Por João Antônio Johas - Jovens de Maria Em Crescendo na Fé Atualizada em 03 ABR 2019 - 14H53

Promessa é moeda de troca com Deus?

É comum ver, especialmente em grandes santuários, pessoas pagando suas promessas das mais diversas maneiras. Com uma peregrinação ou um ex-voto, o fiel demonstra sua gratidão a Deus por alguma graça em particular e cumpre com o que lhe havia prometido em primeiro lugar. Mas se analisamos bem a situação, não podemos dizer que Deus precise daquilo que lhe oferecemos. Qual é, então, o sentido de cumprir uma promessa?

O que Deus deseja é que lhe sejamos fiéis. Não por algum capricho seu, ou porque Ele quer limitar a nossa felicidade, muito pelo contrário, é porque Ele sabe que a verdadeira Vida em abundância somente encontramos nEle. Dessa maneira, ao cumprir uma promessa, lhe manifestamos concretamente essa fidelidade, esse amor. E Ele se alegra porque percebe que estamos fazendo da nossa fé, uma fé concreta, viva. Recordemos o que Jesus disse: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor, entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus”(Mt 7:21).

 
Thiago Leon
Thiago Leon


E é vontade de Deus que sejamos fiéis a nossa palavra. No mundo atual o valor da palavra vem diminuindo cada vez mais. É triste ver que a taxa de divórcio aumentada manifesta que o “até que a morte nos separe” tem sido entendido mais como “até que nos aguentemos satisfatoriamente”. Percebe-se uma dificuldade cada vez maior de fazer sérios compromissos, com o medo de “perder outras oportunidades”. E se é verdade que devemos ser fiéis à palavra que referimos aos nossos irmãos, quanto mais quando a referimos a Deus, ou seja, quando lhe fazemos promessas.

Nunca podemos nos esquecer que o primeiro a ser fiel à sua palavra é o próprio Deus. Jesus, o verbo de Deus, se encarna e é fiel à sua missão até as últimas consequências. É essa fidelidade de Deus que nos inspira a sermos também nós, fiéis até o fim. As promessas que cumprimos não podem ser por medo de algum castigo de Deus se não as cumprimos, mas expressão dessa fidelidade que lhe queremos demonstrar. Em outras palavras, não cumprir uma promessa não nos deve levar a pensar “Deus vai me castigar porque eu sou um ingrato”, mas “Deus é fiel até o fim comigo e eu ainda não consigo ser fiel nem nesse pouco que lhe prometi”.

Isso, porém, não pode nos levar ao desânimo e ao desespero, que seria afastar-nos ainda mais de Deus. Lembremo-nos da passagem dos ramos e da videira: “Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma”. A consciência das nossas debilidades sempre precisa nos levar a ainda maior consciência da necessidade da misericórdia de Deus, porque quando nos experimentamos fracos é que podemos realmente ver que só a imensa força do amor de Deus pode nos manter fiéis. Os ramos fora da videira se secam e não dão frutos.

As promessas são formas de mostrar para Deus e para nós mesmos que estamos unidos à videira e que queremos permanecer assim. Ao mesmo tempo, são testemunho de fé para as outras pessoas que, vendo como cumprimos os nossos votos a Deus, podem se questionar sobre a própria relação que possuem com Deus. Essa dimensão apostólica das promessas é muito importante, porque também é desejo de Deus que as pessoas que não são cristãs percebam em nossa fidelidade a plenitude de vida que eles também desejam viver.

Enfim, sermos fiéis às promessas que fazemos, não faz com que Deus seja maior, ou melhor, mas lhe agrada porque por meio delas manifestamos a nossa fidelidade e a nossa gratidão. Elas também são um bom meio de dar testemunho da nossa fé para as outras pessoas, o que também está de acordo com o Plano de Deus. Portanto, fazer promessas a Deus e cumpri-las é muito bom e quando não as cumprimos, não devemos nos desesperar, mas pedir perdão e lançar-nos com mais força nos braços misericordiosos de Deus.


Escrito por
Irmão João Antônio Johas (Redação A12.com)
João Antônio Johas - Jovens de Maria

Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

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