Por João Antônio Johas Leão Em Crescendo na Fé Atualizada em 14 AGO 2020 - 14H58

Por que o matrimônio é indissolúvel na Igreja Católica?

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Os sacramentos são sinais sensíveis da graça e, poderíamos dizer, da presença de Cristo. Assim, por exemplo, a Eucaristia é o sinal eficaz da presença de Jesus. Em outras palavras, podemos estar seguros da presença de Deus, que não vemos, nos sacramentos, os quais podemos ver. O sacramento do Matrimônio não é diferente; é sinal da presença de Deus, e isso tem que ser resgatado na nossa sociedade, que parece estar se esquecendo do valor imenso desse sacramento.

Hoje muitos se perguntam: por que casar pela Igreja, qual a vantagem? O que ganhamos com isso? A resposta é muito simples, mas precisa de fé. Deus quer que os esposos se amem da única maneira que realmente responde ao desejo mais íntimo do ser humano, que é amando totalmente. Um amor que não seja entrega total, é um amor que ainda não está perfeito e, consequentemente, é um amor que não se realiza como espera nosso coração.

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Se somos honestos com nosso interior, se buscamos lá nas profundezas dos nossos anseios mais autênticos, perceberemos essa necessidade de um amor puro, perfeito.

Mas será que é possível encontrar um amor assim hoje em dia? Não será muito arriscado comprometer-nos completamente com outra pessoa, sem saber se ela também está se comprometendo por toda a vida? E se formos defraudados e o “amor” acabar? Essas e muitas outras dúvidas podem passar pela cabeça no momento em que se pensa em um compromisso real. E cada vez mais se faz a opção pelo “mais seguro” de não se casar. Eu diria também que é o caminho “mais fácil”.

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Quanto mais nos afastamos de Deus, mais difícil é acreditar realmente em um amor verdadeiro. 
Se lembramos bem, nas Sagradas Escrituras, Jesus mesmo é interpelado sobre a questão da indissolubilidade do casamento. No Capítulo 19 de São Mateus, acontece uma conversa comprida com alguns fariseus que queriam (para variar) colocá-lo em prova. Jesus responde de modo contundente: “De modo que já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não deve separar”. Essa é a realidade, o desejo original de Deus, que não se separe o que Deus uniu.

É muito interessante a semelhança da situação atual com o tempo de Moisés, já que muitos parecem querer esse direito da “carta de divórcio”, que era permitido nos tempos do profeta. Aqui me parece que está um tema fundamental: A dureza dos nossos corações. Entendo que o enfraquecimento na busca por esse sacramento está diretamente ligado a essa dureza de coração que experimenta o mundo de hoje.

Mas não nos vai ser mais permitida essa carta de divórcio, porque Jesus não quer que vivamos na mediocridade de um amor “meia boca”. Jesus veio e se entregou totalmente na cruz para que nós também possamos entregar-nos totalmente em nossa própria vocação. É muito difícil viver um matrimônio fiel a vida inteira, eu diria, inclusive, que é impossível sem a Graça de Deus. Nesse sentido, é o caminho mais difícil que falávamos antes, como o passar pela porta estreita nas Escrituras.

Por outro lado, é também, para os que são chamados a essa vocação belíssima, o caminho de plenitude, de uma vida realmente feliz e realizada. O caminho onde se aprende a viver o amor verdadeiro, como o amor de Jesus por sua Igreja.

Escrito por
João Antonio Johas Leão (Arquivo pessoal)
João Antônio Johas Leão

Licenciado em filosofia, mestre em direito e pedagogo em formação. Pós-graduado em antropologia cristã e entusiasta de pensar em que significa ser cristão hoje.

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