Por Ir. João Antonio Johas Em Crescendo na Fé Atualizada em 29 MAR 2018 - 10H13

Posturas de Oração

mulher_rezando_2_1

Para escutar a Deus é preciso fazer silêncio. Sabemos, por experiência do dia a dia, que Deus não se manifesta no meio do barulho, mas naquela brisa suave, como se manifestou um dia ao profeta Elias (1Reis 19,11). Mas fazer silêncio não significa apenas não emitir sons, é muito mais do que isso, é estar inteiramente disposto, de corpo, alma e espírito, para perceber a presença de Deus. É ai que podemos entender melhor a importância das posições nas quais os cristãos rezam.

As manifestações corporais são, ou são chamadas a ser, expressões do que se vive no interior. Um espírito recolhido se manifesta em uma postura recolhida. Dessa maneira podemos entrar em sintonia com Deus e perceber a sua presença. O contrário também é verdade. Normalmente um interior cheio de barulho se manifesta em posturas corporais “barulhentas”. Assim é muito difícil escutar a Deus.

A Liturgia eucarística é o momento mais apropriado para fazer silêncio e perceber a presença de Deus, porque Ele se faz realmente presente na hóstia consagrada. Ao longo da Missa, tomamos várias posturas que muitas vezes já estão tão automáticas que nem sabemos bem porque as tomamos.

Começamos a Missa todos de pé, com o canto inicial e o processional de entrada. Essa postura representa respeito pelo celebrante, que é também presença de Cristo no meio de nós, de atenção naquilo que vai se dar, de disponibilidade para acolher o que Deus quer nos dizer e colocá-lo em prática.

Depois da oração coleta nos sentamos para escutar a palavra de Deus. “Sentado diante de Deus, o cristão escuta o seu interior e põe no seu coração a Palavra em movimento, contemplando-a (Lc 2,51)” (YouCat 486)”. Demonstramos que estamos atentos ao que está sendo proclamado.

Na leitura do Evangelho, no entanto, nos colocamos mais uma vez de pé, porque agora quem vai nos falar já não são os antigos profetas ou os apóstolos, mas o próprio Deus em seu verbo encarnado, Jesus. Se antes já estávamos atentos, agora colocamos uma atenção especial, de pé, para não perder nenhuma palavra do que se está dizendo, porque é palavra de Vida, Palavra que nos mostra o Caminho e a Verdade.

No momento mais importante da Eucaristia, na consagração, nos ajoelhamos. O fazemos porque estamos na presença de Deus, que mais uma vez se abaixa na condição de Hóstia para se fazer alimento para nós. Nos reconhecemos dependentes da Graça que vem dEle, reconhecemos a nossa pequenez frente a grandeza de Deus.

reza oraçãoNão é comum, mas em alguns casos também se prostra na Eucaristia. Por exemplo quando um homem vai ser ordenado diácono ou sacerdote, em um momento determinado ele fica totalmente prostrado no chão em atitude de total submissão a Deus, de entrega total a Ele, de adoração. É uma postura que pode ser adotada também em uma visita ao Santíssimo Sacramento, denotando a mesma atitude de adoração a Deus que está ali presente.

Depois que se recebe a comunhão, possuímos um momento muito íntimo com Deus. Uma atitude boa é voltar e, ajoelhado com as mãos juntas, rezar. As mãos juntas mostram como está o nosso interior nesse momento, unificado com Deus, muito próximo a Ele e completamente compenetrados por essa relação.

Todas essas posições nos ajudam a ter uma relação mais pessoal e verdadeira com Deus. É verdade que muitas vezes tomamos essas posturas com pouco cuidado e automaticamente, que muitas vezes não existe essa unidade entre nosso interior e nosso exterior. Acontecia com alguns fariseus que rezavam com várias posturas, mas estavam vazios por dentro. Tomar consciência do que estamos fazendo e procurar fazê-lo com uma intenção correta é um bom primeiro passo para fazer o silêncio necessário para escutar ao Senhor que sempre tem algo a nos dizer.

2 Comentários

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Ir. João Antonio Johas, em Crescendo na Fé

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.