Por João Antônio Johas - Jovens de Maria Em Crescendo na Fé Atualizada em 26 SET 2017 - 14H58

Por que o matrimônio é indissolúvel na Igreja Católica?

Os sacramentos são sinais sensíveis da graça e, poderíamos dizer, da presença de Cristo. Assim, por exemplo, a Eucaristia é o sinal, eficaz, da presença de Jesus. Em outras palavras, podemos estar seguros da presença de Deus, que não vemos, nos sacramentos, os quais podemos ver. O sacramento do Matrimônio não é diferente, é sinal da presença de Deus, e isso tem que ser resgatado na nossa sociedade que parece estar se esquecendo do valor imenso desse sacramento.

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Hoje muitos se perguntam porque casar pela Igreja, qual a vantagem? O que ganhamos com isso? A resposta é muito simples, mas precisa de fé. Deus quer que os esposos se amem da única maneira que realmente responde ao desejo mais íntimo do ser humano, que é amando totalmente. Um amor que não seja entrega total, é um amor que ainda não está perfeito e, consequentemente, é um amor que não se realiza como espera nosso coração.

Se somos honestos com nosso interior, se buscamos lá nas profundezas dos nossos anseios mais autênticos, perceberemos essa necessidade de um amor puro, perfeito. Mas será que é possível encontrar um amor assim hoje em dia? Não será muito arriscado comprometer-nos completamente com outra pessoa sem saber se ela também está se comprometendo por toda a vida? E se formos defraudados e o “amor” acabar? Essas e muitas outras dúvidas podem passar pela cabeça no momento em que se pensa em um compromisso real. E cada vez mais se faz a opção pelo “mais seguro” de não se casar. Eu diria também que é o caminho “mais fácil”.

 

Quanto mais nos afastamos de Deus, mais difícil é acreditar realmente em um amor verdadeiro.

Se lembramos bem, nas Sagradas Escrituras, Jesus mesmo é interpelado sobre a questão da indissolubilidade do casamento. No Capítulo 19 de São Mateus, acontece uma conversa comprida com alguns fariseus que queriam (para variar) colocá-lo em prova. Jesus responde de modo contundente: “De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve separar”. Essa é a realidade, o desejo original de Deus, que não se separe o que Deus uniu.

É muito interessante a semelhança da situação atual com o tempo de Moisés, já que muitos parecem querer esse direito da “carta de divórcio” que era permitido nos tempos do profeta. Aqui me parece que está um tema fundamental: A dureza dos nossos corações. Quanto mais nos afastamos de Deus, mais duro fica nosso coração e mais difícil é acreditar realmente em um amor verdadeiro, puro, total. Entendo que o enfraquecimento na busca por esse sacramento está diretamente ligado a essa dureza de coração que experimenta o mundo de hoje.

Mas não nos vai ser mais permitida essa carta de divórcio, porque Jesus não quer que vivamos na mediocridade de um amor “meia boca”. Jesus veio e se entregou totalmente na cruz para que nós também possamos entregar-nos totalmente em nossa própria vocação. É muito difícil viver um matrimônio fiel a vida inteira, eu diria inclusive que é impossível sem a Graça de Deus. Nesse sentido, é o caminho mais difícil que falávamos antes, como o passar pela porta estreita nas Escrituras.

Por outro lado, é também, para os que são chamados a essa vocação belíssima, o caminho de plenitude, de uma vida realmente feliz e realizada. O caminho onde se aprende a viver o amor verdadeiro, como o amor de Jesus por sua Igreja.


Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas - Jovens de Maria

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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