Por Elígio Junior Em Dica de Cinema Atualizada em 26 SET 2017 - 15H40

Dica de Cinema: A Teoria de Tudo

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Stephen Hawking é um físico teórico e cosmólogo inglês, mundialmente respeitado e admirado. Sua fama deu-se pelos teoremas escritos acerca da relatividade, espaço-tempo e gravidade quântica, sendo a Radiação Hawking seu maior feito. Assim como Carl Sagan, Stephen conseguiu traduzir complexas teorias em linguajar acessível ao público comum por intermédio das consagradas obras Uma Breve História do Tempo e O Universo numa Casca de Noz. Entretanto, foi o livro Viagem ao Infinito: A Extraordinária História de Jane e Stephen Hawking, escrito pela ex-esposa do físico, que recentemente roubou a cena ao ser adaptado pelo filme A Teoria de Tudo, do diretor James Marsh.

Documentarista experiente, Marsh apresenta a extraordinária jornada de um jovem desengonçado, pouco galãe muito bem humorado, que no momento de ascensão dentro da Universidade de Cambridge descobre ser portador de uma doença incurável e mortal: Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Era o ano de 1963, quando Hawking, aos 21 anos, iniciava suas pesquisas de doutorado esbanjando uma capacidade intelectual superior aos demais colegas e de quebra arrebatava o coração de Beryl Jane Wilde. O céu parecia ser o limite para esta mente brilhante, quando o destino pregou-lhe uma peça e os médicos estimaram-lhe não mais que dois anos neste planeta.

A partir deste ponto acompanhamos a vida de Hawking e a degeneração gradativa de seu frágil corpo. Por motivos óbvios o filme mostra apenas a visão de Jane sobre os 26 anos vividos em comunhão pelo casal, contudo, como o próprio Hawking apoiou e acompanhou a produção, talvez o lindo roteiro de Jane e Anthony McCarten não seja de todo tendencioso.

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Eddie Redmayne (Os Miseráveis) vive Stephen em uma interpretação consistente, crível e ímpar, totalmente merecedora do recém conquistado Oscar de melhor ator. Redmayne conseguiu transmitir sofrimento e alegria através de olhares e dos poucos movimentos faciais que ainda restavam ao protagonista. Por mais de uma vez épossível sentir a dor e o desespero de uma grande inteligência aprisionada a um corpo imóvel. Além da semelhança física com Hawking, o ator se preparou durante quatro meses, com ajuda de um fisioterapeuta, para conseguir passar longas horas em posições desconfortáveis e contorcidas na cadeira de rodas, buscando dar a maior realidade possível ao personagem.

 

000270Felizmente A Teoria de Tudo consegue dividir em igual proporção a importância do protagonista e seu pilar de sustentação, neste caso, a graciosa Felicity Jones (O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro) que interpreta Jane Hawking com maestria e simplicidade. Compreendemos e atérelevamos algumas atitudes da personagem sufocada por uma vida matrimonial de servidão e amor ao marido e filhos. Os anos ao lado de Stephen sacrificaram o futuro acadêmico e profissional de sua ex-esposa, que viveu exclusivamente em prol do lar, um processo de anulação pessoal claramente transmitido pela atriz, que consegue caminhar da jovialidade e ingenuidade, para a depressão e maturidade de forma orgânica e real. Vale menção àcrua maquiagem favorecendo o trabalho da artista.

A bela e leitosa fotografia de Benoît Delhomme (O Homem Mais Procurado) com tons amarelados e avermelhados fortalecem os problemas conjugais agravados por uma enfermidade cruel, mas o foco do longa, muito além disso, reside nas batalhas travadas para enfrentar os obstáculos da vida. Em ambos os lados existe a luta, a vontade de viver e genuinamente ajudar. Vemos o amor em toda parte e em diversas formas, possibilitando a existência de uma história fascinante, que nos faz parar de reclamar dos pequenos percalços diários e inspirarmo-nos naqueles que perseveram e vencem perante as mais árduas experiências humanas.

Confira abaixo o trailer oficial:


Escrito por
eligio JM
Elígio Junior

Pós-graduado em gestão executiva da televisão

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