Por Cankin Ma Lam Em Crescendo na Fé Atualizada em 10 SET 2020 - 14H17

"Revestir-se da Palavra": Uma luz na nossa cotidianidade

Entenda neste artigo o tema da Festa da Padroeira deste ano

Chat Karen Studio/Shutterstock
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Para falar em "ser revestidos", pensemos num evento no qual ainda hoje conserva-se a importância de ir vestidos adequadamente: o casamento. Nos casamentos de amigas e parentes que acompanhei, chamou minha atenção o lugar que ocupava o vestido da noiva. Além do processo que leva até sua escolha, há o fato de que, no dia do casamento, enquanto a noiva se arruma para a celebração, o vestido encontra-se como que protegido, num lugar especial, ocupando bastante espaço.

Ficando no aspecto mais material, alguém pode ver um exagero em tanto cuidado e atenção para um detalhe tão exterior, digamos. O interessante é o que o vestido significa e indica. Ele expressa o caminho percorrido pelos noivos até esse dia, assim como a aventura que começam juntos. Claro, se a veste nupcial não é respaldada por algo autêntico, não vai além de um enfeite caro e elaborado.

É um jogo interessante, pois, se o relacionamento dos noivos não for genuíno, as parafernálias não superam o inútil. Na mesma lógica, se o amor dos noivos for maduro o suficiente para levar ao casamento, precisa se expressar também nesses aspectos.

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Como relacionar estas narrativas sobre noivas, vestidos e parafernálias com a
mensagem da Bíblia? Pois bem, numa parábola Jesus fala sobre uma festa nupcial e a importância de usar as vestes adequadas. Foquemos no diálogo sobre as vestes nupciais:

"O rei entrou para ver os que estavam à mesa e viu lá um homem que não trajava a veste nupcial. Perguntou-lhe: ‘Amigo, como foi que entraste aqui sem a veste nupcial?’ Ele, porém, ficou calado. Então o rei ordenou aos servos: ‘Amarrai seus pés e suas mãos e jogai-o lá fora na escuridão. Lá haverá choro e ranger de dentes’. Pois muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos’” (Mt 22,11-14).

A reação do rei, anfitrião da festa, perante o sujeito que não trajava a veste nupcial pode parecer-nos hoje desproporcionada. Um comentário de Santo Agostinho a esclarece: "atreve-se a vir às bodas sem veste nupcial aquele que busca ali sua glória, não a do esposo, mas a própria".

Imagine estar no casamento da sua irmã e um sujeito aparecer com beca de formatura, pedindo ser parabenizado pela conquista dele. Quem não ficaria irritado de um intrometido atrapalhando uma celebração tão digna e importante?

Reprodução
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Voltando ao ponto inicial, o fato de revestir-se expressa uma dinâmica integral. Não pode ser mera superficialidade, não pode ser descartado como um detalhe entre outros. A vida de Maria manifesta esse revestir-se da Palavra. Lembremos o hino inspirado que canta na visita a Isabel (Lc 1,39-55), expressando sua intimidade com a Palavra, o estar revestida dela.

Em nosso caso, o rito do batismo no qual recebemos a veste batismal reza: "Vocês nasceram de novo e se revestiram de Cristo. Recebam, portanto, a veste batismal, que devem levar sem mancha até a vida eterna, conservando a dignidade de filho e filha de Deus". Assim, revestidos de Cristo no nosso batismo, somos chamados a ser renovados pela Palavra. Pois, como membros da Igreja, participamos da festa nupcial do Cordeiro.

:: Já se programou para acompanhar a Novena e Festa da Padroeira deste ano em casa? Salve este link nos favoritos e fique bem juntinho de Maria na festa que é toda dela!

Escrito por
Cankin Ma 2020 (arquivo pessoal)
Cankin Ma Lam

Nascido no Equador, filho de pai chinês é apóstolo de plena disponibilidade no Sodalício de Vida Cristã. Atualmente faz caminho ao sacerdócio e estuda teologia na Universidade Católica de Petrópolis.

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