe e que nos leva a querer ser Jovens de Deus. Esse algo é a BUSCA e o DESEJO pelo Divino. Não poderia aqui falar algo sobre o desejo de Deus sem mencionar alguns ensinamentos daquele que é conhecido como o DOUTOR DO DESEJO, São Gregório Magno. Ele se referia ao anseio que a alma tem por Deus como uma compunção.

Gregório faz uma analogia com termos medicinais, denominando esse fenômeno como “pontadas de uma dor aguda de algum mal físico”. Traduzindo para o vocabulário e sentido cristão, esta latência se torna uma compunção da alma que provém de dois caminhos: o primeiro, podemos denominar como uma dor penitencial advinda de nosso pecado e inclinação para o mesmo. Já o segundo faz essa dor later em nós pelo próprio desejo de nosso espírito em estar sempre em busca do Divino, assim como vemos no salmo: “Como a corça suspira pelas águas, assim é minha alma por Vós meu Deus”(Sl 42). Ou, se preferir, podemos citar o trecho das Confissões de Agostinho: “Inquieto está meu coração enquanto em Ti não descansar.”

A compunctio animi, portanto, será para nós uma dor de amor, uma dor de dileção, contemplação. Isto se dá pela própria ação de Deus em nós. É dessa estratégia que o Senhor se utiliza para nos despertar como que num choque, um golpe, uma picada ou queimadura de amor que nos excita e nos acorda para voltar os olhos a Ele. Atrevo a fazer uma outra analogia, talvez pobre, mas pedagógica. Funciona como nos filmes de fantasia em que o cupido do amor flecha pessoas para se apaixonarem perdidamente por alguém. Fomos transpassados por esta flecha de amor, que arde em nosso peito e nos faz buscar nosso amor, o Verdadeiro Amor.

Deus agindo em nós e nos estimulando a buscá-lo o faz pelas provações, sofrimentos, pelo próprio pecado e, sobretudo, pela tentação. Esta permissão de deixar o homem ser “tentado” é dada pelo próprio Deus ao demônio, para lograr o benefício de um crescimento na vida de oração e incitar em nós a purificação de nossas intenções.

Esta purificação é para nós uma luz que ilumina nossos passos nesta jornada rumo ao conhecimento e busca de Deus.

Santa Terezinha do Menino Jesus dizia: “A vida é um instante entre duas eternidades”. Viemos de Deus, que é Eternidade, e para Deus voltaremos para novamente gozar do Eterno. Posso me atrever a dizer que este instante em que nos encontramos agora se chama o INSTANTE DA SAUDADE. Esta compunção nos introduz nessa saudade do céu e de alguma forma já antecipa esse prazeroso convívio com nosso saudoso Amor.

Fica então o convite para sempre intensificarmos em nossas vidas esse desejo compulsivo por Deus. Busquemos, pois, ao nosso Sumo Bem, com todas as nossas forças, como águias que voam alto. Rogo neste momento à Santíssima Virgem, que esteja sempre conosco, nos ensinando a buscar corretamente Àquele a quem ela mesma carregou em seu ventre.

Que a Palavra de Deus seja sempre o combustível que precisamos para estarmos com o fogo do desejo aceso dentro de nós, e que assim possamos, a cada dia, estar mais perto da verdadeira contemplação da grandeza divina.


Escrito por
Everton Lucas (Fotos Everton Lucas)
Everton Lucas

Apresentador e estudante de comunicação.

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